Mostrando postagens com marcador amigos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amigos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Cinco exposições em Porto Alegre

Post que escrevi no Facebook há duas semanas. Dentro do possível, atualizei pro blog, mas não mexi muito, pra ficar como registro.

Amigos de Porto Alegre eventualmente reclamam que as coisas de que falo aqui nem sempre servem, que vários filmes que comento nunca estreiam nos cinemas de lá, que não é fácil vir pra São Paulo toda hora. Pois vou aproveitar que Porto Alegre está com uma agenda de exposições absolutamente incrível pra compensar as reclamações.

Jailton Moreira, Rotação
1) Percevejo, de Jailton Moreira, no glorioso Museu do Trabalho
Vou começar pela mais complicada, porque, pra resumir, gosto demais do Jailton e sou muito grato a ele por coisas que vão de orientações a respeito de Ticianos do começo da carreira em um refeitório de uma igreja em Padova até dicas de sabores de tramezzini. E aí eu poderia dizer "descontem", mas nesse caso não vale. O Jailton é um cara que usa o mundo como atelier, então me parece que tanto os Ticianos quanto os tramezzini fazem parte desse processo de criação, que depois é editado (uma palavra bem feliz que surgiu num debate sobre a exposição que rolou sábado. Eu não sei como definir e, na verdade, não tenho o menor interesse em definir o que tem na exposição. Só quero dizer que é comovente.

2) O tamanho do mundo, de Vik Muniz (curadoria de Lígia Canongia), no Santander Cultural.
Eu gosto do Vik Muniz. É verdade que já tive mais entusiasmo com o trabalho dele. Hoje, me incomoda que, depois de entender a sacada, eu não tenha muito pra onde ir na obra. Deve ser a velhice. Mas ainda assim essa é uma grande exposição. Tem bastantes trabalhos novos - e me encanta especialmente a série de castelos de areia. E tem trabalhos antigos - entre eles, Cloud Cloud, primeiro trabalho de Muniz que conheci, em um programa de TV da época, e que continuo achando arrebatador.

3) Ensaio sobre a Dávida, de Nuno Ramos (curadoria de Alberto Tassinari), na Fundação Iberê Camargo

Dois filmes - Dádiva 1 - copod'águaporvioloncelo e Dádiva 2 - cavaloporPierrô - falam sobre a dádiva no sentido proposto por Marcel Mauss, em que as trocas ocorrem em um sistema sem valor monetário, e portanto trocar um copo d'água por um violoncelo ou um cavalo por um pierrô são atitudes absolutamente cabíveis. Achei bom demais. Bom demais mesmo.


Em tempo: as outras duas exposições que estão na Fundação valem muito a pena.


EXPOSIÇÕES QUE FECHARAM ANTES DE EU PUBLICAR ESTE TEXTO NO BLOG:

4) A força do tempo, de Ricardo Chaves, na Casa De Cultura Mario Quintana
O Kadão é editor de fotografia da Zero Hora. Trabalhei com ele lá. É um imenso fotógrafo: era certo que, se ele entrava no jogo, a foto seria um acontecimento. Ver esse trabalho reunido é bastante impressionante. Por conta da qualidade do seu trabalho no fotojornalismo, Kadão estava nos lugares que importavam. E, às vezes, em ocasiões ainda mais especiais, fez os lugares em que estava se tornarem importantes.

5) Território da Folha - Paisagens de Teresa Poester (curadoria de Eduardo Veras), no MACRS (que fica na CCMQ)
O Edu Veras também trabalhou comigo na ZH. Se trabalhar numa redação é legal pelas pessoas em volta, o Edu era uma das pessoas que fazia o trabalho valer a pena. Nos encontramos por acaso na exposição do Jailton, e ele me contou que tinha feito essa curadoria da Teresa Poester pro MAC. Só trabalhos com paisagens, de várias fases, de muitos anos. Corri pra ver. Eu não lembrava direito do trabalho da Teresa, tinha mais uma lembrança meio amorfa. Desta vez, os trabalhos bateram com uma força imensa. Ainda vou ver o que vai sair daí.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Cinthya e o café

Café

as xícaras são carícias
(e as pernas — tremores)

só me reconheço
com pouco.

O poema é da Cinthya Verri e está no seu livro Constantina, que tem lançamento em São Paulo no sábado, 28, na Livraria da Vila.

domingo, 8 de abril de 2012

Três histórias de índio


(1) Xingu

O filme Xingu, de Cao Hamburguer, está nos cinemas. É sobre os irmãos Villas-Boas e a criação do Parque Nacional do Xingu. Bem bom pra uma cinebiografia. Gostoso de ver. Dentro do possível, os índios ficam em suas terras, mantém sua cultura, se protegem da nossa civilização. De novo: dentro do possível.



