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domingo, 3 de agosto de 2008

Conversas com o Dr. Freud

Dr. Freud
E aí a gente estava no CaixaFórum, tinha visto uma mostra matadora do Mucha e queria trazer o catálogo. Fomos na lojinha e lá estava ele, figura recorrente de todas essas lojinhas de museus por que passei nos últimos anos: o dedoche do Freud.

Comprei, né?

Já fazia tempo que eu andava arrependido de tê-lo deixado pra trás tantas vezes. Sentia que ele tinha algo além do aparente. Que era um dedoche especial.

E era.

As pessoas falam com o dedoche do Freud. Abrem seus segredos, buscam ajuda, o enfrentam, como se estivessem em terapia -- e não importa que elas estejam em uma sala de espera ou um Starbucks ou até mesmo no meio do escritório. Elas simplesmente me ignoram (e isso não me parece fácil), olham para meu dedo e começam a falar.

-- Olha, eu sei que você só pensa em sexo e acha que tá tudo relacionado a sexo, mas o meu problema não é esse.

-- Eu me sinto sozinho, por isso, não sei o que fazer.

-- Eu não acredito em terapia, em ficar falando com um sujeito que não me responde nada, prefiro uma conversa, viu?


Não é completamente mágico?

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O fascinante ornitorrinco

Sempre tem aquele conhecido que volta da Austrália se achando o máximo por conta de pele bronzeada e carcomida, à moda Crocodilo Dundee.

Entusiasmado, pergunto:

-- Você viu um ornitorrinco?

A resposta, pô, é sempre "não".

Acho muito esquisito que alguém voe meio mundo, se sujeite a um jet lag monumental, corra um baita risco de ter uma trombose venosa e depois sequer se dê ao trabalho de ir ver esses bichinhos tão fascinantes.



lost platypus, originally uploaded by popvulture.

Aliás, os ornitorrincos ficaram ainda mais bacanas hoje, com a divulgação da nova edição da revista de ciências Nature. A capa não esconde a novidade: o ornitorrinco é a atração principal da publicação.
O tema é que o genoma dos ornitorrincos acaba de ser completamente decifrado. E o resultado, como era de se esperar, é alucinante.

A doce criaturinha não só é um mamífero esquisito com bico de pato e cauda de castor que põe ovos, mas também é uma mistura de mamífero, ave e réptil no canto mais recôndido de seu DNA.

É um texto imperdível. Doce como as próprias criaturinhas.

sábado, 3 de maio de 2008

Grandes exposições: Star Wars e Revolução Genômica

Nave
Não curti a exposição de Star Wars que está no Porão das Artes. Traz maquetes, modelos, fantasias e -- o mais bacana -- desenhos de produção. Mas, em virtude do auê todo que fizeram na divulgação, a mostra decepciona.

Não fui só eu. Na saída, ouvi dois "Mas era só isso?" saindo de grupos diferentes.

Claro que os fãs mais fetichistas babam ao ver os droids R2-D2 e C-3PO de pertinho. Mas uma exposição, por mais mega que seja, tem que ser mais do que um exercício de fetiche.
(Mea culpa: armei um set no Flickr com meus fetiches e com flagras do fetiche alheio.)
Uau
É o caso da vizinha Revolução Genômica, também em cartaz no Ibirapuera. Lá, não dá pra tirar fotos. Nem precisa: você aprende coisas e leva novos conhecimentos na lembrança.

Muito, mas MUITO bem montada mesmo, a mostra começa falando de biodiversidade. Tem animais de verdade, vivos, como cobras e sagüis, para dar esse choque de que tem genética em todo o canto.

Captada a idéia, começa a parte mais científica, mais hardcore, mas muito bem explicada. Sempre didática, mas nunca bobinha, é uma baita duma exposição.

É menos badalada que Star Wars, mas muito melhor.
E sai pela metade do preço.

domingo, 20 de abril de 2008

Prevenir e remediar

A pílula anticoncepcional mudou mais do que os costumes. Ela transformou também um velho ditado popular. Hoje em dia, no caso de gravidez, prevenir é remediar.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Sidney Harris e o novo Graal

Descobri a existência do Sidney Harris dias atrás, quando por acaso tropecei na Cultura com a ótima antologia de cartuns dele que a editora da Unesp está lançando. O cara é especializado em fazer humor com ciência, vejam só. Ri de temas como nanotecnologia e psiquiatria. É uma delícia. E, ainda por cima, perfeito para anunciar o novo Graal deste blog, que os mais atentos já captaram no título desengraçadinho: a busca de identidade.

sábado, 6 de outubro de 2007

Coisas que o James Watson aprendeu na vida

O cara aí ao lado é o James Watson, o pesquisador que disse que o DNA tinha formato de hélice e se tornou um dos grandes pioneiros da pesquisa genética. Ele está lançando um livro este mês que é uma mistura de biografia com aprendizados que a vida de cientista lhe concedeu. O título é sensacional: Avoid Boring People.

