“Sim. E as séries de televisão aprofundaram nisso. Estou sempre falando das séries com espanto porque as pessoas não se dão conta de que são um retrocesso. A televisão melhorou, claro. Basta comparar Dallas com Breaking Bad. Mas em termos narrativos de imagem e som, o que se tinha conseguido já com documentários e certos filmes era mais rico do que o que estão fazendo nas séries, que são mais uma vez o argumento puro, uma estrutura mecânica e do século XIX, por mais que seja bem feita. As séries nos devolveram o romance do século XIX. É fruto do momento conservador que estamos vivendo. Se arrisca menos”, responde a diretora Lucrecia Martel.
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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
Lucrecia Martel
Vivemos na ditadura do entretenimento?, pergunta o El País.
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Filmes no Netflix
Já faz uns meses que eu fiz uma pequena lista de filmes não-óbvios para se ver no Netflix. Era uma seleção bem simples, mas rendeu bastante. Até hoje, me pedem mais. Mas é aquilo: uma lista dessas só funciona se torna possível depois que se vê bastantes filmes, então leva um tempo pra renovar o estoque de assunto. Até porque a ideia não é recomendar O lobo de Wall Street – é óbvio que é pra ver, não preciso dizer isso pra ninguém. Mas acho que agora tenho um conjunto interessante:
* Dear Mr. Watterson - Bill Watterson, criador de Calvin & Haroldo, é um cartunista recluso. Sempre evitou imprensa. Queria que seu trabalho falasse por si. Este documentário persegue Watterson respeitosamente, indo atrás das informações públicas a respeito dele, sem nunca abordá-lo. (Este ano, Watterson saiu um pouco da toca. Entre outras coisas, deu uma entrevista em áudio pro documentário Stripped. Mas, na boa, Dear Mr. Watterson é melhor.)
* Good Ol'Freda - Freda foi a secretária dos Beatles (e coordenadora do fã-clube) ao longo de toda a carreira da banda. Neste documentário, essa mulher que é uma figura abre seu coração pela primeira vez. É um barato.
* A Thirsty World - Falta água no mundo, não só na Cantareira. Este documentário é sobre isso. Tem muita coisa que eu não sabia. Por exemplo, em 2008, acabou a água de Barcelona.
* Interior. Leather Bar. - Diz a lenda que o filme Cruising, aqui conhecido como Parceiros da Noite, teve 40 minutos de cenas de sexo sadomasô gay cortadas entre sua estreia no Festival de Berlim e sua estreia comercial. James Franco, quem mais?, resolve refilmar esses devassos 40 minutos perdidos em um documentário maravilhoso. Sinceramente? Eu programaria pra ver com uma sessão dupla de Cruising – que não tem no Netflix, mas tem num DVD da Lume.
* Habemus Papam - Uma hora dessas tenho que escrever sobre esse filme do Nanni Moretti pro Eh,Già!. Mas, com um papa como esse picareta do Francisco pagando de diretor de marketing do Vaticano, melhor nem esperar pra ver.
* Carlos - É uma série de TV baseada em fatos reais (mas não muito, porque os fatos disponíveis eram poucos e obscuros) com apenas três episódios sobre um terrorista venezuelano que atacou a OPEP em plenos anos 70. Os três são dirigidos pelo Olivier Assayas (do maravilhoso Depois de Maio). É uma das melhores coisas já produzidas pra TV. É um dos melhores filmes do Netflix. Não tem nada melhor nesta lista.
* Sleeping Beauty - Uma mocinha bonita é paga pra dormir sedada na companhia de homens. Filme adorável. Passou meio batido nos cinemas aqui.
* Terms and conditions may apply - Um documentário fascinante sobre os contratos de uso de sites como o Google e o Facebook (onde esta lista está hospedada) e o quanto nós abrimos nossos dados até mesmo à NSA ao aceitá-los.
* Blackfish - Documentário sobre maltratos a orcas no Sea World – e as mortes de humanos que são decorrentes desses maltratos.
* Tales of the Night - Animação linda, linda, linda. Pra quem tem criança e espera que elas vejam algo decente. Ou pra quem quer ver um filme lindo.
* Dear Mr. Watterson - Bill Watterson, criador de Calvin & Haroldo, é um cartunista recluso. Sempre evitou imprensa. Queria que seu trabalho falasse por si. Este documentário persegue Watterson respeitosamente, indo atrás das informações públicas a respeito dele, sem nunca abordá-lo. (Este ano, Watterson saiu um pouco da toca. Entre outras coisas, deu uma entrevista em áudio pro documentário Stripped. Mas, na boa, Dear Mr. Watterson é melhor.)
* Good Ol'Freda - Freda foi a secretária dos Beatles (e coordenadora do fã-clube) ao longo de toda a carreira da banda. Neste documentário, essa mulher que é uma figura abre seu coração pela primeira vez. É um barato.
* A Thirsty World - Falta água no mundo, não só na Cantareira. Este documentário é sobre isso. Tem muita coisa que eu não sabia. Por exemplo, em 2008, acabou a água de Barcelona.
* Habemus Papam - Uma hora dessas tenho que escrever sobre esse filme do Nanni Moretti pro Eh,Già!. Mas, com um papa como esse picareta do Francisco pagando de diretor de marketing do Vaticano, melhor nem esperar pra ver.