(2) Escalpo

A HQ Escalpo, de Jason Aaron e R.M. Guéra, é publicada da revista Vertigo. É um dos melhores quadrinhos que a DC Comics publica hoje em dia. Se passa dos Estados Unidos. Os índios têm uma reserva, mas vivem principalmente da exploração do cassino que instalaram nela e de produtos correlatos - sexo, drogas e crime organizado de maneira geral. Há agentes do FBI infiltrados. Gente corrupta. Até prova o contrário: ninguém presta.


(3) Habitante irreal

O romance Habitante irreal, de Paulo Scott, foi publicado no ano passado. Começa com um estudante de Direito que encontra uma índia na beira da estrada no interior do Rio Grande do Sul. O garoto se envolve com a índia, tenta ajudá-la, não quero ir além pra não estragar nada, mas o livro retrata aquela miséria em que vivem os índios brasileiros, ainda mais os urbanos, que vivem em reservas que pouco ou nada são mais que favelas com uma língua à parte.

(Falei um pouco mais de Habitante irreal outro dia.)

***

Pensando alto: a questão indígena

A gente chama de a "questão indígena". Tudo que é complexo demais a gente junta numa caixinha chamada "a questão". Tem questão racial. A das cotas. A dos homossexuais. A fundiária. A das drogas. É até bom pra diferenciar o que é fácil de fazer do que exige debate. No Brasil, não há uma "questão dos impostos", por exemplo. Não há nada a discutir, apenas a reduzir.

Mas dá pra reduzir com ficção? Dá pra fazer um romance sobre a reforma fiscal?

Habitante irreal mostra que Xingu mostra só uma parte do problema? Ou Xingu aponta um caminho para EscalpoXingu é um paraíso artificial que nos redime pelos índios de Escalpo e Habitante irreal? O final de Xingu alivia? E o final de Habitante irreal gera culpa? Escalpo, que ainda não chegou ao final, deve acabar como? Por que eu posso misturar índios americanos e brasileiros se as realidades são distintas? (As realidades são distintas?) Deveria haver um cassino no Xingu? E na aldeia de Maína, de Habitante irreal?

Pro que é questão de fato, dê-lhe debate. E ficção. Ou não.

domingo, 25 de março de 2012

Habitante Irreal, de Paulo Scott



Habitante Irreal estava na minha pilha fazia uns dois meses, coisa assim. Gosto do Scott. Bom sujeito, bom escritor. Via muita gente elogiando. Lia os comentários por alto, eu queria ler e não me contaminar. Via textos falando sobre a importância do livro, sobre o papel de tratar sobre "a causa indígena". Comecei a ter medo de achar chato. De ter uma tese política. De que Scott tivesse se perdido nesses anos todos de contato mais rarefeito.
Ainda bem que li.
Não é nada disso.
Um punhado de páginas passou voando, e eu já tava vidrado na índia Maína. Que personagem imenso. Uma noite, me peguei lendo, tomando notas e rabiscando. Saiu esse desenho aí em cima.

domingo, 4 de setembro de 2011

Uma pequena decepção


Acabo de ler o álbum Combate Inglório, lançado por estes dias pela pequena e simpática editora Gal. E tenho que ser franco e dizer: não gostei.

Pode ser que minha expectativa estivesse nas alturas, porque elogios dos mais respeitáveis precederam minha leitura. E porque a Gal vem geralmente lançando bons títulos (como Mundo Fantasma, que nada mais é que a versão nacional do Ghost World do Daniel Clowes, e que recomendo com entusiasmo). E porque o tradutor é o meu querido amigo Delfin - cujo trabalho parece ter sido bem competente, diga-se de passagem.

(Update em janeiro de 2018: a Ghost World agora está com a Nemo.)

Combate Inglório é a edição brasileira de Blazing Combat, álbum que reúne os quatro únicos gibis da série de mesmo nome, que foi tirada de circulação nos anos 60, acusada de ser antiamericana e subversiva. Esse material ficou fora de circulação por décadas. Portanto, tem um valor histórico assegurado. Disso ninguém duvida.

Mas os roteiros me incomodam. Não é nem pela verborragia que marca as HQs americanas da época. Disso eu não gosto, mas OK, faz parte. O problema é outro: a sequência de histórias curtas com finais chocantes é cansativa, porque no terceiro ou quarto final chocante você não se choca mais. E aí dá-lhe história de guerra com final chocante que não choca. Veja bem: tenho certeza de que, pros adolescentes americanos dos anos 60, morrendo de medo de serem convocados pro Vietnã, era incrível. Mas nessas eu caí no sono duas vezes.

Aí vem a arte. São desenhos fabulosos. É o ponto alto de Blazing Combat. Se o roteiro ficou datado, a arte é um arraso. Tem Alex Toth, John Severin, Wally Wood, Al Williamson, uns caras de quem eu realmente curto o trabalho.

Mas aí, justamente aí, vem o ponto que mais me incomodou: a Gal conseguiu a façanha de publicar um álbum menor que o original da Fantagraphics. Em vez de 20 x 25 cm, 16,5 x 24 cm. Em vez de dar espaço pra arte respirar, de tratar como livro de arte, encolheu, sufocou, matou suas histórias. 

