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terça-feira, 21 de outubro de 2014

Pelo voto nulo

1. É mentira que voto nulo é igual a se abster de uma escolha. Voto nulo é dizer que você não concorda com nada disso que está aí. Também é uma escolha. Isso é óbvio. Mas não parece.


2. É mentira que o voto nulo é uma saída fácil. Até pode ser. Mas até aí escolher entre Dilma ou Aécio também pode ser uma saída fácil e impensada. Inclusive, pros meus parâmetros, a virulenta paixão pelos candidatos têm mostrado que é bem cômodo simplesmente odiar um lado e escolher o outro. E digo mais: o clima de torcida destas eleições tem transformado qualquer escolha em uma escolha burra. Só depende do ângulo que se vê.


3. De qualquer maneira, votar é uma obrigação, mas a escolha é de cada um. A pessoa tem direito em votar em quem quiser, como quiser e com o nível de reflexão que quiser. (O cenário bélico destas eleições cria em mim uma tendência de simpatizar com o voto dos bobos, dos inocentes, dos avoados, dos que se deixam levar pelo coração.)


4. Vi muitos amigos que falaram muitíssimo mal de um candidato no primeiro turno virarem a casaca e passarem a apoiá-lo. É um direito. Cada um é livre pra fazer o que quiser. Mas, nessa, não contem comigo. Amigos: eu lembro do que vocês disseram sobre os candidatos que vocês adotaram.


5. Cada voto é um aval. Quando o próximo presidente mandar bater em manifestante, matar índio ou desmatar a Amazônia, ele vai bradar que teve X milhões de votos. São esses votos que vão legitimar os transgênicos, a condução desastrada da economia, o desprezo pelos direitos humanos, o estímulo desenfreado a setores ultrapassados da economia. Cada voto a mais é um avalzinho a mais pro horror. Bem pequeno. Mas é. O voto nulo diz: "não ao horror".


6. Dadas as opções, não vejo alternativa ao horror. Não acredito em "menos horror" nem em "mais horror". Não acredito em dar aval a "menos horror". Horror é horror, merece apenas repúdio.


7. Não acredito em candidato perfeito, o que significaria anular pra sempre, como uma regra. Mas acredito em candidato razoável, em candidato OK, em candidato que dá pra engolir. No primeiro turno, eu vi uma pequena porção de candidatos razoáveis. Não teria anulado. Mas acredito em limite para o que posso tolerar. Quero ter o direito de dizer que os candidatos do segundo turno estão além do meu limite de tolerância, e quero que outras pessoas possam dizer o mesmo sem serem perseguidas ou chamadas de covardes, direta ou indiretamente.


8. Sei que, neste contexto de virulência e torcida, o discurso a favor do voto nulo é frágil. O voto nulo não tem equipe de marketing, não tem time de social media. Também não tem representante no debate, não dá entrevistana TV, não tem adesivo nem cavalete de rua. (Por isso mesmo, é um discurso mais forte: é um discurso sobrevivente.)

9. Fala-se muito do porquê escolher um candidato, e pouco sobre dizer "não". Temos que aprender a dizer mais "não". A não apoiar, a não dar aval. Por isso, defendo o voto nulo.

domingo, 18 de março de 2012

Tochtli, a culpa por isso tudo que está aí e o que me impressionou no vídeo Kony 2012

Várias capas de Festa no Covil. Roubei do site do Villalobos


"Se jogam uma bomba atômica em você, os sabres não servem pra nada."

Gosto dessa frase que o Juan Pablo Villalobos escreve mais pro fim de seu Festa no Covil. De certa forma, esse romance curtinho que a Companhia das Letras lançou há umas semanas pode ser definido por ela. Porque o livro fala sobre (e é narrado por) esse menino, Tochtli, que vive isolado do mundo num cartel de narcotraficantes. Tão isolado que consegue contar quantas pessoas conhece (14). Filho de Yolcault, El Rey, não sabe exatamente por que vive isolado. Nem mesmo tem discernimento para entender o que se passa ali. É protegido. E se protege. Tipo o Mito da Caverna.

