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terça-feira, 26 de julho de 2011
“Cinco anos hoje, obrigado pela companhia”
Hoje faz cinco anos que eu entrei no Twitter. Data redonda. Jornalistas aprendem a gostar dessas coisas. Meu primeiro impulso é típico de alguém que não gosta de comemorar aniversário: dar uma de blasé e resumir tudo em um único tuíte. Algo como “Cinco anos hoje, obrigado pela companhia”. Mas não vou fazer isso. Porque comecei a fuçar, a lembrar de algumas coisas, a encontrar fragmentos perdidos no Gmail. Acabei achando que valeria a pena escrever essa história. É um tema que uma ou outra pessoa vem pedindo pra eu falar sobre. E, mesmo que pouca gente vá se interessar em ler tudo isto, organizar esses cinco anos é algo que eu estava devendo pra mim mesmo.
A primeira ideia que eu queria derrubar é a de que há algum tipo de pioneirismo em eu ter entrado no Twitter nos primórdios. Na época, eu tinha mania de entrar em qualquer rede social que aparecia pela frente, sem nenhum critério. Eu, como todo mundo, tinha tentado entrar no Facebook quando ele era fechado só para estudantes (não deu). Até hoje minha caixa de spam paga por isso, e provavelmente a de alguns amigos também (então aproveito para, constrangido, pedir desculpas).
Há exatos cinco anos, eu estava lendo a Wired sem compromisso e vi uma materinha que falava sobre o Twitter. Fiz o cadastro e entrei. Sem mistério algum. Nessa época, a Wired já fazia parte da minha vida fazia uma década. Nos anos 90, eu tinha até mesmo editado artigos da Wired em português quando era estagiário da revista de economia Amanhã, que comprara os direitos. Portanto, só reforça: não era nada fora do comum ler a Wired. Era o que todo mundo fazia, e faz até hoje.
Ok, o Twitter me chamou atenção por um conjunto de detalhes: era baseado em SMS e celular, um tema que na época eu considerava importantíssimo – e nisso, ao menos, eu estava certo, mas quem não apostava em celulares em 2006? Como todo mundo, eu tinha lido um pouco antes o Smart Mobs, do Howard Rheingold, e estava absolutamente estimulado pelas possibilidades da mobilidade. Na minha cabeça, o Twitter poderia ser o meu tão sonhado MoSoSo (desculpa pelo link, se eu explicar tudo só acabo amanhã) entre várias operadoras de celular – papel que acabou com Foursquare.
Quando entrei, fiquei tão entusiasmado que, na mesma noite, mandei esse e-mail aqui pra Giu Tatini, que na época estava começando a cuidar de uma recém criada editoria de Comunidades na Capricho. Pouco tempo depois, a editoria se mostrou uma aposta certeira e bem sucedida da Brenda Fucuta, mas suspeito que tenha sido não só pela inovação, mas também pelo clima altamente estimulante da equipe, que contagiava até quem, como eu, era chamado pra trocar ideias. Reparem no horário, mas também em como eu descrevi o Twitter:
From Eduardo Nasi
To Giuliana Tatini
Date 27 July 2006 01:05
Subject: twttr
Já viu isso?
twttr.com, mezzo blog, mezzo site de relacionamento q funciona online mas tb é abastecido por sms. o mais legal é q aceita torpedos do brasil, sim. não sei se vai pegar, mas se vc ajudar, ajuda. :)
beijoooooooooooooo
e.
Eduardo Nasi
MSN Spaces - spaces.msn.com/eduardonasi/
(Percebam também que, na época, como todo mundo, eu também era entusiasmado com o Messenger da Microsoft, e naquela época migrei meu blog pro Spaces.)