* Carlos - É uma série de TV baseada em fatos reais (mas não muito, porque os fatos disponíveis eram poucos e obscuros) com apenas três episódios sobre um terrorista venezuelano que atacou a OPEP em plenos anos 70. Os três são dirigidos pelo Olivier Assayas (do maravilhoso Depois de Maio). É uma das melhores coisas já produzidas pra TV. É um dos melhores filmes do Netflix. Não tem nada melhor nesta lista.
* Sleeping Beauty - Uma mocinha bonita é paga pra dormir sedada na companhia de homens. Filme adorável. Passou meio batido nos cinemas aqui.
* Terms and conditions may apply - Um documentário fascinante sobre os contratos de uso de sites como o Google e o Facebook (onde esta lista está hospedada) e o quanto nós abrimos nossos dados até mesmo à NSA ao aceitá-los.
* Blackfish - Documentário sobre maltratos a orcas no Sea World – e as mortes de humanos que são decorrentes desses maltratos.
* Tales of the Night - Animação linda, linda, linda. Pra quem tem criança e espera que elas vejam algo decente. Ou pra quem quer ver um filme lindo.
segunda-feira, 7 de março de 2011
Notas sobre Berlin Alexanderplatz

Foi motivado por uns dias que passei em Berlim no fim do ano passado que comecei a ver Berlin Alexanderplatz, a magistral série feita para TV pelo grande diretor alemão Rainer Werner Fassbinder.
Achei que seria difícil de encontrar. Mesmo em Berlim, havia apenas uma caixa - sem legendas em nenhuma língua que servisse pra mim. Nas lojas, vendedores garantiam que não havia nenhuma outra versão em parte alguma do mundo.
Mas há.
Uma delas é a caixa da Criterion, aquele selo americano que lança maravilhas do cinema. Essa é para colecionadores e em quem tem fetiche pela coleção da Criterion. Não é o meu caso.
A surpresa pra mim é que havia esse tempo todo uma edição brasileira, bem mais em conta, pela Versátil. Minha busca inicial por aqui deve ter sido bem displicente, porque não havia encontrado.
Então cá estou eu assistindo a Berlin Alexanderplatz em DVD com legendas em português e a um preço equivalente ao da caixa alemã.
***
Ainda não acabei. Comecei em janeiro e ontem vi o capítulo 11. Não é uma série pra se ver de uma sentada. Tipo Lost, que você assiste a uma temporada em um fim de semana.
Em tese, daria. São 13 episódios e um epílogo, cada um com um pouco mais de uma hora. Total: 15 horas, divididas em seis DVDs -- com extras.
Mas não dá. Acho difícil aguentar. E Berlin Alexanderplatz demanda um tempo pra ser digerido. Porque Fassbinder faz uma obra densa e profundamente reflexiva.
A vida do ex-presidiário Franz Biberkopf na Berlin da década de 1920 é sofrida. E doída. Bieberkopf tenta se reeguer. Não consegue. Se filia a todo tipo de canalha, de nazistas a assaltantes. Não consegue.
As relações de Bieberkopf com as mulheres é penosa. Intensas e violentas. Só roubada, diria o outro.
***
Outro dia, assistindo apenas ao episódio 9, tuitei umas frases da série. Busquei lá, colo aqui:
"Às vezes a vida é curta demais pra eternidade dos sofrimentos."
"Acho isso estranho. Que se possa falar a favor e contra uma coisa ao mesmo tempo."
"Não viu que não tenho um braço? Esse é o preço que paguei por trabalhar."
"Os socialistas não conquistaram o poder político. Foi o poder político que conquistou os socialistas."
***
Em termos de série: Berlin Alexanderplatz está entre as melhores que já vi. Brigando com Twin Peaks.
O Franz Bieberkopf de Günter Lamprecht me lembra Tony Soprano, até fisicamente, pela opulência.
Pra alguém aí, outro dia, defini que Berlin Alexanderplatz é como se fosse Sopranos ou Mad Men, mas só com as melhores cenas.
***
Saiu em português o livro que serviu de base para Fassbinder, de Alfred Döblin. Pela Martins Fontes. Fiquei curioso.
***
Também me perguntam sobre Berlin Alexanderplatz em si, a real, a de verdade. Que é uma praça bastante central em Berlim.
Há várias imagens dela aqui no Google.
Há uma estação de trem e acesso às duas redes de metrô da cidade - U-Bahn e S-Bahn, uma atendia à antiga Berlim Oriental e outra à Ocidental.
Há uma série de magazines e um shopping center, além de pequenas lojas e uns vendedores ambulantes.
Há a antena de TV que, na falta de outros cartões postais, ganha destaque no horizonte de Berlim.
E é uma ligação entre dois pontos centrais dessa cidade que foi dividida por décadas: o bairro de Mitte, cool e tal, que os guias hão de descrever como "de vida noturna agitada", e os lados da Ilha dos Museus e da avenida sofisticada Unter den Linden.
Tudo isso em volta de um imenso de piso de laje, com pouco verde e poucas árvores.
É na crueza espartana que as duas Berlin Alexanderplatz, a série e a praça, se unem.
domingo, 10 de agosto de 2008
terça-feira, 6 de maio de 2008
Coisas que estão acontecendo
* Geralmente eu odeio animações digitais, mas Bee Movie se supera. É chato pra caramba.