Tochtli é espertinho. Tem os sabres. Mas enfrenta uma bomba atômica, que é uma montanha de informações que ele desconhece. Ele nem sabe que vive no alto de um império de podridão etc. e tudo o mais que o narcotráfico é.

***

Os últimos dias foram corridos. Queria ter lido Festa no Covil em uma sentada, mas não deu. E olha que são menos de 100 páginas com uma fonte bastante razoável.

(Já volto pro Tochtli.)

Durante a semana, também não vi o Kony, aquele que todo mundo viu e que se tornou o vídeo que se viralizou mais rápido na história da internet. Só que o vídeo tem meia hora e, desculpa, é uma colagem de imagens com muitos clichês, não consegui me empolgar na primeira tentativa.

Assim:


Vi ontem.

Minha primeira reação foi "O Banksy fez isso". E não só pelo chapa Shepard Fairey, que aparece lá pelas tantas. Mas é que o autor parece alguém que entendeu o famoso "tudo isso que está aí". Banksystyle.

Aí fiquei pensando o que fez, até agora, 82 milhões de pessoas verem esse vídeo quase por inteiro (porque o Google só conta se você se aproxima do fim).

Ou melhor: o que motivou as primeiras mil ou dez mil pessoas a verem esse vídeo quase por inteiro. Porque, a partir de algum momento, a força do hype explica o fenômeno. Mas o que leva alguém que não é mais amigo do autor a dizer: "Ei, você TEM QUE ver esse vídeo" quando esse vídeo tem meia hora, é repetitivo, é em inglês, é uma colagem caseira de imagens e que, convenhamos, não é como a Susan Boyle, que você vê rapidinho, vê de novo, chama um amigo pra ver com você e, de repente, você mesmo, sozinho, percebe que foi responsável por uns dez views.

Raiva do ditador? Vontade de participar de um evento global? Desejo de ser um super-herói por um dia? Tentativa de mandar no governo? Culpa por não saber que existia um bandidão na África? Ou, somando tudo, uma forma de tentar lidar com a culpa que se sente pelo "tudo isso que está aí"?

(Na boa: adoro a ideia de prender Kony. Contudo, é a África. Um continente inteiro que é uma tragédia. Sudão. Nigéria. Líbia. Um continente inteiro que foi colonizado. E aí um rapaz americano. Enfim.)

***


Aí voltamos ao Tochtli. Que vive ao lado de um bandidão do narcotráfico mexicano. E, pelo que sabemos, o narcotráfico mexicano não é lá muito diferente de um Kony no quesito "atrocidades".

Tochtli não enxerga que seu mundo é estranho (pra nós) porque ele já nasceu imerso em todas as mentiras. Vive num mundo de fantasias, com samurais, hipopótamos anões, chapéus e palavras difíceis. Não pode sair (e aqui o poder é bem amplo). Não chega a ser muito diferente de quem tem um colar de diamantes e não sabe como a pedraria foi extraída de uma mina África.

Quer dizer: Tochtli não enxerga, mas há um subtexto que percorre o livro que indica que ele não quer ou não pode (porque não está pronto, porque tem limitações) enxergar.

Festa no Covil virou um sucesso editorial. Ganhou rapidamente edições em diversos países, e mais outros vão publicá-lo, o que não é exatamente comum para o primeiro romance de um autor latino-americano. Não é na mesma toada de Kony. Mas Festa no Covil também é um baita sucesso global.

Fiquei com a sensação de que Festa no Covil e Kony 2012 contam histórias muito parecidas sobre a tentativa de enxergar a origem do mal que está ao nosso redor.

***

Chegamos a um ponto em que tudo pode gerar culpa. Porque conseguimos enxergar a origem do mal.

A moça vai ficar noiva. Dez sudaneses morreram extraindo o diamante do anel da mina.

O cara resolve deixar de andar de carro pra pegar metrô. O sistema é hidroenergético, mas a eletricidade alagou hectares e hectares de mata pra ser gerada.