Deixa eu explicar o tal twttr.com. O Twitter era tão próximo do mundo dos celulares que tentava emplacar a abreviação TWTTR – na onda do RAZR, do ROKR, do PEBL (pra mim, até hoje o celular mais bonito que eu já tive). Não colou e logo mudaram, mas foi essa sigla que ficou na agenda do meu celular com um número para o qual eu deveria mandar um SMS para postar no Twitter. Isso porque, na época, você não precisava usar o site. Bastava mandar torpedos. Na prática, você recebia os SMSs de quem você seguia. Tudo SMS internacional (e, no começo, minha operadora não distinguia, ou seja, tava no plano, uma belezura). Era absolutamente simples e delicioso. Na prática, o TWTTR funcionava como um hub de torpedos, e em 2006, primórdios da internet móvel por aqui, os torpedos ainda eram absolutamente sexy e, ao mesmo tempo, já tinham se tornado muito baratos.
Aí as coisas começaram a mudar: a operadora começou a cobrar mais caro, o próprio Twitter cortou o envio de SMS internacional e tudo foi mudando. Aliás: o Twitter que eu considerara revolucionário tinha mudado tanto que não era mais o meu Twitter. Qualquer pretensão de pioneirismo que eu pudesse ter acabou nessa época.
O serviço não se popularizou no país a tempo de criar um senso de comunidade, de pertencimento. Ou seja: não tinha quase ninguém lá, e quem estava não postava com muita frequência ou não era muito próximo de mim. Daquela época, lembro da Flavia Durante, do Hector Lima e de um japonês que foi meu primeiro seguidor, persistente por muitos anos, mas depois de um tempo sumiu. Não tinha celebridades nem Follow Friday.
Além disso, não havia mecanismos eficientes de conversa. Lembro vagamente de receber um e-mail do Biz Stone anunciando funções básicas como o de responder e o de hashtags, e mais vagamente ainda de outro dizendo que algumas pessoas haviam criado o RT.
A essas alturas, sem muitos seguidos e seguidores pra compartilhar, passei a tuitar apenas esporadicamente. Foram dois anos assim, olhando de longe, escrevendo raramente, acompanhando os amigos que iam descobrindo a ferramenta.
Até que cheguei à Campus Party de 2009. Ali eu senti que o Twitter havia amadurecido, e que merecia uma nova atenção, que foi o que fiz: entrei na minha conta no EEEPC e comecei a tuitar. Encontrei um Twitter bem diferente, baseado em site e aplicativos. E já com algumas celebridades. Não era um @aplusk, mas eu sou mais o @stephenfry mesmo. O serviço de SMS tinha sido escanteado – imagine como seria hoje receber um torpedo pra cada atualização da timeline e ficará fácil de entender por que a mudança foi fundamental pro crescimento. Mas os campuseiros estavam animadíssimos, tuitando sem parar. E aí sim: a rede estava pronta pra interferir na cultura global.
Twitter retomado, tinha chegado a hora de pôr em prática a ferramenta.
A experiência mais empolgante nessa época foi com o perfil do site de quadrinhos Universo HQ. O Sidney Gusman, editor do site, havia criado o perfil e usava com relativo sucesso na época para tuitar as notícias logo pela manhã. Era uma forma evidente e fácil de ampliar o número de leitores. Numa entrega de prêmio HQ Mix, experimentei pela primeira vez o livestream, eu com o EEEPC plugado num canto do palco e o Sidão com um celular na plateia. Na prática, ninguém sabia direito quem estava fazendo o quê. O perfil ali começou a ganhar duas coisas que viraram uma marca do @universohq: uma personalidade e um ar de mistério. Uns dias depois, assumi a tarefa de fazer o perfil por uma temporada. Foi um barato para experimentar. Acho que minha maior contribuição ali foi a de dar uma personalidade pro perfil, que na minha cabeça sempre foi uma versão nerd do Puck de Sonhos de uma noite de verão, o que naturalmente teve uma leve mudança quando outros colegas assumiram o papel. O @universohq passou a interagir mais com leitores, a atazanar editoras, a divulgar autores. Esse personagem ficou tão dissociado de mim que, enquanto a diretoria de uma editora brigava comigo por fazer matérias que supostamente comprometiam as vendas de um de seus títulos mais caros, o perfil – ou seja, eu – estimulava os leitores a encontrarem o preço mais baixo do título no varejo, retuitando os resultados e incrementando as vendas do álbum. Eu que não ia abrir a boca.