Eu já tinha visto o álbum que deu origem à versão nacional numa livraria. Folheei, achei bonitaço e deixei lá, pensando justamente que a versão nacional estava a caminho. Então comprei o livro da Gal pela internet. Quando chegou, veio a decepção. Dá vontade de voltar lá, de devolver, de acrescentar mais R$ 2,60 nos R$ 42 que paguei pra trocar pela edição americana - ou de trocar por algo mais legal mesmo.

***

Na contracapa, há uma citação do meu muso Douglas Wolk. Ele não chega a fazer um elogio direto, só diz: "Acho saudável adolescentes terem acesso a quadrinhos bem escritos e bem desenhados sobre a guerra, desde que estes passem a mensagem de que a guerra é fútil, estúpida e sem sentido".

Fui atrás da citação original: é de uma lista de dez séries de quadrinhos que deveriam ser publicadas para sempre. A editora, naturalmente, não citou a parte que diz que não é por ele, e sim pelo bem comum, que Wolk fez sua escolha.

Isso resume bem o que penso sobre Combate Inglório: deve ser uma boa HQ pros outros. Mas não é pra mim.

terça-feira, 26 de julho de 2011

“Cinco anos hoje, obrigado pela companhia”

Esta foto tem sido meu gelado pano de fundo no Twitter. Me deixa, eu curto.


Hoje faz cinco anos que eu entrei no Twitter. Data redonda. Jornalistas aprendem a gostar dessas coisas. Meu primeiro impulso é típico de alguém que não gosta de comemorar aniversário: dar uma de blasé e resumir tudo em um único tuíte. Algo como “Cinco anos hoje, obrigado pela companhia”. Mas não vou fazer isso. Porque comecei a fuçar, a lembrar de algumas coisas, a encontrar fragmentos perdidos no Gmail. Acabei achando que valeria a pena escrever essa história. É um tema que uma ou outra pessoa vem pedindo pra eu falar sobre. E, mesmo que pouca gente vá se interessar em ler tudo isto, organizar esses cinco anos é algo que eu estava devendo pra mim mesmo.

A primeira ideia que eu queria derrubar é a de que há algum tipo de pioneirismo em eu ter entrado no Twitter nos primórdios. Na época, eu tinha mania de entrar em qualquer rede social que aparecia pela frente, sem nenhum critério. Eu, como todo mundo, tinha tentado entrar no Facebook quando ele era fechado só para estudantes (não deu). Até hoje minha caixa de spam paga por isso, e provavelmente a de alguns amigos também (então aproveito para, constrangido, pedir desculpas).

Há exatos cinco anos, eu estava lendo a Wired sem compromisso e vi uma materinha que falava sobre o Twitter. Fiz o cadastro e entrei. Sem mistério algum. Nessa época, a Wired já fazia parte da minha vida fazia uma década. Nos anos 90, eu tinha até mesmo editado artigos da Wired em português quando era estagiário da revista de economia Amanhã, que comprara os direitos. Portanto, só reforça: não era nada fora do comum ler a Wired. Era o que todo mundo fazia, e faz até hoje.

Ok, o Twitter me chamou atenção por um conjunto de detalhes: era baseado em SMS e celular, um tema que na época eu considerava importantíssimo – e nisso, ao menos, eu estava certo, mas quem não apostava em celulares em 2006? Como todo mundo, eu tinha lido um pouco antes o Smart Mobs, do Howard Rheingold, e estava absolutamente estimulado pelas possibilidades da mobilidade. Na minha cabeça, o Twitter poderia ser o meu tão sonhado MoSoSo (desculpa pelo link, se eu explicar tudo só acabo amanhã) entre várias operadoras de celular – papel que acabou com Foursquare.

Quando entrei, fiquei tão entusiasmado que, na mesma noite, mandei esse e-mail aqui pra Giu Tatini, que na época estava começando a cuidar de uma recém criada editoria de Comunidades na Capricho. Pouco tempo depois, a editoria se mostrou uma aposta certeira e bem sucedida da Brenda Fucuta, mas suspeito que tenha sido não só pela inovação, mas também pelo clima altamente estimulante da equipe, que contagiava até quem, como eu, era chamado pra trocar ideias. Reparem no horário, mas também em como eu descrevi o Twitter:

From Eduardo Nasi

To Giuliana Tatini

Date 27 July 2006 01:05

Subject: twttr

Já viu isso?

twttr.com, mezzo blog, mezzo site de relacionamento q funciona online mas tb é abastecido por sms. o mais legal é q aceita torpedos do brasil, sim. não sei se vai pegar, mas se vc ajudar, ajuda. :)

beijoooooooooooooo

e.

Eduardo Nasi

MSN Spaces - spaces.msn.com/eduardonasi/


(Percebam também que, na época, como todo mundo, eu também era entusiasmado com o Messenger da Microsoft, e naquela época migrei meu blog pro Spaces.)