O rapaz compra um celular. Um chinês se matou.

O sujeito põe molho de tomate no cachorro-quente. Um agricultor do interior de São Paulo perdeu os braços porque precisou aplicar o agrotóxico sem proteção adequada.

Kony 2012 e Festa no Covil falam sobre essa consciência extrema que surgiu com a proliferação de abaixo-assinados, campanhas, notícias... A informação circula mais. Estamos todos conectados. Se tudo faz mal ao mundo, todos fazemos mal. Temos que lidar com o fato de que somos todos parte do bando de Yolcault, do exército de Kony ou do board da fábrica de celulares. É um inferno. Isso significa que não basta combater milicianos africanos com vídeos no Youtube. Para fugir do inferno, também temos que aceitar a nossa própria nocividade.

sábado, 7 de junho de 2008

Dignidade

O depoimento da governadora Yeda Crusius, do Rio Grande do Sul, publicado na edição online de Zero Hora, também é muito esclarecedor sobre a mente dos políticos:

"Mais firme do que nunca quero manifestar minha indignação pelo comportamento do vice-governador. O Rio Grande do Sul é colocado, frente ao cenário nacional, como um Estado em que práticas de comportamento como essa jamais foram vistas. É um comportamento digno de confronto. Esse maravilhoso povo do Rio Grande do Sul não aceita não discutir frente a frente como sempre deve ser feito na política."

Claro que gravar conversa sem avisar é feio. Se você faz isso com alguém, é molecagem. Mas, numa balança, acobertar corrupção me parece bem pior.

Honradez

Tenho um interesse antigo por saber como funciona a mente do corrupto. Acho que, no Brasil, todos nós temos.

Se é distorcida, se é apenas má, se faz porque acha que é assim mesmo.

No noticiário de hoje, temos uma pista preciosa. Cezar Busatto, político tradicional do Rio Grande do Sul, nome forte desde o governo Britto, nos anos de 1990, agora chefe da Casa Civil, foi flagrado pelo vice-governador Paulo Feijó, um inimigo ferrenho da governadora Yeda Crusius. Feijó gravou um papo sobre corrupção no governo e divulgou. Contou onde fica a torneirinha de dinheiro usado para financiar a corrupção.

Na minha cabeça, o que o sujeito fez é demais: ele achou o vazamento. Agora só falta mandar o encanador.

Olhando daqui, parece um ato nobre, de gente digna, que faz o certo -- e me dizem que ele, ao menos, é um cara honesto, sério.

Mas não é o que diz Busatto:

"É uma armadilha safada, ele não é um homem honrado. Ele quer ser governador, é golpista. Ele é um mau caráter. Eu fui de coração aberto e ele divulgou."

É ou não é uma preciosidade?

sexta-feira, 7 de março de 2008

Cuba

Se fosse esperta, a catrefa rubro-escarlate aproveitaria a saída do Fidel para mudar o discurso sobre Cuba. O país que representa o ideal de vida dos caras é vergonhoso. O papo de que a população de lá é feliz já caiu por terra faz tempo.

Ontem, ganhou mais uma pá de cal -- e, nesse caso, precisa-se de várias pás, porque os seguidores dos Castro são mulas teimosas. É a matéria do New York Times, ótimo relato sobre o submundo em que os cubanos se metem para ter acesso à internet sem censura.

Para quem duvida, há até alguns blogs, com depoimentos de cubanos, para mostrar que a coisa tá ruça. Um dos casos é o Generation Y, de Yolanda Sánchez, "un Blog inspirado en gente como yo, con nombres que comienzan o contienen una 'y griega'. Nacidos en la Cuba de los años 70s y los 80s, marcados por las escuelas al campo, los muñequitos rusos, las salidas ilegales y la frustración. Así que invito especialmente a Yanisleidi, Yoandri, Yusimí, Yuniesky y otros que arrastran sus 'y griegas' a que me lean y me escriban."

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Bom dia!