Depois de uns meses, totalmente sem tempo, tive que abrir mão do @universohq, mas fico feliz que os sucessores tenham não só mantido o anonimato, mas também ampliado a mitologia. Além do mais, as coberturas pelo Twitter do HQ Mix se tornaram uma tradição.
Mas a história que até hoje me surpreende quando eu penso nela é a do meu querido amigo Carpinejar. O Fabro hoje tem mais de 100 mil seguidores, mas não queria entrar no Twitter de jeito nenhum. Na época, ele já tinha o hábito de escrever palavras com cabelos na parte de trás da cabeça, mas seu barbeiro ainda não tinha pegado o jeito. Foi escrever PERIGO. Saiu PFRIGO. A Cinthya, sua namorada, decifrou: PFRIGO quer dizer Poeta Frigo, um pseudônimo. Daí criamos, eu e ela, o @pfrigo. Com foto do Fabro. Adicionamos os amigos dele. Começamos a tuitar frases aleatórias tiradas de seus textos. Tudo a contragosto do Fabro, mas com uma saída: enviamos login e senha para o e-mail dele. Se quisesse, poderia assumir o perfil quando quisesse, e continuar dali. Em poucos dias, @pfrigo tinha se transformado em @Carpinejar. Mais uns meses, tinha se tornado livro, personalidade e tudo o mais.
Enquanto essas coisas rolavam em perfis paralelos, o Twitter ia mudando aos poucos a minha vida. O melhor, sem demagogia, juro, foi a troca com leitores e seguidos. Tive um privilégio por estas bandas: pouca incomodação, muita gente legal, inteligente, divertida. Por causa dessas pessoas, li livros, assisti a filmes, ouvi músicas, fui a shows, a peças de teatro, li sobre o mundo, conheci gente bacana... De verdade: aprendi muito, amadureci um pouco, e agradeço a #todososenvolvidos por isso. :)
Os leitores deste blog talvez digam que nem tudo foi exatamente positivo. Já tivemos fases bastante ativas no passado, mas o espaço acabou largado às moscas, mesmo que eu me culpe constantemente por não escrever mais aqui. Mesmo assim, tenho a impressão de que a concisão compulsória do Twitter tenha me tornado mais zeloso pelo texto: por exemplo, estou demorando demais pra escrever este post. Ou talvez tenha feito eu perder o hábito de escrever textos longos, o que é pior. Vai que os leitores preferem mesmo que eu seja menos prolixo.
Curioso que até pelo jantar de hoje eu devo ao Twitter. A tapioca só foi possível porque reencontrei no Twitter uma velha amiga, e ela me deu a massa de mandioca de presente.
Como eu ia dizendo lá no começo, antes de fazer um tratado tão longo que garantiria zero de leitura até o final, jornalistas gostam de datas redondas. Quando eu vivia disso, o motivo era simples: era uma chance de escrever sobre algo que eu gostava ou sentia que devia, mas não caberia na pauta de outra forma. Se fosse festa, eu não estaria comendo tapioca velha que achei na geladeira. Mas faz cinco anos hoje, e eu queria mesmo agradecer pela companhia.
Obrigado, pessoal.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Sinal dos tempos
Vi hoje, aqui na frente de casa, um Chevette velho, todo estropiado, quase se despedaçando.
Mas ele tinha um GPS.
Mas ele tinha um GPS.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
"America Online, Yahoo!, Excite, Netscape, GeoCities, AltaVista, @Home, and Prodigy"
"We established long-term relationships with many important strategic partners, including America Online, Yahoo!, Excite, Netscape, GeoCities, AltaVista, @Home, and Prodigy."
"We are planning to add music to our product offering, and over time we
believe that other products may be prudent investments."
"However, as we’ve long said, online bookselling, and online commerce in general, should prove to be a very large market, and it’s likely that a number of companies will see significant benefit."
Jeff Bezos, na carta aos acionistas da Amazon.com, em 1997.
Para mostrar a evolução da então apenas uma livraria virtual, o fundador da livraria anexou o velho documento à carta deste ano, que celebra, sem dar números, o sucesso do Kindle.