Deixa eu explicar o tal twttr.com. O Twitter era tão próximo do mundo dos celulares que tentava emplacar a abreviação TWTTR – na onda do RAZR, do ROKR, do PEBL (pra mim, até hoje o celular mais bonito que eu já tive). Não colou e logo mudaram, mas foi essa sigla que ficou na agenda do meu celular com um número para o qual eu deveria mandar um SMS para postar no Twitter. Isso porque, na época, você não precisava usar o site. Bastava mandar torpedos. Na prática, você recebia os SMSs de quem você seguia. Tudo SMS internacional (e, no começo, minha operadora não distinguia, ou seja, tava no plano, uma belezura). Era absolutamente simples e delicioso. Na prática, o TWTTR funcionava como um hub de torpedos, e em 2006, primórdios da internet móvel por aqui, os torpedos ainda eram absolutamente sexy e, ao mesmo tempo, já tinham se tornado muito baratos.

Aí as coisas começaram a mudar: a operadora começou a cobrar mais caro, o próprio Twitter cortou o envio de SMS internacional e tudo foi mudando. Aliás: o Twitter que eu considerara revolucionário tinha mudado tanto que não era mais o meu Twitter. Qualquer pretensão de pioneirismo que eu pudesse ter acabou nessa época.

O serviço não se popularizou no país a tempo de criar um senso de comunidade, de pertencimento. Ou seja: não tinha quase ninguém lá, e quem estava não postava com muita frequência ou não era muito próximo de mim. Daquela época, lembro da Flavia Durante, do Hector Lima e de um japonês que foi meu primeiro seguidor, persistente por muitos anos, mas depois de um tempo sumiu. Não tinha celebridades nem Follow Friday.

Além disso, não havia mecanismos eficientes de conversa. Lembro vagamente de receber um e-mail do Biz Stone anunciando funções básicas como o de responder e o de hashtags, e mais vagamente ainda de outro dizendo que algumas pessoas haviam criado o RT.

A essas alturas, sem muitos seguidos e seguidores pra compartilhar, passei a tuitar apenas esporadicamente. Foram dois anos assim, olhando de longe, escrevendo raramente, acompanhando os amigos que iam descobrindo a ferramenta.

Até que cheguei à Campus Party de 2009. Ali eu senti que o Twitter havia amadurecido, e que merecia uma nova atenção, que foi o que fiz: entrei na minha conta no EEEPC e comecei a tuitar. Encontrei um Twitter bem diferente, baseado em site e aplicativos. E já com algumas celebridades. Não era um @aplusk, mas eu sou mais o @stephenfry mesmo. O serviço de SMS tinha sido escanteado – imagine como seria hoje receber um torpedo pra cada atualização da timeline e ficará fácil de entender por que a mudança foi fundamental pro crescimento. Mas os campuseiros estavam animadíssimos, tuitando sem parar. E aí sim: a rede estava pronta pra interferir na cultura global.

Twitter retomado, tinha chegado a hora de pôr em prática a ferramenta.

A experiência mais empolgante nessa época foi com o perfil do site de quadrinhos Universo HQ. O Sidney Gusman, editor do site, havia criado o perfil e usava com relativo sucesso na época para tuitar as notícias logo pela manhã. Era uma forma evidente e fácil de ampliar o número de leitores. Numa entrega de prêmio HQ Mix, experimentei pela primeira vez o livestream, eu com o EEEPC plugado num canto do palco e o Sidão com um celular na plateia. Na prática, ninguém sabia direito quem estava fazendo o quê. O perfil ali começou a ganhar duas coisas que viraram uma marca do @universohq: uma personalidade e um ar de mistério. Uns dias depois, assumi a tarefa de fazer o perfil por uma temporada. Foi um barato para experimentar. Acho que minha maior contribuição ali foi a de dar uma personalidade pro perfil, que na minha cabeça sempre foi uma versão nerd do Puck de Sonhos de uma noite de verão, o que naturalmente teve uma leve mudança quando outros colegas assumiram o papel. O @universohq passou a interagir mais com leitores, a atazanar editoras, a divulgar autores. Esse personagem ficou tão dissociado de mim que, enquanto a diretoria de uma editora brigava comigo por fazer matérias que supostamente comprometiam as vendas de um de seus títulos mais caros, o perfil – ou seja, eu – estimulava os leitores a encontrarem o preço mais baixo do título no varejo, retuitando os resultados e incrementando as vendas do álbum. Eu que não ia abrir a boca.

Depois de uns meses, totalmente sem tempo, tive que abrir mão do @universohq, mas fico feliz que os sucessores tenham não só mantido o anonimato, mas também ampliado a mitologia. Além do mais, as coberturas pelo Twitter do HQ Mix se tornaram uma tradição.