* Estou pensando em fazer uma viagem maluca. Vamos ver.
* Fico emocionado ao ver o cartaz do novo Indiana Jones quando vou ao cinema. A sensação não é de nostalgia, e sim de esperança.
* Mas na real eu quero mesmo é que lancem a caixa do Jovem Indiana Jones em DVD. Está entre as cinco melhores séries ever (com Família Addams, A Feiticeira, Minha Vida de Cão e Twin Peaks, oras). Mas necas. Nem de pré-venda.
* Estou pensando em fazer uma viagem maluca. Vamos ver.
* Fico emocionado ao ver o cartaz do novo Indiana Jones quando vou ao cinema. A sensação não é de nostalgia, e sim de esperança.
* Mas na real eu quero mesmo é que lancem a caixa do Jovem Indiana Jones em DVD. Está entre as cinco melhores séries ever (com Família Addams, A Feiticeira, Minha Vida de Cão e Twin Peaks, oras). Mas necas. Nem de pré-venda.
terça-feira, 1 de abril de 2008
Comida em tempo de guerra

Jamie Oliver, o Orlando Silva dos chefs, quer comprar uma briga: ele pretende sugerir que a população passe a viver como se estivesse em guerra. Ou seja: que coma em casa, que poupe comida, que cultive o que vai comer no jardim.
A proposta é o mote de um novo programa do mestre cuca e apresentador que foi anunciado pelo Channel 4 nesta semana -- e repercutiu um monte, inclusive no Guardian.
Se pega, sei lá. Mas é bom lembrar que os ingleses amam os orgânicos, os smoothies da Innocent (e não sem razão), os sanduíches da EAT e todas essas coisas verdes.
sábado, 15 de março de 2008
Legendas
No Caderno 2 do Estadão de hoje, o Sérgio Augusto escreve sobre a má qualidade das TVs aberta e fechada. Até aí, a rigor, de novo só tem o prazer de ler o texto do Sérgio Augusto mesmo quando o tema é batido.
Mais para o final, ele comenta os erros surreais de tradução e legendagem dos filmes e programas. É um absurdo o que tem de bizarrices.
Não sei a origem do problema, mas fico com a sensação que o boom de TV a cabo e DVDs nos últimos anos acabou sobrecarregando o sistema de tradução brasileiro. Num país pobrinho como o nosso, onde a miséria também está na cabeça das pessoas, fica difícil se produzir de uma hora pra outra hordas de tradutores, que, pra serem bons, precisam de uma formação afiadíssima, mas são pagos como peões de obra.
Numa caixa de seriado em DVD, dessas com seis discos, as legendas são um verdadeiro museu dos erros de português. Tem de tudo. Sujeito separado do verbo por vírgula chega a ser em abundância. "Há tantos dias atrás" é quase norma padrão. Até um "excessão" eu vi outro dia.
É surreal: uma caixa dessas custa, no lançamento, uns R$ 150 no preço de tabela. Não é possível que não dê para passar um corretor ortográfico ou pedir para alguém conferir pra ver se está tudo direitinho.
O pior de tudo é que esse desleixo se dá concomitantemente ao discurso enraivecido dos estúdios contra a maldita pirataria. Aí eu -- que não compro pirata, faço tudo direitinho e não tenho nada a ver com isso -- sou obrigado a ver umas propagandas medonhas antes do meu DVD que, quando começa, revela que nada mais é do que um trabalho porco.
Nessa hora de crise, o papel da economia formal é caprichar. Os estúdios, porém, estão na contramão, descambando. É surreal.
Mais para o final, ele comenta os erros surreais de tradução e legendagem dos filmes e programas. É um absurdo o que tem de bizarrices.
Não sei a origem do problema, mas fico com a sensação que o boom de TV a cabo e DVDs nos últimos anos acabou sobrecarregando o sistema de tradução brasileiro. Num país pobrinho como o nosso, onde a miséria também está na cabeça das pessoas, fica difícil se produzir de uma hora pra outra hordas de tradutores, que, pra serem bons, precisam de uma formação afiadíssima, mas são pagos como peões de obra.
Numa caixa de seriado em DVD, dessas com seis discos, as legendas são um verdadeiro museu dos erros de português. Tem de tudo. Sujeito separado do verbo por vírgula chega a ser em abundância. "Há tantos dias atrás" é quase norma padrão. Até um "excessão" eu vi outro dia.
É surreal: uma caixa dessas custa, no lançamento, uns R$ 150 no preço de tabela. Não é possível que não dê para passar um corretor ortográfico ou pedir para alguém conferir pra ver se está tudo direitinho.
O pior de tudo é que esse desleixo se dá concomitantemente ao discurso enraivecido dos estúdios contra a maldita pirataria. Aí eu -- que não compro pirata, faço tudo direitinho e não tenho nada a ver com isso -- sou obrigado a ver umas propagandas medonhas antes do meu DVD que, quando começa, revela que nada mais é do que um trabalho porco.
Nessa hora de crise, o papel da economia formal é caprichar. Os estúdios, porém, estão na contramão, descambando. É surreal.
quarta-feira, 5 de março de 2008
O livro das citações
"Há tempos parei de tentar criar teorias, pois na internet há teorias suficientes. É mais divertido ler essas teorias do que pensar em uma própria."