"We are planning to add music to our product offering, and over time we
believe that other products may be prudent investments."
"However, as we’ve long said, online bookselling, and online commerce in general, should prove to be a very large market, and it’s likely that a number of companies will see significant benefit."
Jeff Bezos, na carta aos acionistas da Amazon.com, em 1997.
Para mostrar a evolução da então apenas uma livraria virtual, o fundador da livraria anexou o velho documento à carta deste ano, que celebra, sem dar números, o sucesso do Kindle.
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Coisas que estão acontecendo
Nos últimos dias:
* Quatro pessoas me disseram que ligaram o computador à sua TV. Uma delas assiste a vídeos do Youtube, um depois do outro. Mó tendência.
* Vi na Rebouças uma moça com uma sacolinha de compras do Zaffari de São Paulo. O gaúcho Ricardo Freire (assim até parece que estou escrevendo pra Zero Hora) foi lá e fez um belo relato pro Guia do Estadão. Já eu acho muito louco que alguém vá a um Zaffari em São Paulo. Parece que um amálgama de realidades paralelas. É meio como ir à Estátua da Liberdade de Paris.
* Li o Mais ou menos normal, da Cintia. Esse se passa em Porto Alegre, e as descrições da ficção de materializam em lugares bem reais na minha cabeça. Merece um post maior mais adiante, já podem ir lendo.
* As coisas estão corridas, até porque a vida normal se uniu a uma série de coisas que tenho /tive que produzir / criar / escrever. De quebra, ainda está rolando a Semana de Criação, cujas palestras são na Fecomércio, no outro extremo da cidade. O táxi sai tão caro e o trânsito está tão ruim que, olhando pro céu, fico pensando se financeiramente não compensa alugar um helicóptero.
* Quatro pessoas me disseram que ligaram o computador à sua TV. Uma delas assiste a vídeos do Youtube, um depois do outro. Mó tendência.
* Vi na Rebouças uma moça com uma sacolinha de compras do Zaffari de São Paulo. O gaúcho Ricardo Freire (assim até parece que estou escrevendo pra Zero Hora) foi lá e fez um belo relato pro Guia do Estadão. Já eu acho muito louco que alguém vá a um Zaffari em São Paulo. Parece que um amálgama de realidades paralelas. É meio como ir à Estátua da Liberdade de Paris.
* Li o Mais ou menos normal, da Cintia. Esse se passa em Porto Alegre, e as descrições da ficção de materializam em lugares bem reais na minha cabeça. Merece um post maior mais adiante, já podem ir lendo.
* As coisas estão corridas, até porque a vida normal se uniu a uma série de coisas que tenho /tive que produzir / criar / escrever. De quebra, ainda está rolando a Semana de Criação, cujas palestras são na Fecomércio, no outro extremo da cidade. O táxi sai tão caro e o trânsito está tão ruim que, olhando pro céu, fico pensando se financeiramente não compensa alugar um helicóptero.
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sexta-feira, 4 de abril de 2008
MySpace vira o iTunes da moçada
O My Space anunciou que vai vender música. O MP3 -- sem DRMs -- deve sair em torno de um dólar.
Mas o site aposta que ser chapa do seu artista favorito não tem preço.
Mas o site aposta que ser chapa do seu artista favorito não tem preço.
terça-feira, 1 de abril de 2008
Auto-engano
Quero aproveitar o 1º de abril para desvendar uma pegadinha que venho fazendo comigo mesmo. Já faz uns dias que criei pra mim um del.icio.us e um Netvibes. Fiz não por teimosia, mas justamente o oposto: diante de uma discussão, queria ver se os argumentos do outro eram válidos e se eu poderia ser feliz organizando minha internet.
No Netvibes, achei uns artigos que talvez não tivesse lido de outra forma.
E o del.icio.us me tirou a culpa de deixar coisas para trás.
Tive, por alguns momentos, a sensação de que eu era um self-made Google, e que a organização da web cabia a mim e só a mim.