Mas a história que até hoje me surpreende quando eu penso nela é a do meu querido amigo Carpinejar. O Fabro hoje tem mais de 100 mil seguidores, mas não queria entrar no Twitter de jeito nenhum. Na época, ele já tinha o hábito de escrever palavras com cabelos na parte de trás da cabeça, mas seu barbeiro ainda não tinha pegado o jeito. Foi escrever PERIGO. Saiu PFRIGO. A Cinthya, sua namorada, decifrou: PFRIGO quer dizer Poeta Frigo, um pseudônimo. Daí criamos, eu e ela, o @pfrigo. Com foto do Fabro. Adicionamos os amigos dele. Começamos a tuitar frases aleatórias tiradas de seus textos. Tudo a contragosto do Fabro, mas com uma saída: enviamos login e senha para o e-mail dele. Se quisesse, poderia assumir o perfil quando quisesse, e continuar dali. Em poucos dias, @pfrigo tinha se transformado em @Carpinejar. Mais uns meses, tinha se tornado livro, personalidade e tudo o mais.

Enquanto essas coisas rolavam em perfis paralelos, o Twitter ia mudando aos poucos a minha vida. O melhor, sem demagogia, juro, foi a troca com leitores e seguidos. Tive um privilégio por estas bandas: pouca incomodação, muita gente legal, inteligente, divertida. Por causa dessas pessoas, li livros, assisti a filmes, ouvi músicas, fui a shows, a peças de teatro, li sobre o mundo, conheci gente bacana... De verdade: aprendi muito, amadureci um pouco, e agradeço a #todososenvolvidos por isso. :)

Os leitores deste blog talvez digam que nem tudo foi exatamente positivo. Já tivemos fases bastante ativas no passado, mas o espaço acabou largado às moscas, mesmo que eu me culpe constantemente por não escrever mais aqui. Mesmo assim, tenho a impressão de que a concisão compulsória do Twitter tenha me tornado mais zeloso pelo texto: por exemplo, estou demorando demais pra escrever este post. Ou talvez tenha feito eu perder o hábito de escrever textos longos, o que é pior. Vai que os leitores preferem mesmo que eu seja menos prolixo.

Curioso que até pelo jantar de hoje eu devo ao Twitter. A tapioca só foi possível porque reencontrei no Twitter uma velha amiga, e ela me deu a massa de mandioca de presente.

Como eu ia dizendo lá no começo, antes de fazer um tratado tão longo que garantiria zero de leitura até o final, jornalistas gostam de datas redondas. Quando eu vivia disso, o motivo era simples: era uma chance de escrever sobre algo que eu gostava ou sentia que devia, mas não caberia na pauta de outra forma. Se fosse festa, eu não estaria comendo tapioca velha que achei na geladeira. Mas faz cinco anos hoje, e eu queria mesmo agradecer pela companhia.

Obrigado, pessoal.

domingo, 3 de julho de 2011

Amar é crime


Li entre a madrugada e a manhã de hoje o Amar é crime, novo livro do Marcelino Freire.

Tudo muito rápido. Tava no computador, falando sobre Kindle com um amigo no Skype. Mencionamos o livro do Marcelino justamente por isso: editado por uma editora pequena brasileira, está lá no catálogo da Amazon. É um dos poucos títulos em português por lá neste momento em que a maioria das editoras daqui insistem no famigerado sistema de DRM da Adobe, blá blá, blá. Tem o Marcelino (e outros títulos da simpática Edith), uns clássicos, o Paulo Coelho, títulos de selos da Ediouro como o 1822 do Laurentino Gomes e a biografia do Lobão, uns desconhecidos, não vai muito além disso.

O papo com o amigo ia se encerrando, e eu decidi que ia ler o livro do Marcelino logo depois. Entrei no site, tirei da WishList e, antes de desligar o Skype, Amar é crime já estava esperando por mim na mesa de cabeceira. Maravilha.

Comecei a ler pela introdução de Ivan Marques. Veio o susto. Por algum motivo, há uns hífens perdidos no meio de palavras. Tem um "res-gatar", um "per-dida", um "agres-siva", por aí vai. Cheguei a pensar que não ia rolar. Tipo uma goiaba vistosa e cheirosa por fora, mas toda bichada por dentro.

Nada disso. Acabei a introdução, o problema sumiu. Está só no texto do Ivan Marques mesmo, e creio que a editora possa corrigir nas próximas semanas. ****ATUALIZAÇÃO IMPORTANTE: Nos comentários, o Marcelo Barbão diz que o problema já foi resolvido, e que o livro consertado deve estar na Amazon nos próximos dias. Não é ótimo?

Ufa. Bora seguir leitura.

O tema do livro não chega a ser simples: a amor. Todo mundo já escreveu sobre o amor. Existem sebos inteiros tomados de livros de Barbara Cartland, de Júlias, Sabrinas e Biancas sobre o amor. E todos os poetas. E todos os outros livros, filmes, peças, músicas...