Jorge Garcia, o Hurley de Lost, no Estadão do domingo passado.
Acho que ele está falando sobre a série, mas fico com a impressão de que a frase diz muito sobre o mundo em que vivemos.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Twin Peaks: Gold Box, os dois livros e o convite de Lynch
Vi alucinadamente neste ano em DVDs alugados de Twin Peaks. Foi um troço fascinante e perturbador, ainda mais porque dias depois acabei numa pequena cidadezinha do interior muito, mas muito parecida com Twin Peaks -- tanto que, ainda no aeroporto, cruzei com um homem sem braço!Em seguida, comprei o livro da Laura Palmer, que ainda está em catálogo, provavelmente com poucos exemplares remanescentes à disposição de uma edição da época em que a série passou na Globo. O livro, que estou lendo, é doentio.
O do Dale Cooper foi ainda mais difícil -- recorri à Estante Virtual, que congrega sebos do Brasil inteiro. Sorry, só tinha um, que já foi.
Aí, um dia, fazendo umas pesquisas a respeito da série, achei um site que falava da nova edição da série, uma caixa única com tratamento superespecial que ia sair nos Estados Unidos em novembro.
Saiu.
E saiu aqui também.
Desde ontem, por conta do seu aniversário, a Jeanne é a feliz proprietária de uma Twin Peaks Gold Box Edition. Mas eu vou filar uns episódios. Tem todos os episódios, comentários, o Saturday Night Life especial Agent Cooper e o escambau. Só não tem o longa, mas ouvi falar que ele está na fila pra sair.
Outro dia, repensando tudo isso num café, me dei conta de que David Lynch fala do inconsciente em seus filmes. E que Twin Peaks é o convite de entrada global e coletivo, feito na TV aberta da era da proto-internet. O tempo todo, a série sussura em seu ouvido: "não seja como Laura, não tema seu inconsciente, deixe-se levar por ele, aceite-o, BOB só machuca quem não o vê como monstro".
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
TV Digital
Faz uns dois meses, se isso, que assisti a testes da TV Digital, essa mesma que lançam no fim de semana. Confesso que babei: a qualidade é tamanha que deu vontade de esperar pra ver o filme na Tela Quente (com som original, legendas e imagem melhor que a do DVD).
É um troço impressionante. Quando o povo descobrir, sai de baixo. Por um lado, não entendo por que diabos o varejo está reticente e ainda não vende os conversores. Mas, por outro, entendo plenamente: com esse governinho miserento, é difícil.
É um troço impressionante. Quando o povo descobrir, sai de baixo. Por um lado, não entendo por que diabos o varejo está reticente e ainda não vende os conversores. Mas, por outro, entendo plenamente: com esse governinho miserento, é difícil.
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Aliens in America
Pára tudo!
A estréia de Aliens in America é uma das mais promissoras que as séries de TV norte-americanas nos mostram em anos. A história não tem nada a ver com ETs. Ou tem: o ET no caso é Raja, um intercambista paquistanês que vai passar um ano na casa de uma família dos subúrbios norte-americanos para conviver com o jovem loser Justin.
O primeiro episódio lembra até o monumental Anos Incríveis -- é, de cara, são leve e divertido, mas deixa uma gigantesca brecha para chafurdar em tudo o que é importante.
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Wired Science
A Wired é foda porque quase todo mês eu penso "Ok, chega, já deu, tá batida" pra, em seguida, ela vir com um punhado de matérias que realmente fazem a diferença.
E hoje a revista virou um programa de TV. Hoje mesmo. A estréia recém rolou.
Meu fastio amigo já veio me dizendo: "Lá vem mais um enfadonho Mundo de Beakman para adultos". Mas os filhos da mãe me ganharam logo no primeiro bloco, com o ensaio de ciberguerra que rolou na superconectada Estônia.
Daí pra frente vai que é uma beleza.
E hoje a revista virou um programa de TV. Hoje mesmo. A estréia recém rolou.
Meu fastio amigo já veio me dizendo: "Lá vem mais um enfadonho Mundo de Beakman para adultos". Mas os filhos da mãe me ganharam logo no primeiro bloco, com o ensaio de ciberguerra que rolou na superconectada Estônia.
Daí pra frente vai que é uma beleza.
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terça-feira, 17 de julho de 2007
E viva Marvel Max!
Olha que curioso.
Diz que a TV Cultura passou no domingo, ali pelas 21h, um teleteatro do Mário Bortolotto: Billy, A Garota. Tinha, lá pelas tantas, umas cenas de strip tease, suicídio, essas coisas.
Mas TV, mesmo estatal, teria que cumprir a tal da classificação indicativa, que é um troço pra lá de polêmico, ainda mais quando o alvo é um trabalho sério como o do Marião.
E deu que a Fundação Padre Anchieta acabou divulgando uma nota pedindo desculpas por exibir teatro na TV, o que é de uma bizarrice medonha.
Saia justa e tal, constrangimento provável entre as partes e tal.
E aí sai o foco deste post, que é a matéria que saiu na Folha Online. Leiam lá no final a citação de um tal Marc Guggenheim, que o texto não diz quem é, mas que o jornalista dá a entender que seria uma citação anti-censura.
Na verdade, Marc Guggenheim é o autor de Hipérion vs. Falcão Noturno, uma minissérie que começou neste mês na revista Marvel Max -- por sinal, em ótima fase, bastante recomendável.