Aí me caiu a ficha: a internet continua lá fora como sempre foi: caótica, cheia de lixo e com um punhado de coisas bacanas. Encontrá-las depende de se aceitar o caos. Seja o geral. Seja o de feeds do Netvibes.
No Netvibes, achei uns artigos que talvez não tivesse lido de outra forma.
E o del.icio.us me tirou a culpa de deixar coisas para trás.
Tive, por alguns momentos, a sensação de que eu era um self-made Google, e que a organização da web cabia a mim e só a mim.
Aí me caiu a ficha: a internet continua lá fora como sempre foi: caótica, cheia de lixo e com um punhado de coisas bacanas. Encontrá-las depende de se aceitar o caos. Seja o geral. Seja o de feeds do Netvibes.
quarta-feira, 26 de março de 2008
Novo EEE PC
Vem aí a nova geração do Asus EEE PC, o pequeno e adorável notebook superportátil -- e eu tenho um, então digo isso com alguma propriedade e muita satisfação. Segundo Jack Schofield, jornalista do Guardian, a versão 2 do computadorzinho deve vir com touchscreen e talvez até um GPS.
Novas formas de comer
A Economist até deu capa, uns meses atrás, alertando que esta nossa era de comida barata estava chegando ao fim. E o assunto virou manchete nos últimos dias.
Mas, na contramão, o New York Times publica hoje uma deliciosa matéria sobre como comer bem com artigos de lojas de 99 cents. A escolhida é a Jack's, que sim, vende não só comida, mas também tem um andar gourmet (com preços entre US$ 1,99 e US$ 4,99).
De quebra, ainda põe um chef para criar com esses mesmos elementos.
No outro lado do oceano, o Guardian faz uma matéria interessante sobre a chegada da nanotecnologia à cozinha.
Mas, na contramão, o New York Times publica hoje uma deliciosa matéria sobre como comer bem com artigos de lojas de 99 cents. A escolhida é a Jack's, que sim, vende não só comida, mas também tem um andar gourmet (com preços entre US$ 1,99 e US$ 4,99).
De quebra, ainda põe um chef para criar com esses mesmos elementos.
*
No outro lado do oceano, o Guardian faz uma matéria interessante sobre a chegada da nanotecnologia à cozinha.
segunda-feira, 24 de março de 2008
Google x O Mundo - round 669
À sua maneira, o Google ganha dinheiro a custas de conteúdo alheio. A lógica, veja bem, é sutil. Um jornal tem um esforço milionário para produzir uma notícia, publica num site, sustenta uma estrutura monstruosa para vender anúncios e, de repente, perde os míseros centavos que o clique do leitor rende para o Adsense. O lance é sutil e ainda não ficou claro quem ganha mais nessa tal de nova realidade. Tanto que alguns jornais adotam o AdSense como ferramenta de publicidade online para áreas não-comercializadas.
O debate já é comum em congressos de jornalismo. Que eu saiba, o tema é mais candente nos encontros dirigidos aos donos de jornais, embora, na minha cabeça, seria uma área interessante até para os famigerados sindicatos, se tentassem levantar uns trocados para o bolso de seus associados.
Agora, anuncia o New York Tines de hoje, há um novo capítulo na novela mexicana de amor e ódio: uma ferramenta em que o Google se oferece para pesquisar dentro do site de terceiros e, de quebra, joga anúncios da concorrência na página de resultados. Por exemplo: quem procura anúncios de emprego no Washington Post, conta o Times, vê links de AdSense para a agência Monster.com.
A briga, mais uma vez, é boa.
O debate já é comum em congressos de jornalismo. Que eu saiba, o tema é mais candente nos encontros dirigidos aos donos de jornais, embora, na minha cabeça, seria uma área interessante até para os famigerados sindicatos, se tentassem levantar uns trocados para o bolso de seus associados.
Agora, anuncia o New York Tines de hoje, há um novo capítulo na novela mexicana de amor e ódio: uma ferramenta em que o Google se oferece para pesquisar dentro do site de terceiros e, de quebra, joga anúncios da concorrência na página de resultados. Por exemplo: quem procura anúncios de emprego no Washington Post, conta o Times, vê links de AdSense para a agência Monster.com.