Só que, aos poucos, fui me dando conta de como o Marcelino estava tratando o tema. Não era um amor qualquer, e sim o amor de hoje. Totalmente contemporâneo.

Uma hora é uma menina abusada pelo avô, noutra é um padre que se envolve com um garoto, a moça bonita que pega o velho rico, o primeiro casal gay que adotou uma criança no Brasil. Tudo isso que a gente vê por aí vira assunto.

O amor, portanto, não é só romântico. Daí que é crime: porque é violento, porque ameaça, causa briga, sufoca, mata, abusa, cansa, exaure.

Aí não tem nada de novo, claro. Ao falar do livro no Twitter, enquanto escrevia este texto, recebi uma mensagem de Josefina Neves Mello falando que tudo isso está na Odisseia. Está mesmo. Édipo mata o pai pra comer a mãe. Está no Nelson Rodrigues também. Nos russos, claro. Em muitos lugares, sempre que alguém resolve escancarar que essa coisa de relacionamento não é essa moleza toda que as comédias românticas do cinema tentam pintar por aí.

No Libertinagem, Manuel Bandeira publicou seu Poema tirado de uma notícia de jornal.
Pois bem: em Amar é crime, Marcelino fez seus contos tirados do Facebook, do Twitter, do G1.

******

Falar de Manuel Bandeira a uma hora dessas? Pois é:

Poema tirado de uma notícia de jornal
João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

Bebeu
Cantou

Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado

******

Atualização em 4 de julho - O próprio Marcelino acabou comentando este comentário por ver nele a primeira crítica literária totalmente digital. Só deve ser se considerar Kindle, problemas de formatação, que o livro de papel saiu depois etc. Vale mesmo pra salientar o ineditismo da Edith, enfim uma editora que não aposta só no modelo da Adobe, que é bem mais chatinho de usar...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Bienvenido de volta


Cada vez que escrevo no blog, tenho que dizer que estou de volta, o que é uma chatice pra mim e pra vocês. Mais fácil assumir que este é um blog bissexto mesmo.

Mas o fato é que voltei pra avisar que nesta quinta, dia 20, vou mediar um papo entre dois caras muito bacanas: o Paulo Ramos, jornalista especializado em quadrinhos, e o Claudio Martini, editor da fabulosa Zarabatana Books.

O mote da mesa é Bienvenido (capa acima), baita livro sobre os quadrinhos argentinos escrito pelo Paulo, editado pelo Claudio e encapado com essa imagem matadora do Liniers. Claro que a ideia é falar dos quadrinhos argentinos como um todo.

Começa às 19h, na Fnac da Av. Paulista.

sábado, 9 de agosto de 2008

É dublado, viu?

Aí eu tava com preguiça de ir até um cinema decente e teimei em ver Encarnação do demônio no Cinemark aqui perto de casa mesmo.

Claro que é estupidez. Cinemark é SEMPRE uma porcaria. E eu sabia disso.

Outro dia, fui, no intervalo do almoço, na primeira sessão do dia -- mas não tinha dado tempo de limparem a sala no intervalo de doze horas que separava a minha sessão da última do dia anterior. O chão estava coberto de pipoca. A sala cheirava a manteiga rançosa, e bem mais do que o habitual das salas da rede.

Mas aí eu cheguei na bilheteria:

-- Uma pra Encarnação do Demônio.

-- Inteira?

-- Inteira.

-- Pras treze e dez?

-- É.

-- É dublado, viu?

*


Aí eu dei graças a deus que estava no Cinemark. Se fosse em outro lugar, poderia estar numa sessão da Sociedade Italiana, por exemplo, antecipando a cópia que será exibida em Veneza.

Mas no Cinemark a gente sempre pode contar com o despreparo da equipe.

*


Por exemplo: vimos Quando os fracos não tem vez naquela mesma sala. Em fevereiro ou março, acho.

Com certeza é a mesma: uma bem pequena que eles guardam pra filmes a que o público deles não assiste

Na época, reclamei pro gerente que havia retângulos de luz que incidiam sobre a tela e atrapalhavam a imagem.

E o gerente ficou perplexo, achou um absurdo e disse que ia consertar imediatamente.

Hoje, passados tantos meses, os retângulos ainda estavam lá.

*


Aliás, a gente sempre pode contar com o público do Cinemark nos bons filmes. A catrefa de mascadores de pipoca simplesmente não entra nessas sessões.

Só tinha eu e mais outro sujeito na sala. E uma hora umas senhoras que cuidam da limpeza apareceram para ver (e comentar) uma cena especialmente herege.

É uma pena. Pena mesmo. Tomara que a situação tenha sido melhor em outras salas.

*


Porque o filme do Mojica é demais, claro.

De muitas formas, fala sobre tudo isso que está aí em cima. Depois de 40 anos na prisão, o Zé do Caixão sai para um mundo em que ele não se encaixa. Ele é monstruoso, pervertido, doentio, mas o resto é bem pior. A banda podre da polícia, por exemplo. Ou as milícias da favela. Ou os ruminantes de pipoca.

