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quinta-feira, 17 de abril de 2008

Coisas que estão acontecendo

Nos últimos dias:

* Quatro pessoas me disseram que ligaram o computador à sua TV. Uma delas assiste a vídeos do Youtube, um depois do outro. Mó tendência.

* Vi na Rebouças uma moça com uma sacolinha de compras do Zaffari de São Paulo. O gaúcho Ricardo Freire (assim até parece que estou escrevendo pra Zero Hora) foi lá e fez um belo relato pro Guia do Estadão. Já eu acho muito louco que alguém vá a um Zaffari em São Paulo. Parece que um amálgama de realidades paralelas. É meio como ir à Estátua da Liberdade de Paris.

* Li o Mais ou menos normal, da Cintia. Esse se passa em Porto Alegre, e as descrições da ficção de materializam em lugares bem reais na minha cabeça. Merece um post maior mais adiante, já podem ir lendo.

* As coisas estão corridas, até porque a vida normal se uniu a uma série de coisas que tenho /tive que produzir / criar / escrever. De quebra, ainda está rolando a Semana de Criação, cujas palestras são na Fecomércio, no outro extremo da cidade. O táxi sai tão caro e o trânsito está tão ruim que, olhando pro céu, fico pensando se financeiramente não compensa alugar um helicóptero.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Comida em tempo de guerra


Jamie Oliver, o Orlando Silva dos chefs, quer comprar uma briga: ele pretende sugerir que a população passe a viver como se estivesse em guerra. Ou seja: que coma em casa, que poupe comida, que cultive o que vai comer no jardim.

A proposta é o mote de um novo programa do mestre cuca e apresentador que foi anunciado pelo Channel 4 nesta semana -- e repercutiu um monte, inclusive no Guardian.

Se pega, sei lá. Mas é bom lembrar que os ingleses amam os orgânicos, os smoothies da Innocent (e não sem razão), os sanduíches da EAT e todas essas coisas verdes.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Google x O Mundo - round 669

À sua maneira, o Google ganha dinheiro a custas de conteúdo alheio. A lógica, veja bem, é sutil. Um jornal tem um esforço milionário para produzir uma notícia, publica num site, sustenta uma estrutura monstruosa para vender anúncios e, de repente, perde os míseros centavos que o clique do leitor rende para o Adsense. O lance é sutil e ainda não ficou claro quem ganha mais nessa tal de nova realidade. Tanto que alguns jornais adotam o AdSense como ferramenta de publicidade online para áreas não-comercializadas.

O debate já é comum em congressos de jornalismo. Que eu saiba, o tema é mais candente nos encontros dirigidos aos donos de jornais, embora, na minha cabeça, seria uma área interessante até para os famigerados sindicatos, se tentassem levantar uns trocados para o bolso de seus associados.

Agora, anuncia o New York Tines de hoje, há um novo capítulo na novela mexicana de amor e ódio: uma ferramenta em que o Google se oferece para pesquisar dentro do site de terceiros e, de quebra, joga anúncios da concorrência na página de resultados. Por exemplo: quem procura anúncios de emprego no Washington Post, conta o Times, vê links de AdSense para a agência Monster.com.

A briga, mais uma vez, é boa.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

E que venha Momo!

Não sei aí, meu amigo, mas do lado de cá esse adágio de que o ano só começa depois do Carnaval não tá com nada.

Janeiro acaba na meia-noite de amanhã e foi matador, consumido por um trabalho do tipo que eu gosto: gigante, perturbador, desafiador, que obriga a gente a pensar de jeitos diferentes. É o tipo de coisa que energiza e esgota ao mesmo tempo, mas que tem um saldo inevitavelmente positivo.

Foi por isso que, mesmo planejando em ter um 2008 mais conectado, mais criador, acabei postando menos por aqui. As energias estavam voltadas para outro lugar.

E aí vou contar a desvantagem de não estar mais no jornalismo: na propaganda, o resultado não fica pronto no dia seguinte e não tem como pôr um link pra contar o que andei fazendo. Além disso, há limitações éticas e óbvias que me impedem de revelar o que rolou.

Confesso que também teve outro motivo: dei boas mexidas no meu Flickr, por exemplo. Adicionei uns desenhos e as fotos de Buenos Aires que foram tiradas há mais de um ano. Amanhã também devem entrar mais algumas resenhas no Universo HQ.