A briga, mais uma vez, é boa.
sábado, 15 de março de 2008
Legendas
No Caderno 2 do Estadão de hoje, o Sérgio Augusto escreve sobre a má qualidade das TVs aberta e fechada. Até aí, a rigor, de novo só tem o prazer de ler o texto do Sérgio Augusto mesmo quando o tema é batido.
Mais para o final, ele comenta os erros surreais de tradução e legendagem dos filmes e programas. É um absurdo o que tem de bizarrices.
Não sei a origem do problema, mas fico com a sensação que o boom de TV a cabo e DVDs nos últimos anos acabou sobrecarregando o sistema de tradução brasileiro. Num país pobrinho como o nosso, onde a miséria também está na cabeça das pessoas, fica difícil se produzir de uma hora pra outra hordas de tradutores, que, pra serem bons, precisam de uma formação afiadíssima, mas são pagos como peões de obra.
Numa caixa de seriado em DVD, dessas com seis discos, as legendas são um verdadeiro museu dos erros de português. Tem de tudo. Sujeito separado do verbo por vírgula chega a ser em abundância. "Há tantos dias atrás" é quase norma padrão. Até um "excessão" eu vi outro dia.
É surreal: uma caixa dessas custa, no lançamento, uns R$ 150 no preço de tabela. Não é possível que não dê para passar um corretor ortográfico ou pedir para alguém conferir pra ver se está tudo direitinho.
O pior de tudo é que esse desleixo se dá concomitantemente ao discurso enraivecido dos estúdios contra a maldita pirataria. Aí eu -- que não compro pirata, faço tudo direitinho e não tenho nada a ver com isso -- sou obrigado a ver umas propagandas medonhas antes do meu DVD que, quando começa, revela que nada mais é do que um trabalho porco.
Nessa hora de crise, o papel da economia formal é caprichar. Os estúdios, porém, estão na contramão, descambando. É surreal.
Mais para o final, ele comenta os erros surreais de tradução e legendagem dos filmes e programas. É um absurdo o que tem de bizarrices.
Não sei a origem do problema, mas fico com a sensação que o boom de TV a cabo e DVDs nos últimos anos acabou sobrecarregando o sistema de tradução brasileiro. Num país pobrinho como o nosso, onde a miséria também está na cabeça das pessoas, fica difícil se produzir de uma hora pra outra hordas de tradutores, que, pra serem bons, precisam de uma formação afiadíssima, mas são pagos como peões de obra.
Numa caixa de seriado em DVD, dessas com seis discos, as legendas são um verdadeiro museu dos erros de português. Tem de tudo. Sujeito separado do verbo por vírgula chega a ser em abundância. "Há tantos dias atrás" é quase norma padrão. Até um "excessão" eu vi outro dia.
É surreal: uma caixa dessas custa, no lançamento, uns R$ 150 no preço de tabela. Não é possível que não dê para passar um corretor ortográfico ou pedir para alguém conferir pra ver se está tudo direitinho.
O pior de tudo é que esse desleixo se dá concomitantemente ao discurso enraivecido dos estúdios contra a maldita pirataria. Aí eu -- que não compro pirata, faço tudo direitinho e não tenho nada a ver com isso -- sou obrigado a ver umas propagandas medonhas antes do meu DVD que, quando começa, revela que nada mais é do que um trabalho porco.
Nessa hora de crise, o papel da economia formal é caprichar. Os estúdios, porém, estão na contramão, descambando. É surreal.
sexta-feira, 7 de março de 2008
Cuba
Se fosse esperta, a catrefa rubro-escarlate aproveitaria a saída do Fidel para mudar o discurso sobre Cuba. O país que representa o ideal de vida dos caras é vergonhoso. O papo de que a população de lá é feliz já caiu por terra faz tempo.
Ontem, ganhou mais uma pá de cal -- e, nesse caso, precisa-se de várias pás, porque os seguidores dos Castro são mulas teimosas. É a matéria do New York Times, ótimo relato sobre o submundo em que os cubanos se metem para ter acesso à internet sem censura.