*


Aproveitando: tem que ler o Prontuário 666, do Samuel Casal. Tem quê.

O Samuel fez uma puuuuuta HQ que serve de prelúdio ao filme. Que conversa com o longa do Mojica e com excelente documentário O prisioneiro da grade de ferro, que é do Paulo Sacramento, não por acaso o produtor de Encarnação do demônio.

*


A trilha do filme está no MySpace.

*


Pra acabar: nunca fui o cara mais próximo do Dennison Ramalho, que é o co-roteirista, diretor-assistente e, pelo que ouvi falar, faz-tudo do filme.

A Cléo de Paris eu não vejo há zilhões de anos. E é por causa dessas dissonâncias que São Paulo faz com a gente e a gente teima em aceitar.

Mas estou muito, muito feliz pelos dois.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Chupa, Picasso

Vaso de flores 1Vaso de flores 2
Um desenho bem simples pra pôr numas molduras velhas, foi o que me pediram. Pra decorar casa mesmo.

Me sentindo um arremedo de renascentista, me pus ao trabalho e me saí com esses dois vasos de flores, naturezas mortas de nanquim escolar e caneta Magic-Color (essas pequenas maravilhas) sobre papel Canson.

O pagamento é em algo que vale mais do que dinheiro: um suprimento perpétuo de queijo de Minas e goiabada. Pra fazer Romeu e Julieta.

Pode falar mal, pode não gostar, pode dizer que é comercial: o queijo é meu, a goiabada é minha.

domingo, 3 de agosto de 2008

Conversas com o Dr. Freud

Dr. Freud
E aí a gente estava no CaixaFórum, tinha visto uma mostra matadora do Mucha e queria trazer o catálogo. Fomos na lojinha e lá estava ele, figura recorrente de todas essas lojinhas de museus por que passei nos últimos anos: o dedoche do Freud.

Comprei, né?

Já fazia tempo que eu andava arrependido de tê-lo deixado pra trás tantas vezes. Sentia que ele tinha algo além do aparente. Que era um dedoche especial.

E era.

As pessoas falam com o dedoche do Freud. Abrem seus segredos, buscam ajuda, o enfrentam, como se estivessem em terapia -- e não importa que elas estejam em uma sala de espera ou um Starbucks ou até mesmo no meio do escritório. Elas simplesmente me ignoram (e isso não me parece fácil), olham para meu dedo e começam a falar.

-- Olha, eu sei que você só pensa em sexo e acha que tá tudo relacionado a sexo, mas o meu problema não é esse.

-- Eu me sinto sozinho, por isso, não sei o que fazer.

-- Eu não acredito em terapia, em ficar falando com um sujeito que não me responde nada, prefiro uma conversa, viu?


Não é completamente mágico?

sábado, 2 de agosto de 2008

O Calombo Amigo

Figura 1


Depois de um tempo, a gente aprende a conviver com um colchão inflável e suas idiossincrasias.

Aqui em casa temos um colchão já faz tempo. Roxo. Comprei logo que me mudei, para poder receber eventuais visitas. No fim, eu mesmo já dormi nele diversas vezes.

Bastante usado, o colchão acabou se desgastando. Não estourou, mas abriu por dentro, o que gerou um calombo (ver Figura 1).

O calombo tem uma formação curiosa. Se coberto por um edredon, dá a impressão de que tem uma pessoa miudinha dormindo ali embaixo. Tanto que quem dorme ao seu lado mais cedo ou mais tarde o abraça.

Acho que é por isso que o nosso amigo Guiti acabou batizando o calombo. Agora, chamamos de Calombo Amigo.

As últimas semanas foram movimentadas. O calombo abrigou o Delfin, presença constante nesta casa, o Guiti e minha própria mãe. Agora, faz companhia para a jovem Milena, prima da Jeanne. É um bom rapaz, o Calombo Amigo. No começo, se estranha, mas todo mundo acaba gostando dele.

Nos próximos meses, devemos ter algumas mudanças por aqui. É algo que pensamos faz tempo. Nessas mudanças, o Calombo Amigo deve bailar. Suspeito que o movimento de visitas deve cair.

domingo, 4 de maio de 2008

Tchau, Tuio

Ia escrever sobre o Falsa loura, esse puta filme, filmaço, do Carlão Reichenbach. Fui ver se tinha algo no Reduto do Comodoro que se pudesse aproveitar de alguma forma: uma foto bonita, uma citação qualquer.

Tinha. Tinha a notícia da morte do Tuio Becker.

O Tuio foi meu colega na Zero Hora. Era o crítico de cinema. Convivemos pouco na redação, mas foi o suficiente pra eu ver como o baita crítico que eu já lia no jornal trabalhava. E era uma coisa bonita de se ver.