Guggenheim usa a HQ para denunciar a violência brutal contra os não-muçulmanos em Darfur, no Sudão, que já teria matado aproximadamente 400 mil pessoas, e tem apoio não-declarado mas exaustivamente comprovado do governo.
Daí a citação:
"A humanidade demonstrou uma capacidade histórica para a brutalidade. Mas não sem razão. Os Janjaweed usam o medo como arma, como forma de controlar a população. Quanto mais primitivo o medo, mais eficiente o controle. E quanto mais impensáveis as atrocidades, mais primitivo o medo".
A especulação do repórter não ficou tenebrosa?
Diz que a TV Cultura passou no domingo, ali pelas 21h, um teleteatro do Mário Bortolotto: Billy, A Garota. Tinha, lá pelas tantas, umas cenas de strip tease, suicídio, essas coisas.
Mas TV, mesmo estatal, teria que cumprir a tal da classificação indicativa, que é um troço pra lá de polêmico, ainda mais quando o alvo é um trabalho sério como o do Marião.
E deu que a Fundação Padre Anchieta acabou divulgando uma nota pedindo desculpas por exibir teatro na TV, o que é de uma bizarrice medonha.
Saia justa e tal, constrangimento provável entre as partes e tal.
E aí sai o foco deste post, que é a matéria que saiu na Folha Online. Leiam lá no final a citação de um tal Marc Guggenheim, que o texto não diz quem é, mas que o jornalista dá a entender que seria uma citação anti-censura.
Na verdade, Marc Guggenheim é o autor de Hipérion vs. Falcão Noturno, uma minissérie que começou neste mês na revista Marvel Max -- por sinal, em ótima fase, bastante recomendável.
Guggenheim usa a HQ para denunciar a violência brutal contra os não-muçulmanos em Darfur, no Sudão, que já teria matado aproximadamente 400 mil pessoas, e tem apoio não-declarado mas exaustivamente comprovado do governo.
Daí a citação:
"A humanidade demonstrou uma capacidade histórica para a brutalidade. Mas não sem razão. Os Janjaweed usam o medo como arma, como forma de controlar a população. Quanto mais primitivo o medo, mais eficiente o controle. E quanto mais impensáveis as atrocidades, mais primitivo o medo".
A especulação do repórter não ficou tenebrosa?
sexta-feira, 1 de junho de 2007
Final de Smallville
No mesmo esquema de Heroes e Lost, deixem-me comentar aqui o episódio de fim de temporada de Smallville. É um fato que a série vem ladeira abaixo, numa fase de decadência plena. Mas há esperanças no horizonte.
Para continuar lendo, selecione o texto em branco.
Smallville ficou uma porcaria, e isso já faz um tempo. Não estava tão ruim desde o começo, bem fraquinho. Vi a sexta temporada toda por teimosia. Mas a série costuma crescer em seus desfechos. A regra se confirmou mais uma vez. Depois de episódios lamentáveis, Smallville se recuperou. Ver o Caçador de Marte e Lionel Luthor como agentes de Jor-El lembra o melhor da melhor temporada da série, a quarta.
Pelo jeito, os produtores entenderam que estavam com um pepino na mão. E fizeram como naquela novela em que um terremoto matou metade do elenco. Se quiserem, voltam no fim deste ano com uma série completamente diferente. Há margem para voltar atrás, claro -- salvar Lana, Chloe, trazer a senadora Kent de volta e deixar a cidadezinha como sempre foi. Mas não tem porque fazer isso. Mas não precisa. Smallville poucas vezes esteve perto de uma renovação tão grande. E precisa mesmo dar uma sacudida.
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Final de Heroes, final de Lost
Heroes e Lost chegaram ao fim de suas temporadas na semana passada. Para não estragar as surpresas de quem não viu, o resto do texto vai em branco. Para ler, com spoilers moderados, basta selecionar os textos.
Heroes - Depois de uma belíssima temporada de estréia, Heroes tem um final muito fraco. Os produtores construíram o suspense da série a partir do futuro dos personagens. Havia duas possibilidades: ou Nova York explodia e o mal dominava, ou Hiro salvava o mundo. A devastação nuclear seria bacana, mas nada indicava que ela poderia rolar de fato. Ou seja: sabia-se que Hiro derrotaria Sylar. E o desafio, portanto, era fazê-lo de uma forma empolgante.
Não foi o que rolou. O combate final chega a ser tosco. Entediante. E ainda vai contra o próprio roteiro, que mostrou Hiro treinando combate com seu pai. Dava pra ter feito uma lutinha empolgante e coreografada, mas nem isso.
Como num romance, uma série tem que ser mais empolgante no desenvolvimento do que no final. Mas um desfecho desses é arriscado: quando a segunda temporada começar, os espectadores vão lembrar que o fim foi fraco. Resta saber se as boas audiências se manterão depois da decepção.
Lost - Ao contrário de Heroes, Lost acaba muito bem. Em vez de mostrar o passado dos personagens, o tradicional episódio de duas horas apostou no futuro. Jack fora da ilha, tentando tocar a vida, é mais do que uma boa sacada narrativa. Ajuda a responder perguntas que o público demandava: sim, eles estão vivos, sim, eles serão salvos em algum momento.