Para quem duvida, há até alguns blogs, com depoimentos de cubanos, para mostrar que a coisa tá ruça. Um dos casos é o Generation Y, de Yolanda Sánchez, "un Blog inspirado en gente como yo, con nombres que comienzan o contienen una 'y griega'. Nacidos en la Cuba de los años 70s y los 80s, marcados por las escuelas al campo, los muñequitos rusos, las salidas ilegales y la frustración. Así que invito especialmente a Yanisleidi, Yoandri, Yusimí, Yuniesky y otros que arrastran sus 'y griegas' a que me lean y me escriban."
Ontem, ganhou mais uma pá de cal -- e, nesse caso, precisa-se de várias pás, porque os seguidores dos Castro são mulas teimosas. É a matéria do New York Times, ótimo relato sobre o submundo em que os cubanos se metem para ter acesso à internet sem censura.
Para quem duvida, há até alguns blogs, com depoimentos de cubanos, para mostrar que a coisa tá ruça. Um dos casos é o Generation Y, de Yolanda Sánchez, "un Blog inspirado en gente como yo, con nombres que comienzan o contienen una 'y griega'. Nacidos en la Cuba de los años 70s y los 80s, marcados por las escuelas al campo, los muñequitos rusos, las salidas ilegales y la frustración. Así que invito especialmente a Yanisleidi, Yoandri, Yusimí, Yuniesky y otros que arrastran sus 'y griegas' a que me lean y me escriban."
quarta-feira, 5 de março de 2008
O livro das citações
"Há tempos parei de tentar criar teorias, pois na internet há teorias suficientes. É mais divertido ler essas teorias do que pensar em uma própria."
Jorge Garcia, o Hurley de Lost, no Estadão do domingo passado.
Acho que ele está falando sobre a série, mas fico com a impressão de que a frase diz muito sobre o mundo em que vivemos.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
É impressão minha ou esses dias de Campus Party serviram pra incrementar a parcela brasileira do Twitter? Tem bastante gente me seguindo.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Quase lá, Saraiva
Há alguns dias, comentei aqui que recebi um e-mail da Saraiva que me dava acesso ao download gratuito do filme Poder além da vida.
Mais interessado no processo que no filme em si, tentei baixá-lo. Falei isso aqui e tive alguns retornos de uns leitores que tinham passado pela mesma experiência -- e fracassado.
No Carnaval, resolvi tentar de novo. O arquivo de 1,3 gigabytes começou a ser baixado ontem, mas o troço demora. A velocidade ficou o tempo todo em torno de 20 kbps -- a banda lenta aqui de casa passava dos 60 kbps ontem.
O resultado é que, pela primeira vez, consegui pelo menos baixar o vídeo até o fim. É um ponto positivo do sistema e um lucro pra Saraiva, já que, no começo, nem conseguia garantir acesso ao site.
Também há outro motivo pra comemorar: o sistema de direitos autorais funciona. Eu tinha até ontem para ver o filme. Era o prazo estipulado. Hoje, já não consigo rodá-lo aqui.
Parece claro que a Saraiva está disposta a ter um sistema de locação online e testou o novo negócio. A primeira tentativa decepcionou um pouco, talvez até por subdimensionar o projeto. Pra uma marca que está sendo reconstruída, pode ser um problema grave, afinal, abalou a confiança de boa parte de seu mailing de clientes. Mas, como ponto positivo, dá para dizer que, pelo menos, a reação aos problemas foi rápida.
Mais interessado no processo que no filme em si, tentei baixá-lo. Falei isso aqui e tive alguns retornos de uns leitores que tinham passado pela mesma experiência -- e fracassado.
No Carnaval, resolvi tentar de novo. O arquivo de 1,3 gigabytes começou a ser baixado ontem, mas o troço demora. A velocidade ficou o tempo todo em torno de 20 kbps -- a banda lenta aqui de casa passava dos 60 kbps ontem.
O resultado é que, pela primeira vez, consegui pelo menos baixar o vídeo até o fim. É um ponto positivo do sistema e um lucro pra Saraiva, já que, no começo, nem conseguia garantir acesso ao site.