De qualquer forma, a situação tende a amornar um pouco nos próximos dias. Culpa do feriado, de Momo, dessa coisa toda. Aí, espero, vai dar pra pôr a coisa em ordem por aqui também.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

50 anos de Sputnik e o paudurismo espacial

Quinta agora completam-se os 50 anos em que a pequena Sputnik foi para o espaço e deu o chute inicial na Era Espacial, e a imprensa lá fora já larga seus primeiros textos. Tanto o New York Times (em português no G1) quanto a Economist saíram com matérias que reforçam a tese de que a corrida espacial foi o mais caro "o meu é maior que o seu" da história. Numa metáfora digna do pior freudianismo de botequim, astronautas e cosmonautas tiveram seus pintos medidos publicamente, mas no fim das contas quem comeu e gozou foram os governos. Cada publicação dá suas cores e sua leitura particular, claro, mas é curioso ver que é justamente no falo (eu disse "falo") político que elas convergem.

É fato (agora eu disse "fato") que hoje não temos carros voadores nem casa de veraneio na Lua, mas ao menos rola um Google Earth. O mesmo Google que vai tentar tomar a lua para si e, possivelmente, transformá-la em um loteamento patrocinado daqui uns anos.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Feliz Dia dos Gaúchos

Hoje é, mais uma vez, 20 de Setembro, dia em que o Rio Grande do Sul, esse estado ímpar, comemora a humilhante derrota na Guerra dos Farrapos.

Por lá, pra celebrar a guerra perdida, é feriado.

Mais que isso: tem desfiles em vias públicas, com cavalos e tudo o mais, tipo um 7 de setembro mais humilde, seguindo os preceitos rituais fabulosos e mitológicos inventados pelos queridos Barbosa Lessa e Paixão Cortes no 35 CTG no grêmio estudantil do Julinho.

E quem disse que gaúcho não é macho? Tem que ter muito culhão pra celebrar uma derrota a partir de uma cultura falsa, inventada por dois secundaristas.

Eu, gaúcho que sou, apresento aqui a descoberta recente feita pela Sabrina -- um filme publicitário que exalta a cultura gaúcha de forma inédita.

Bom Dia do Gaúcho a todos.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Desconfiômetro ligado, coração tranqüilo



Tá rolando um stress por causa da nova campanha do Estadão, cujo polêmico filme está aí em cima.

Tudo porque, na cabeça dos blogueiros, trata-se de uma campanha anti-blog, em que o jornalão estaria detratando todas as conquistas e vitórias digitais dos últimos anos.

O que, naturalmente, é uma bobagem.

Na minha cabeça, tá mais pra velha história da carapuça que veste bem. A campanha fala evidentemente do 99% de lixo que é a internet. Nem a agência nem o jornal me parecem capazes de acreditar que blogs são feitos por habilidosos macacos copistas.

Fiquei surpreso com o espanto generalizado. Surpreso mesmo, porque eu, com esse meu imenso coração sincero, esperava mais das cabeças digitais pensantes. Parece até que algo ali mexeu com a culpa de quem anda postando bobagem por aí -- e daí o fenômeno foi contaminando os outros.

E digo isso na boa, porque até então eu tava achando a campanha superbacana. Até porque, pra mim, a carapuça serviu: não vejo por que alguém beberia um dos vinhos recomendados na tag etílica aí ao lado. Eu não entendo lhufas de vinho. É óbvio que o caderno Paladar tem muito mais moral pra falar sobre vinhos do que eu.

Mas o jogo viraria, por exemplo, se eu fizesse um blog de quadrinhos. Eu daria um banho no Estadão, e também digo isso na boa, sem querer ofender ninguém. O fato é que, ainda que eu tivesse uma coluna sobre quadrinhos no Estadão, o meu suposto blog seria melhor que a coluna, por conta de tamanho e da maleabilidade de um blog.

O Universo HQ, por exemplo, dá um banho na cobertura de quadrinhos de qualquer jornal do país. E olha que tem uns jornalistas de HQ bons por aí.

Mas, se eu gosto de quadrinhos, o Estadão é um puta jornal para eu me informar sobre política, economia, informática e culinária. Não são assuntos que eu acompanho com voracidade, então, ele supre as minhas necessidades superbem. Verdade seja dita: o Estadão é, de fato, o melhor generalista de informação nacional diária do mercado.