Na ilha em si, o clima é tenso. E, pelo visto, os Outros serão substituídos pelo Dharma em si. A partir da próxima temporada, as descobertas do ARG Lost Experience devem começar a rolar pra valer. Só não ficou explicado, por enquanto, o como e o porquê de o Dharma mandar suprimentos para uma ilha de que foram expulsos e cuja localização era desconhecida.
Lost tem mais três temporadas de 16 episódios pela frente. A quarta deve dar uma quebrada no jogo. Provavelmente será um bom ponto de partida para atrair novos espectadores -- e principalmente aqueles que abandonaram a série em algum ponto.
Heroes - Depois de uma belíssima temporada de estréia, Heroes tem um final muito fraco. Os produtores construíram o suspense da série a partir do futuro dos personagens. Havia duas possibilidades: ou Nova York explodia e o mal dominava, ou Hiro salvava o mundo. A devastação nuclear seria bacana, mas nada indicava que ela poderia rolar de fato. Ou seja: sabia-se que Hiro derrotaria Sylar. E o desafio, portanto, era fazê-lo de uma forma empolgante.
Não foi o que rolou. O combate final chega a ser tosco. Entediante. E ainda vai contra o próprio roteiro, que mostrou Hiro treinando combate com seu pai. Dava pra ter feito uma lutinha empolgante e coreografada, mas nem isso.
Como num romance, uma série tem que ser mais empolgante no desenvolvimento do que no final. Mas um desfecho desses é arriscado: quando a segunda temporada começar, os espectadores vão lembrar que o fim foi fraco. Resta saber se as boas audiências se manterão depois da decepção.
Lost - Ao contrário de Heroes, Lost acaba muito bem. Em vez de mostrar o passado dos personagens, o tradicional episódio de duas horas apostou no futuro. Jack fora da ilha, tentando tocar a vida, é mais do que uma boa sacada narrativa. Ajuda a responder perguntas que o público demandava: sim, eles estão vivos, sim, eles serão salvos em algum momento.
Na ilha em si, o clima é tenso. E, pelo visto, os Outros serão substituídos pelo Dharma em si. A partir da próxima temporada, as descobertas do ARG Lost Experience devem começar a rolar pra valer. Só não ficou explicado, por enquanto, o como e o porquê de o Dharma mandar suprimentos para uma ilha de que foram expulsos e cuja localização era desconhecida.
Lost tem mais três temporadas de 16 episódios pela frente. A quarta deve dar uma quebrada no jogo. Provavelmente será um bom ponto de partida para atrair novos espectadores -- e principalmente aqueles que abandonaram a série em algum ponto.
sábado, 26 de maio de 2007
terça-feira, 1 de maio de 2007
Minisodes -- quanto tempo você perdeu?
A Sony resolveu mexer nas gavetas e reeditar episódios das Panteras e outros seriados antigos. Depois da lipoaspiração, os episódios vão caber em seis minutos. São os minisodes.
“Então: nas Panteras, elas vão fazer uma reunião, o Charlie vai passar a missão pelo comunicador, vai ter um punhado de brigas, uma perseguição e então elas pegam o bandido. E então elas voltam pra casa e amarram tudo", disse ao New York Times o presidente da Sony Television, Steve Mosko.
Primeiro, os filmes vão passar dentro do MySpace. Depois, pode rolar uma Minisode Network.
Os minisodes são filhos bastardos do YouTube. Aliás, a inspiração veio do Seven Minutes Sopranos, uma versão reduzida da série de 77 horas da HBO.
Também são um prato cheio para os defensores da Snack Culture, termo brilhante cunhado pela Wired mais importante dos últimos anos (e que é genialmente contestado na mesmíssima edição).
“Então: nas Panteras, elas vão fazer uma reunião, o Charlie vai passar a missão pelo comunicador, vai ter um punhado de brigas, uma perseguição e então elas pegam o bandido. E então elas voltam pra casa e amarram tudo", disse ao New York Times o presidente da Sony Television, Steve Mosko.
Primeiro, os filmes vão passar dentro do MySpace. Depois, pode rolar uma Minisode Network.
Os minisodes são filhos bastardos do YouTube. Aliás, a inspiração veio do Seven Minutes Sopranos, uma versão reduzida da série de 77 horas da HBO.
Também são um prato cheio para os defensores da Snack Culture, termo brilhante cunhado pela Wired mais importante dos últimos anos (e que é genialmente contestado na mesmíssima edição).
segunda-feira, 23 de abril de 2007
Primeira efeméride
Dia 19, os Simpsons completaram 20 anos. A família vem da época pré-internet, pré-YouTube, em que as revistas importadas ainda eram caras e pouco acessíveis. Mas a contaminação, dentro dos limites possíveis naqueles dias, foi impressionante.
A série começou como uma série de vinhetas em the Tracey Ullman Show -- que estão disponíveis no box da primeira temporada, em traços ainda mais toscos que aqueles que marcaram a série de Matt Groening em seus anos iniciais.
Quando cheguei nos Estados Unidos, em dezembro de 1989, vi as lojas tomadas pelos Simpsons. Eu não sabia o que era aquilo -- mas aqueles bichos amarelos estavam em capas de revistas, brinquedos e até num telefone na forma do Bart tosco que até hoje me arrependo de não ter comprado.