Também há outro motivo pra comemorar: o sistema de direitos autorais funciona. Eu tinha até ontem para ver o filme. Era o prazo estipulado. Hoje, já não consigo rodá-lo aqui.
Parece claro que a Saraiva está disposta a ter um sistema de locação online e testou o novo negócio. A primeira tentativa decepcionou um pouco, talvez até por subdimensionar o projeto. Pra uma marca que está sendo reconstruída, pode ser um problema grave, afinal, abalou a confiança de boa parte de seu mailing de clientes. Mas, como ponto positivo, dá para dizer que, pelo menos, a reação aos problemas foi rápida.
sábado, 19 de janeiro de 2008
Download de filme grátis
Recebi um e-mail da Saraiva nesta madrugada. Nele, havia a proposta para que eu baixasse de graça ao filme Poder além da vida. A mensagem me remetia a um link que, enquanto escrevo, está fora do ar. E dizia que tenho até 5 de fevereiro para vê-lo -- depois disso, os direitos expiram.
É uma nítida experiência de locação pela internet. Hmmm...
Tentem vocês também. Se funcionar comigo, depois eu conto como foi.
É uma nítida experiência de locação pela internet. Hmmm...
Tentem vocês também. Se funcionar comigo, depois eu conto como foi.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Imagine (sung to the tune of John Lennon’s “Imagine”)
No seu boletim por Circuits, do New York Times, enviou hoje uma nova versão para Imagine, do John Lennon:
Imagine there’s no Apple,
No products that begin with “i,”
No monthly iPod models,
No Apple stores to get you high.
Imagine all the people
Finding other things to do!
Imagine there’s no bloggers...
It isn’t hard to do!
No viruses or spyware,
No weekly Windows patches, too
Imagine all the people
Learning to get a life...
(You-hoo-hoo!)
Kiss console games goodbye.
No David Pogue or Mossberg
To tell us what to buy.
Imagine all the people
Getting some exercise!
(You-hoo-hoo!)
Imagine there’s no Apple,
No products that begin with “i,”
No monthly iPod models,
No Apple stores to get you high.
Imagine all the people
Finding other things to do!
Imagine there’s no bloggers...
It isn’t hard to do!
No viruses or spyware,
No weekly Windows patches, too
Imagine all the people
Learning to get a life...
(You-hoo-hoo!)
You may say it’d be a nightmareImagine no new cellphones;
Without Google, Mac or Dell
We might have real conversations--
But the world would be dull as hell!
Kiss console games goodbye.
No David Pogue or Mossberg
To tell us what to buy.
Imagine all the people
Getting some exercise!
(You-hoo-hoo!)
You may say that I’m a loony
But rest assured I’m almost done.
I’m pretty sure it’ll never happen
So we nerds can live as one!
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comunicação,
jornalismo,
mobilidade,
música,
tecnologia
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
MacAir
Na boa, vai: usar finura como suposto atributo de inovação em tecnologia é déjà vu desde que a Motorola lançou o Razr.
Melhor sorte na próxima, Steve.
Melhor sorte na próxima, Steve.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Arroz grátis
Viciante e virtuoso, o Free Rice é um site em que você doa um punhado de arroz a pessoas pobres cada vez que acerta o significado de uma palavra. Em inglês, sim.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
TV Digital
Faz uns dois meses, se isso, que assisti a testes da TV Digital, essa mesma que lançam no fim de semana. Confesso que babei: a qualidade é tamanha que deu vontade de esperar pra ver o filme na Tela Quente (com som original, legendas e imagem melhor que a do DVD).
É um troço impressionante. Quando o povo descobrir, sai de baixo. Por um lado, não entendo por que diabos o varejo está reticente e ainda não vende os conversores. Mas, por outro, entendo plenamente: com esse governinho miserento, é difícil.
É um troço impressionante. Quando o povo descobrir, sai de baixo. Por um lado, não entendo por que diabos o varejo está reticente e ainda não vende os conversores. Mas, por outro, entendo plenamente: com esse governinho miserento, é difícil.
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