Quando o Estadão mostra o macaco, ele solta um alerta: "Amigo leitor, tome cuidado com o senhor que lê por aí". E vende seu peixe: "Se porventura quiser uma informação mais confiável, eu tenho aqui". Quando separa informação boa da ruim, fica claro que ele conquista uns leitores. Mas, mais que isso, põe uma pulga atrás da orelha do leitor. Liga o desconfiômetro.

E, afinal de contas, ler qualquer coisa com o desconfiômetro ligado é, desde sempre, pré-requisito para a vida civilizada. Algo de que ninguém deveria ter medo.

sábado, 30 de junho de 2007

Todo mundo em Springfield!

Às vésperas da estréia do filme, os Simpsons estão até na capa da Superinteressante. Eles invadiram tudo. E eu vou invadir o filme!



Ok, não é verdade! Mas você pode fazer uma versão de si mesmo na seção Crie o Seu Avatar do site do filme.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Jon is Tio

Um dia, a Mariane mandou um e-mail para o planejamento lá da agência pedindo idéias pra uma camiseta para o Grupo de Planejamento, no qual ela milita furiosamente. A idéia era algo que fosse representativo do cotidiano desse povo que se alimenta de coxinha, vive atrás de um espelho sem se chamar Alice e, apesar do que todo mundo pensa, luta por powerpoints mais limpos e objetivos.

Aí eu mandei uma bobagem: peguei uma foto do Jon Steel. O Steel é autor de um livro já clássico nos dias de hoje: A Arte do Planejamento. E olha que não é algo tão em vão, não. Além disso, acaba de lançar outro, igualmente bacana: Perfect Pitch. Mas, mais importante que isso, ele tem mó cara de tiozinho.

Daí, JON IS TIO.

Era pra ser bobagem. Era pra ser só uma coisa infame pra deixar as quinze pessoas do departamento rirem um pouco da minha cara. Por um tempo, foi isso que aconteceu: a frase acompanhada da foto do Steel foi vista como uma idéia estúpida que deveria ser esquecida depois que todo mundo risse de mim.

Mas a Mari acabou levando a idéia pra mais gente rir de mim. E eis que:



Sim, a camiseta existe.

Foi lançada ontem (desculpaí, Mari, saí tarde demais, tinha que chegar cedo demais, não deu pra ir), junto com outras duas.

Dá pra pedir até terça, dia 19. Tem um prazo, sim, porque elas serão sob encomenda. A minha, soube hoje, vendeu bem. Pra pegar uma, é simples:

* São seis tamanhos: P, M, G, GG, Baby-Look M e Baby-Look G. E só sai em preto.

* Cada camiseta sai por R$49, fora o Sedex. Para SP Capital, o Sedex sai por R$10, comportando até 4 camisetas. Para outras localidades, consulte o site dos Correios.

* Para não pagar Sedex, você pode optar também por retirar nas seguintes agências paulistanas: na AlmapBBDO, com a Mariane Maciel, na JWT, com o João Gabriel, e na W/Brasil, com Newton Nagumo.

* O pedido deve ser feito por e-mail (gp@grupodeplanejamento.com.br), até terça, 19 de junho. Faça o seu pedido e o GP envia o procedimento para o pagamento da camiseta.

* A grana arrecadada ajuda o GP, que é sempre uma boa causa. É sério: com planejamento, o mundo terá propagandas mais bacanas e mais sinceras. Vai dizer que não é tudo que você sempre quis?

* Não adianta pedir pra mim, ok? Mandem pro GP.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Adsense e os concorrentes - ops!

Outro dia, falei bobagem sobre o Adsense -- esse sistema de propaganda que tem aí ao lado e supostamente me renderia alguns trocados (mas ninguém nunca clica neles).

Foi quando achei o site da Panini num anúncio estampado no site de sua concorrente, a Pixel.

Hoje, fuçando no Adsense, descobri que tem um serviço que bloqueia os seus concorrentes de anunciarem em seu site. É uma tarefa hercúlea: por exemplo, tem que saber que www.assinepanini.com.br é um site da Panini. Mas enfim, faz parte. E vale se precaver.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Adsense e os concorrentes


Uma das possibilidades mais estranhas do Google AdSense, o sistema de publicidade que mantém o Google (tem aí na barra ao lado há anos, nunca me rendeu nada), é você anunciar justamente no site da concorrência.