Acordar num mundo sem Fidel Castro dá um ânimo todo especial! Fico meio bobo, querendo usar exclamações e emoticons! :D

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Hillary, Obama e o mundo no divã

Aqui de longe, tou achando incrível a eleição norte-americana. A impressão que dá é que até anteontem a Hillary era a coisa mais revolucionária que podia acontecer aos Estados Unidos: uma mulher, democrata, na presidência.

Aí veio o Obama. Negro, mais democrata ainda, com chances concretas.

De uma hora pra outra, Hillary virou a democrata careta, representante de tudo que os democratas teriam de tradicional.

Tudo isso, claro, é uma questão de percepção. E percepção tem aquela pegada de ser uma idéia capturada no ar, mas não é nada disso. Percepção é a reação do inconsciente, é fruto de tudo aquilo que construímos dentro de nós por anos (no meu caso: décadas), do que lemos, vivemos, ouvimos e sentimos.

Olhando à distância, racionalizar o porquê da percepção de que Obama é cool tem tudo pra virar o exercício mental do ano. Entender a cabeça do eleitor se tornou muito mais do que ler os gráficos das pesquisas de opinião. A partir deste ano, vai ganhar quem souber mergulhar nas mitologias e nos arquétipos de seu povo.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Capitão Nascimento é moleque

No meio de todo o bafafá de Tropa de Elite, pega até mal que não se fale mais do lançamento de O Bandido da Luz Vermelha em DVD. A obra-prima de Rogério Sganzerla é de certa maneira o avô do Tropa de Elite, porque esfregou na nossa cara o que éramos lá atrás -- e de onde viramos o que somos e como tudo isso deu no que deu.

Em um manifesto feito na época (republicado aqui pela Contracampo), o diretor escreveu: "Orson Welles me ensinou a não separar a política do crime".

Não vejo como uma discussão possa ser mais atual.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Tropa de Elite no cinema

Acabei de chegar de uma sessão do Tropa de Elite no cinema. Não tinha visto em DVD. Nem naquele link do Youtube -- que saiu do ar, mas antes reuniu toda a sorte de comentários medonhos que falavam muito sobre este Brasilzinho.

É curioso: todo mundo fala das drogas, do quanto o tráfico fode com tudo, mas passou meio batido o fato de que os vendedores de DVDs piratas, responsáveis pela divulgação precoce e acelerada do filme, alimentam o mesmíssimo sistema criminoso.

Logo, não adianta só o amigo aí parar de se chapar. O troço se alastra pelo simpático barzinho que faz o jogo do bicho, pela loja de grife bacanésima que lava dinheiro, pelos iPods baratinhos do site de leilões, pelo cursinho que faz vista grossa pro ecônomo do bar que vende maconha e por aí vai.

E, enfim, o problema é que, neste país, a sensação que dá é que a gente tem é que parar com o país todo pra resolver a situação.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Wired Science

A Wired é foda porque quase todo mês eu penso "Ok, chega, já deu, tá batida" pra, em seguida, ela vir com um punhado de matérias que realmente fazem a diferença.

E hoje a revista virou um programa de TV. Hoje mesmo. A estréia recém rolou.

Meu fastio amigo já veio me dizendo: "Lá vem mais um enfadonho Mundo de Beakman para adultos". Mas os filhos da mãe me ganharam logo no primeiro bloco, com o ensaio de ciberguerra que rolou na superconectada Estônia.

Daí pra frente vai que é uma beleza.


quinta-feira, 27 de setembro de 2007

"Acha que isso se justifica?"



O vídeo acima está circulando em vários sites (incluindo o Blue Bus). O ex-ministro português Santana Lopes dá uma porrada na apresentadora do SIC Notícias e, de quebra, uma grande aula de jornalismo e civilidade.

Imperdível.

domingo, 23 de setembro de 2007

Lula e as centenas de empregados ao seu redor

“There are hundreds of employees around me that I don’t have any idea what
they are doing.”