Em março de 1990, Os Simpsons estrearam na Globo. Foi quando entendi o que era a febre amarela. Também fui contaminado. Agora, passados 20 anos, falta pouco para a estréia do longa.
A série começou como uma série de vinhetas em the Tracey Ullman Show -- que estão disponíveis no box da primeira temporada, em traços ainda mais toscos que aqueles que marcaram a série de Matt Groening em seus anos iniciais.
Quando cheguei nos Estados Unidos, em dezembro de 1989, vi as lojas tomadas pelos Simpsons. Eu não sabia o que era aquilo -- mas aqueles bichos amarelos estavam em capas de revistas, brinquedos e até num telefone na forma do Bart tosco que até hoje me arrependo de não ter comprado.
Em março de 1990, Os Simpsons estrearam na Globo. Foi quando entendi o que era a febre amarela. Também fui contaminado. Agora, passados 20 anos, falta pouco para a estréia do longa.
quinta-feira, 19 de abril de 2007
Desperate Housewives e a lógica das séries
Ontem à noite, com anos de atraso, acabamos de assistir à primeira temporada de Desperate Housewives, série que é volta e meia apontada como uma dessas que valoriza o roteiro e torna a TV norte-americana mais interessante que o cinema de Hollywood (visão que eu acho meio boba: há bons filmes e boas séries cercadas de muito lixo, como é típico de qualquer país do mundo).
Desperate Housewives não escapa à regra de criar uma trama que serve de metáfora para o que seus espectadores estão vivendo. Lost é sobre pessoas que escondem segredos -- e todo mundo esconde alguma coisa. Heroes é sobre um sujeito qualquer ficar especial -- e, na era do YouTube, os 15 minutos de fama dependem apenas de fazer o vídeo certo. (Já escrevi sobre isso num outro artigo, publicado no site Pop Balões.)
Desperate Housewives é sobre os medos que as mulheres de classe média sentem. Mas já falo sobre isso.
O segredo dessas séries parece ser a união entre pesquisa e roteiro na medida certa. A pesquisa chega a um insight devastador sobre o que se passa na cabeça da audiência. O roteiro transforma o insight em um programa que vale a pena ser visto, mas sem ignorar as motivações do público.
Já escrevi por aí minha hipótese de que Lost não perdeu audiência na terceira temporada porque ficou complexa ou porque não resolvia seus mistérios, e sim porque a série começou a mostrar gente sendo punida sem motivo algum. Quando um pecador sofre, o público sabe decodificar o motivo do sofrimento. O castigo divino é basilar na cultura mundial. Quando um herói sofre por uma causa, vira mártir. Quando um sujeito comum é torturado sem motivo algum, esse elo se rompe. E as pessoas começam a ver uma grande injustiça -- e ninguém se planeja para assistir a uma injustiça na quarta às 21h. Injustiças não são um programa imperdível.
Desperate Housewives é baseada em uma segmentação de público. São quatro mulheres de subúrbio, cada uma representando um perfil. Bree é a WASP anal retentiva. Susan Meyer é a bobinha. Lynette é a dona de casa. Gabrielle é a bonitona esperta. A primeira temporada é assim: Edie não está elencada entre as protagonistas, o que, pelo que entendi, muda a partir da segunda.
Edie, dentre as Donas de Casa Desesperadas, é a única que não é uma mulher de verdade, ou seja, não tem uma correspondência na vida real. Fora da TV, a mulher sexy seria a latina Gabrielle. Ser vadia nunca é um perfil, apenas um ponto de vista de um interlocutor. Ninguém se acha vadia. Edie é apenas um dos medos das mulheres -- e em especial da bobinha Susan.
Há outros medos. Bree, WASP e ainda por cima republicana, tem um filho gay, um marido sadomasoquista que é pego com prostitutas e perdeu o controle da situação. Susan tem uma filha mais esperta e madura que ela mesma. Quando encontra o homem perfeito, descobre que ele é assassino e traficante de drogas. Lynette abriu mão da carreira pelos filhos, tem um marido bobo e certinho, mas, por ficar feia, suja e desajeitada, não tem auto-confiança a ponto de acreditar que ele não está com outra. Gabrielle conseguiu subir na vida, mas perde tudo porque o marido fazia falcatruas em sua vida profissional.
Para Desperate Housewives, o grande medo de seu público é descobrir que as pessoas próximas têm uma vida paralela. É natural se a gente pensa nos terroristas de 11 de Setembro, que até o dia 10 eram vizinhos amáveis e bons colegas. O clima de desconfiança norte-americano ajuda, mas funciona até mesmo no Brasil. Não só porque as pessoas traem no escritório, mas porque seu vizinho pode ser um traficante de drogas ou seu colega de aula, de repente, está pegando a garota de quem você está a fim.
O mistério da morte de Mary Alice Young é potencialização máxima disso: um até pouco tempo pacato vizinho que de repente surge com um segredo realmente cabuloso.
Mesmo sem ver a segunda temporada, e sem nenhuma pista sobre ela, eu já diria que um dos fatores que fez com que ela fosse considerada mais fraca é a alteração do jogo de medos. Se, por um lado, a série precisa se renovar, por outro uma mexida substancial é complicada de ser feita quando se acertou o rumo.