É o que se vê na imagem acima.

Herói é um site da editora Futuro, que é sócio da Ediouro na Pixel Media.

O anúncio à direita é da Panini, empresa italiana que está nas bancas brasileiras com Marvel, DC, Turma da Mônica, mangás e outros. Uma concorre com a outra. Teve até um rolo no fim do ano passado, quando a DC quase passou os direitos de Superman & Cia para a Pixel.

Não é acaso. Os dois sites, pela lógica do Google, falam sobre o mesmo assunto. No caso, o site da Herói fala de super-heróis e está cadastrado no Adsense. A Panini vende super-heróis. O Google só une as pontas.

Simples assim.

Ou nem tanto: uma hora dessas, esse troço vai ser discutido. Anunciar no site da concorrência, por mais divertido e tentador que possa parecer a alguns no começo, não é lá tão legal assim. Principalmente quando nenhum dos lados tem culpa.

Happy hour for jap kids



O vídeo acima é só pra pontuar que é sério quando eu digo que não dá pra levar tudo o que o Japão faz ao pé da letra.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

iInnovation

Preguiça, falta de assunto, cérebro clamando por nicotina (nã, nã!), amigos na cidade, enfim, fiquei sem escrever mesmo. Acontece.

Mas aí tem a capa da Economist falando da Apple e de inovação. O texto está aqui. O mais importante dessa matéria é afirmar que o iPhone foge do padrão de Steve Jobs. Ele não está criando uma categoria nova, como o Macintosh e o iPod criaram. No máximo, o celular jobiano vai mexer com os aparelhos que já estão no mercado -- e que estavam se tornando coisas muito parecidas com o iPhone.

O que o Steve Jobs fez foi criar um aparelho bem completo -- e que custa a pequena fortuna de R$ 499, caro mesmo para os high ends. Eu acho esquisitíssimo um aparelho desses, tão internético, não ser 3G. A Apple se defende e diz que o wi-fi é tão bom que ninguém vai notar. Anyway, a Apple é cheia dessas esquisitices e limitações (inclusive no iPod), mas seus fãs não reclamam. E ficam furiosos quando a gente comenta.

Aí é aquilo: eles fazem uma campanha dessas, mostrando que o iPod virou uma bostinha perto do iPhone.

terça-feira, 5 de junho de 2007

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Desperate Housewives e a lógica das séries

Ontem à noite, com anos de atraso, acabamos de assistir à primeira temporada de Desperate Housewives, série que é volta e meia apontada como uma dessas que valoriza o roteiro e torna a TV norte-americana mais interessante que o cinema de Hollywood (visão que eu acho meio boba: há bons filmes e boas séries cercadas de muito lixo, como é típico de qualquer país do mundo).

Desperate Housewives não escapa à regra de criar uma trama que serve de metáfora para o que seus espectadores estão vivendo. Lost é sobre pessoas que escondem segredos -- e todo mundo esconde alguma coisa. Heroes é sobre um sujeito qualquer ficar especial -- e, na era do YouTube, os 15 minutos de fama dependem apenas de fazer o vídeo certo. (Já escrevi sobre isso num outro artigo, publicado no site Pop Balões.)

Desperate Housewives é sobre os medos que as mulheres de classe média sentem. Mas já falo sobre isso.

O segredo dessas séries parece ser a união entre pesquisa e roteiro na medida certa. A pesquisa chega a um insight devastador sobre o que se passa na cabeça da audiência. O roteiro transforma o insight em um programa que vale a pena ser visto, mas sem ignorar as motivações do público.

Já escrevi por aí minha hipótese de que Lost não perdeu audiência na terceira temporada porque ficou complexa ou porque não resolvia seus mistérios, e sim porque a série começou a mostrar gente sendo punida sem motivo algum. Quando um pecador sofre, o público sabe decodificar o motivo do sofrimento. O castigo divino é basilar na cultura mundial. Quando um herói sofre por uma causa, vira mártir. Quando um sujeito comum é torturado sem motivo algum, esse elo se rompe. E as pessoas começam a ver uma grande injustiça -- e ninguém se planeja para assistir a uma injustiça na quarta às 21h. Injustiças não são um programa imperdível.