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, verbalizando toda a sua capacidade de comandar um governo em entrevista ao New York Times de hoje.

Não é uma beleza?

Aliás, a própria entrevista é um marco: o Lula tá falando com o New York Times, algo que não se via desde que o Larry Rohter, antecessor do Alexei Barrionuevo, dizer que nosso líder era chegado numa pinga. Mas pra falar com Rohter ele nunca tinha tempo. Com Barrionuevo, ele logo achou. Sei não, mas daqui eu fico com a impressão de que era mágoa.

sábado, 22 de setembro de 2007

Funk do Calheiros

Vai, José Dirceu,
Vai.
Vai, Renan Calheiros,
Vai!
Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
Não queremos saber de vocês (ninguém quer)
Cobrai vossa CPMF
Cobrai, cobrai, cobrai -- que se há de fazer?
Quem puder sonegará -- vai, vai, vai.

Quero ser deputado
Quero ser senador
Quero ser Renan Calheiros
Uouououuuuuuuuuuuu

domingo, 16 de setembro de 2007

Lulinha Paz & Amor


"Brasil tiene que volver a tener todo lo que tuvo. Para volver a construir nuestras fábricas de material bélico tenemos que comprar."

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, conversando com o jornal El País neste domingo. Agora, os sites brasileiros estão destacando a nossa recém-descoberta, porém desde sempre histórica, vocação bélica.

Mas o pior nem é isso: "No voy a dejar nunca la política", ameaça o governante rubro-escarlate.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Caro Senador Renan Calheiros,

Na segunda-feira, uma criança indígena, de um ano e onze meses, morreu de desnutrição. É, pelo menos, a oitava do ano.

Hoje à tarde, um homem foi baleado por criminosos ao lado do Theatro Municipal, no Centro de São Paulo.

Outro dia, quatro motoqueiros assaltaram duas amigas na Marginal Pinheiros, às 17h, apontando armas de fogo.

Apesar de supostos esforços, o próprio governo estima que 9,6 mil quilômetros quadrados da Amazônia desapareceram entre agosto de 2006 e agosto de 2007.

O Brasil ainda tem 25 mil vítimas de trabalho escravo.

Por essas e muitas, muitas outras, Senador, tenha certeza: a sua vitória é mais do que uma mera conquista pessoal ou uma prova de união de seus aliados. É uma vitória disso tudo que está aí, do que sempre esteve e, por causa de atitudes como a sua e a de seus companheiros, do que sempre estará.

Parabéns por sua vitória. Tenha certeza de que, para todos nós aqui fora, ela é equivalente a uma derrota monumental.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Excelentíssima Sra. Governadora Yeda Crusius

Eu não moro no Rio Grande do Sul há mais de dois anos. Mas visitei o estado neste fim de semana, por umas 36 horas. Fiquei bem impressionado, admito. E não é um impressionado bonito, pra cima. É que as pessoas estão desmotivadas e exaustas. Elas não agüentam mais.

E digo mais: dos muito pobres aos muito ricos, não achei ninguém que defendesse o seu governo. E ouvi muita gente capaz de listar os problemas do estado, mas ninguém consegue apontar a solução. Parece que o pessoal perdeu a esperança.

Porto Alegre é uma cidade igualzinha ao que era quando saí daí. Não tem obras, não muda, parou no tempo. Só mudou o desânimo geral, que aumentou. Até aquele orgulho de ser gaúcho, sentimento que me irritava bastante, confesso, parece estar abalado.

Sei que a culpa não é só sua. Que a senhora é herdeira de outros incompetentes, de diversos partidos. Que a crise é mais antiga. Acredito até que a senhora esteja se mexendo para mudar isso.

Mas a notícia que tenho é ruim: não está dando certo.

Sinto muito, mas pra mim é claro que a senhora e sua equipe precisam se esforçar mais.

Ou, no mínimo, que parem de atrapalhar.

Falo isso porque vi, recentemente, dois bons amigos envolvidos em desgastantes matérias de jornal que me pareceram desnecessárias.