A última edição da revista Technology Review, do MIT, trouxe um trecho do livro e seis aprendizados sobre pesquisa (registre-se, oras, é a revista do MIT de graça, seu vagal!) que me parecem fundamentais para quem lida com pesquisa. No artigo, eles estão mais desenvolvidos, mas resolvi trazer pra vocês a síntese da síntese:

1. Escolha um objetivo aparentemente à frente do seu tempo.

2. Só trabalhe em problemas quando você sentir que o sucesso será tangível dentro de alguns anos.

3. Nunca seja a pessoa mais brilhante da sala (permitam-me um adendo aqui: ele diz que o Linus Pauling, que era o gênio da Química da época, teria descoberto a forma do DNA antes dele se não fosse tão arrogante).

4. Fique perto dos seus adversários intelectuais.

5. Trabalhe com um time que tem o mesmo nível intelectual que você (e outro adendo: mas que tenha conhecimentos diferentes).

6. Sempre tenha alguém pronto para salvá-lo (porque estar à frente do seu tempo exige alguém pra apoiar as cabeçadas que você vai dar).

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Wired Science

A Wired é foda porque quase todo mês eu penso "Ok, chega, já deu, tá batida" pra, em seguida, ela vir com um punhado de matérias que realmente fazem a diferença.

E hoje a revista virou um programa de TV. Hoje mesmo. A estréia recém rolou.

Meu fastio amigo já veio me dizendo: "Lá vem mais um enfadonho Mundo de Beakman para adultos". Mas os filhos da mãe me ganharam logo no primeiro bloco, com o ensaio de ciberguerra que rolou na superconectada Estônia.

Daí pra frente vai que é uma beleza.


terça-feira, 2 de outubro de 2007

50 anos de Sputnik e o paudurismo espacial

Quinta agora completam-se os 50 anos em que a pequena Sputnik foi para o espaço e deu o chute inicial na Era Espacial, e a imprensa lá fora já larga seus primeiros textos. Tanto o New York Times (em português no G1) quanto a Economist saíram com matérias que reforçam a tese de que a corrida espacial foi o mais caro "o meu é maior que o seu" da história. Numa metáfora digna do pior freudianismo de botequim, astronautas e cosmonautas tiveram seus pintos medidos publicamente, mas no fim das contas quem comeu e gozou foram os governos. Cada publicação dá suas cores e sua leitura particular, claro, mas é curioso ver que é justamente no falo (eu disse "falo") político que elas convergem.

É fato (agora eu disse "fato") que hoje não temos carros voadores nem casa de veraneio na Lua, mas ao menos rola um Google Earth. O mesmo Google que vai tentar tomar a lua para si e, possivelmente, transformá-la em um loteamento patrocinado daqui uns anos.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Mind the gaps


Foto de Mauricio Alejo, da Wired
Este artigo da Wired é interessantíssimo. Fala sobre a dinâmica da pesquisa científica, acostumada a publicar os acertos e esconder os erros -- e sobre a preciosidade de informações que os gaps escondem.

Na real, isso tem a ver com ciência, mas também com a vida da gente. É com os erros que a gente aprende, já martelava o velho Pavlov.

No fim das contas, quem tem razão é o metrô de Londres.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Doomsday e os clones

Artistas do passado são freqüentemente condenados por suas escolhas equivocadas, como se a habilidade de pintar, escrever um livro ou fazer um filme desse a capacidade de avaliar o que o futuro nos reserva. Volta e meia alguém é condenado por conta de tomar uma atitude comum em seu tempo. Nessas caças às bruxas, Hergé teve seu Tintim acusado de racismo, Shakespeare foi um porco machista e por aí vai.

Engraçado que a gente tende a pensar que atitudes assim ficaram no passado e que estamos no auge da iluminação humana. Mas é só ver Superman: Doomsday pra ver que não é nada disso.

Doomsday é um longa-metragem em animação que saiu nos Estados Unidos semana passada, inaugurando uma linha de desenhos voltados para adultos da DC Comics que sairão diretamente em DVD.

A história mostra uma trama já conhecida do público em geral: a morte do Superman, que é provavelmente a HQ mais badalada das últimas décadas. O filme tem algumas diferenças em relação à revista, mas o centro da história é o mesmo (se você não quer estragar o final, pare de ler aqui mesmo): o monstro Doomsday surge do nada, mata Superman, surge um impostor clonado para, só então, Superman voltar à vida.

Pra um desenho animado de super-herói, a história é bem violenta. Tem pancadaria e sangue pra valer. E isso inclui a cena que eu queria citar: um massacre de clones. Clones morrem no filme como se não tivessem direito algum à vida.

Claro que a proximidade da clonagem humana vão se acirrar as discussões, mas tendo a supor que, num futuro qualquer, matar clones será tão imoral quanto matar seres humanos. Portanto, anotem aí: Doomsday será acusado de promover a histeria numa era de barbárie -- estes dias em que vivemos.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Ah, nem vem

Dadas as recentes notícias, os cientistas têm um motivo a mais para questionar a Lei da Gravidade.