Desperate Housewives é baseada em uma segmentação de público. São quatro mulheres de subúrbio, cada uma representando um perfil. Bree é a WASP anal retentiva. Susan Meyer é a bobinha. Lynette é a dona de casa. Gabrielle é a bonitona esperta. A primeira temporada é assim: Edie não está elencada entre as protagonistas, o que, pelo que entendi, muda a partir da segunda.

Edie, dentre as Donas de Casa Desesperadas, é a única que não é uma mulher de verdade, ou seja, não tem uma correspondência na vida real. Fora da TV, a mulher sexy seria a latina Gabrielle. Ser vadia nunca é um perfil, apenas um ponto de vista de um interlocutor. Ninguém se acha vadia. Edie é apenas um dos medos das mulheres -- e em especial da bobinha Susan.

Há outros medos. Bree, WASP e ainda por cima republicana, tem um filho gay, um marido sadomasoquista que é pego com prostitutas e perdeu o controle da situação. Susan tem uma filha mais esperta e madura que ela mesma. Quando encontra o homem perfeito, descobre que ele é assassino e traficante de drogas. Lynette abriu mão da carreira pelos filhos, tem um marido bobo e certinho, mas, por ficar feia, suja e desajeitada, não tem auto-confiança a ponto de acreditar que ele não está com outra. Gabrielle conseguiu subir na vida, mas perde tudo porque o marido fazia falcatruas em sua vida profissional.

Para Desperate Housewives, o grande medo de seu público é descobrir que as pessoas próximas têm uma vida paralela. É natural se a gente pensa nos terroristas de 11 de Setembro, que até o dia 10 eram vizinhos amáveis e bons colegas. O clima de desconfiança norte-americano ajuda, mas funciona até mesmo no Brasil. Não só porque as pessoas traem no escritório, mas porque seu vizinho pode ser um traficante de drogas ou seu colega de aula, de repente, está pegando a garota de quem você está a fim.

O mistério da morte de Mary Alice Young é potencialização máxima disso: um até pouco tempo pacato vizinho que de repente surge com um segredo realmente cabuloso.

Mesmo sem ver a segunda temporada, e sem nenhuma pista sobre ela, eu já diria que um dos fatores que fez com que ela fosse considerada mais fraca é a alteração do jogo de medos. Se, por um lado, a série precisa se renovar, por outro uma mexida substancial é complicada de ser feita quando se acertou o rumo.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Desobediência civil

A feira que tem aqui perto de casa é limpinha e silenciosa. Nada de caos, nada de restos de repolho jogados no chão. É uma dessas peculiaridades da Zona Sul.

Mas o Kassab proibiu os feirantes de gritarem para anunciar os produtos.

E hoje, só hoje, uma senhorinha japonesa gritava.

-- NÃO PODE GRITAR! NÃO PODE GRITAR! -- dizia ela, injuriada.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Downloads up

Quem disse que a humanidade aprende com o erro?

Uns anos atrás, quando ainda estava às voltas com jornalismo digital, vi as gravadoras olharem o MP3 com certo desprezo. E também alguma soberba: achavam que eram grandes o suficiente pra enfrentar a massa que começou a usar a internet para pirataria.

Deu no que deu.

Hoje, o Blue Bus abrigou um, errr, debate sobre alguns canais de TV por assinatura que andaram mutilando séries para ampliar o espaço comercial, algo que pega mal não só para o canal, mas também pro pobre anunciante, a quem provavelmente foi prometido um horário concorrido e bacana.

Desse jeito, não fica difícil profetizar que mais um povaréu tenderá a migrar para os tais torrents -- que saem de graça, que não vêm com propaganda (só merchandising), que podem ser vistos a qualquer momento e ainda têm a vantagem de apresentar os programas logo depois de sua exibição norte-americana, versus as semanas (ou meses) de espera da versão nacional.

Quem também anda ignorando tacitamente o rombo que os downloads estão causando é a pequena indústria de quadrinhos. Como é um mercado pequeno, ainda não é um assunto muito falado por aí. Mas quem está dentro, ou por perto, sabe que o volume de piratas de quadrinhos é monumental há anos. O Dan Slott, um bom e jovem roteirista, andou reclamando, mas o tom me lembrou muito os discursos das gravadoras antes da queda.