A primeira foi a Vera Callegaro, que a senhora conhece melhor do que eu, mas por quem, graças a uma velha amizade entre nossas famílias, tenho bastante carinho. Mas, apesar de saber que a senhora, e não ela, estava errada, deixo que vocês, velhas amigas que são, possam se acertar.

Foi um erro seu, coisa que faz parte da vida política.

Mas o que foi feito com o Luis Paulo Faccioli não tem explicação. Não só com ele, por sinal, mas com a cultura gaúcha inteira. Fazer chacrinha no Conselho Estadual de Cultura é amadorismo, governadora.

E mais: é coisa dos seus adversários políticos, a corja escarlate, vide as tentativas do Ministro Hélio Costa em mexer com a Anatel. A senhora, que estuda essas coisas, sabe melhor do que eu: pega mal meter a mão onde a autonomia se instaurou.

Conheço muito pouco a secretária de Cultura, Mônica Leal, filha do saudoso Pedro Américo, lembro apenas que foi minha colega na faculdade de comunicação e soube que foi uma bem votada candidata ao senado. Como estou fora há muito tempo, nem tenho como avaliar suas qualificações. Mas acho que vocês deveriam conversar um pouco. Pelo jeito, parece que o seu governo está apenas brincando com a pasta da Cultura, que exige muita seriedade.

Governadora, a senhora está com a faca e o queijo na mão: quem tirar o Rio Grande do Sul da lama vai governá-lo por muito tempo. É uma oportunidade única. Seja esperta como a senhora sempre foi: não jogue fora o que tem na mão.

Atenciosamente,

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Larry Rohter, sentiremos saudades (2)

Na real, não sentiremos saudades de Larry Rohter, o ex-correspondente do New York Times no Brasil. Ele continua por aqui, como contou na belíssima entrevista que o Estadão deu no domingo passado, mas eu me esqueci de avisar. A leitura é indispensável.

Mais que isso: não vejo a hora de o livro sair.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Pornografia para crianças

Dizem que eu implico com o Lula.

Já disseram mais isso, é verdade: redações e Porto Alegre costumam ser ambientes mais petistas que agências de propaganda e São Paulo.

Mas fato é que eu não implico.

Eu só insisto um pouco quando acho que tenho razão. Inclusive, insistir tem dado certo: geralmente as pessoas acabam percebendo que eu, de fato, tinha razão. E que teriam poupado tempo e, às vezes, até dinheiro, se tivessem me ouvido.

É estatisticamente provável, portanto, que eu esteja certo a respeito do governo Lula. Quando reclamo, é porque acredito que eu estou certo e o Lula, errado.

Se eu implicasse, já teria escrito um post dizendo que o Lula tá a fim de democratizar o acesso das crianças brasileiras à pornografia digital. Isso sim seria implicância.

sábado, 14 de julho de 2007

Pela extinção da CPMF

"Mais uma vez, a solidariedade e a generosidade do povo brasileiro assimilaram a CPMF, um novo custo direto. A CPMF era apenas provisória. Mas, o tempo passou e lá se vão 11 anos desde a sua criação. No ano seguinte ao do surgimento da contribuição, a carga tributária brasileira foi quase de 27% do PIB. Já em 2006, havia crescido e atingido 33,7% do PIB. Ou seja, uma década depois do surgimento da CPMF estamos pagando cerca de mais sete pontos percentuais de impostos sobre o PIB. E não se recebe esse montante, nem de longe, em serviços do Governo."
A Fiesp armou um abaixo-assinado a favor da extinção da CPMF que já conta com 116 mil assinaturas. O trecho acima faz parte do manifesto que o acompanha. Para participar, assine aqui.

Não chega a ser uma Queda da Bastilha, mas vá lá, é algo bem decente a ser feito.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Dia de Sol

Hoje é daqueles dias em que você fica se perguntando por que diabos uma cidade fria e chuvosa como Londres pode ser cheia de praças e parques agradáveis e São Paulo, mais amena e ensolarada, mal tem calçadas.