Desperate Housewives não escapa à regra de criar uma trama que serve de metáfora para o que seus espectadores estão vivendo. Lost é sobre pessoas que escondem segredos -- e todo mundo esconde alguma coisa. Heroes é sobre um sujeito qualquer ficar especial -- e, na era do YouTube, os 15 minutos de fama dependem apenas de fazer o vídeo certo. (Já escrevi sobre isso num outro artigo, publicado no site Pop Balões.)
Desperate Housewives é sobre os medos que as mulheres de classe média sentem. Mas já falo sobre isso.
O segredo dessas séries parece ser a união entre pesquisa e roteiro na medida certa. A pesquisa chega a um insight devastador sobre o que se passa na cabeça da audiência. O roteiro transforma o insight em um programa que vale a pena ser visto, mas sem ignorar as motivações do público.
Já escrevi por aí minha hipótese de que Lost não perdeu audiência na terceira temporada porque ficou complexa ou porque não resolvia seus mistérios, e sim porque a série começou a mostrar gente sendo punida sem motivo algum. Quando um pecador sofre, o público sabe decodificar o motivo do sofrimento. O castigo divino é basilar na cultura mundial. Quando um herói sofre por uma causa, vira mártir. Quando um sujeito comum é torturado sem motivo algum, esse elo se rompe. E as pessoas começam a ver uma grande injustiça -- e ninguém se planeja para assistir a uma injustiça na quarta às 21h. Injustiças não são um programa imperdível.
Desperate Housewives é baseada em uma segmentação de público. São quatro mulheres de subúrbio, cada uma representando um perfil. Bree é a WASP anal retentiva. Susan Meyer é a bobinha. Lynette é a dona de casa. Gabrielle é a bonitona esperta. A primeira temporada é assim: Edie não está elencada entre as protagonistas, o que, pelo que entendi, muda a partir da segunda.
Edie, dentre as Donas de Casa Desesperadas, é a única que não é uma mulher de verdade, ou seja, não tem uma correspondência na vida real. Fora da TV, a mulher sexy seria a latina Gabrielle. Ser vadia nunca é um perfil, apenas um ponto de vista de um interlocutor. Ninguém se acha vadia. Edie é apenas um dos medos das mulheres -- e em especial da bobinha Susan.
Há outros medos. Bree, WASP e ainda por cima republicana, tem um filho gay, um marido sadomasoquista que é pego com prostitutas e perdeu o controle da situação. Susan tem uma filha mais esperta e madura que ela mesma. Quando encontra o homem perfeito, descobre que ele é assassino e traficante de drogas. Lynette abriu mão da carreira pelos filhos, tem um marido bobo e certinho, mas, por ficar feia, suja e desajeitada, não tem auto-confiança a ponto de acreditar que ele não está com outra. Gabrielle conseguiu subir na vida, mas perde tudo porque o marido fazia falcatruas em sua vida profissional.
Para Desperate Housewives, o grande medo de seu público é descobrir que as pessoas próximas têm uma vida paralela. É natural se a gente pensa nos terroristas de 11 de Setembro, que até o dia 10 eram vizinhos amáveis e bons colegas. O clima de desconfiança norte-americano ajuda, mas funciona até mesmo no Brasil. Não só porque as pessoas traem no escritório, mas porque seu vizinho pode ser um traficante de drogas ou seu colega de aula, de repente, está pegando a garota de quem você está a fim.
O mistério da morte de Mary Alice Young é potencialização máxima disso: um até pouco tempo pacato vizinho que de repente surge com um segredo realmente cabuloso.
Mesmo sem ver a segunda temporada, e sem nenhuma pista sobre ela, eu já diria que um dos fatores que fez com que ela fosse considerada mais fraca é a alteração do jogo de medos. Se, por um lado, a série precisa se renovar, por outro uma mexida substancial é complicada de ser feita quando se acertou o rumo.
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segunda-feira, 9 de abril de 2007
Restou do feriado
Macanudo 2 - Segundo livro da série do Liniers, incrível como sempre. Liniers é um gênio, não adianta. É questão de tempo pra ele ser famoso no mundo todo.
Desperate Houvewives - Primeiro disco da série, que a Jeanne alugou por conta de um trabalho. Mas é bem envolvente e promete. Portanto, continuaremos a ver.
Os Infiltrados - Belo filme do Scorsese, hein? E como é bom ver o Jack Nicholson sem interpretar ele mesmo.
Lost, 3ª temporada - Depois de um episódio sensacional, vieram dois episódios mais ou menos. Mas ainda é o melhor jogo que a TV pode oferecer.
Pollock - É um dos meus artistas favoritos, mas eu ainda não tinha visto. Pra uma cinebiografia, começa bem e foge do tom acelerado de documentário ficcional. Mas logo a coisa muda. E acaba mal.
Desperate Houvewives - Primeiro disco da série, que a Jeanne alugou por conta de um trabalho. Mas é bem envolvente e promete. Portanto, continuaremos a ver.
Os Infiltrados - Belo filme do Scorsese, hein? E como é bom ver o Jack Nicholson sem interpretar ele mesmo.
Lost, 3ª temporada - Depois de um episódio sensacional, vieram dois episódios mais ou menos. Mas ainda é o melhor jogo que a TV pode oferecer.
Pollock - É um dos meus artistas favoritos, mas eu ainda não tinha visto. Pra uma cinebiografia, começa bem e foge do tom acelerado de documentário ficcional. Mas logo a coisa muda. E acaba mal.
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