Lembro especialmente de uma sexta. Eram 11h30min, e o caderno Cultura de sábado fechava ao meio-dia. Aí entrou, por agência, a notícia da morte de um diretor europeu importante, mas relativamente obscuro. O Tuio quis homenageá-lo. Com o aval e o apoio do Eduardo Veras, a contracapa do caderno, então pronta, foi derrubada para que o tal cineasta pudesse ser enterrado dignamente. Tuio sentou-se para escrever enquanto nós, os desocupados, nos mexemos para fazer os outros procedimentos necessários, tais como achar e baixar foto do cara, pré-diagramar a página e caçar nos livros referências sobre o morto.

Uns vinte minutos depois, Tuio tinha acabado o texto, coisa grande, de uns 80 centímetros (na medida do jornal, é um texto bem grandinho). Estavam citados no artigo os maiores filmes do cara, com o devido ano de produção entre parênteses. E estava tudo certo. Conferimos com os livros, pra ver se não tinha erro. Mas não tinha. No sábado de manhã, sem saber de nada disso, os eventuais leitores encontraram um artigo precioso. E quem leu nem sabia que por trás dele estava uma baita aventura.

Também lembro de um Festival de Cinema de Gramado que cobrimos, eu, ele e o Roger, talvez a mais enxuta equipe da redação a subir para a Serra nesta década. Agora me ocorre que talvez tenha sido o último ano em que Tuio foi a Gramado pelo jornal. Não lembro.

Saímos do jornal na mesma época, em 2001, ele se aposentando, eu indo fazer as revistas da RBS.

Continuamos nos falando, principalmente em cabines e em encontros por acaso no Centro, onde eu morava e ele ia ao cinema, por uns meses. Na época, dizia:

-- Agora que me aposentei, só vejo filme bom.

Tuio foi desaparecendo na medida em que o Alzheimer tomou conta. Eu também fui sumindo. De vez em quando, vinha uma notícia sobre ele, sobre a doença, sobre a internação.

Mais comum é eu lembrar do Tuio vendo um filme. Outro dia mesmo, vi Pequenos espiões, que ele tinha achado divertidíssimo. Na época, ele recomendou:

-- Mas espera pra ver em DVD, porque a distribuidora só trouxe cópias dubladas para Porto Alegre.

É isso: o Tuio vai continuar indo ao cinema comigo. E com muita gente. Principalmente se os filmes forem bons.

*


Quando vi que o Tuio morreu, fui correndo ler a coluna da Cláudia Laitano. Eles eram muito próximos. Mesmo sabendo que o Tuio rende incontáveis textos bons, eu tive a sensação de que o melhor texto viria dela.

E eu estava certo:

"Tuio distribuiu generosamente sua cultura e seu bom humor até o último dia de trabalho no jornal, há sete anos, quando se aposentou. Formou e informou todos os que tiveram o privilégio de conviver com ele ao longo de mais de 30 anos de jornalismo."

*


Fico pensando não no que o Tuio escreveria sobre Falsa loura, mas no que ele falaria. O universo que Carlão criou é uma dádiva para o humor sarcástico que Tuio tinha nos bastidores.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Coisas que estão acontecendo

Nos últimos dias:

* Quatro pessoas me disseram que ligaram o computador à sua TV. Uma delas assiste a vídeos do Youtube, um depois do outro. Mó tendência.

* Vi na Rebouças uma moça com uma sacolinha de compras do Zaffari de São Paulo. O gaúcho Ricardo Freire (assim até parece que estou escrevendo pra Zero Hora) foi lá e fez um belo relato pro Guia do Estadão. Já eu acho muito louco que alguém vá a um Zaffari em São Paulo. Parece que um amálgama de realidades paralelas. É meio como ir à Estátua da Liberdade de Paris.

* Li o Mais ou menos normal, da Cintia. Esse se passa em Porto Alegre, e as descrições da ficção de materializam em lugares bem reais na minha cabeça. Merece um post maior mais adiante, já podem ir lendo.

* As coisas estão corridas, até porque a vida normal se uniu a uma série de coisas que tenho /tive que produzir / criar / escrever. De quebra, ainda está rolando a Semana de Criação, cujas palestras são na Fecomércio, no outro extremo da cidade. O táxi sai tão caro e o trânsito está tão ruim que, olhando pro céu, fico pensando se financeiramente não compensa alugar um helicóptero.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Irmãos Grimm

Esta semana foi bem puxada, bem como a será a próxima. Mas consegui ler, à noite, pouco a pouco, Irmãos Grimm em quadrinhos, que a Desiderata lançou no fim do ano passado.

É um livro de 176 páginas com versões de contos europeus feitas por quadrinhistas brasileiros que atuam em um cenário mais independente e em fanzines e revistas como a 76% Graffiti -- mas não são exatamente uma nova geração, como tá na capa.

Entre eles, estão velhos amigos deste blog, como o Carlos Ferreira e o Odyr. Aliás, a imagem acima é um trecho da abertura do conto do Odyr.

O resultado é bem impressionante: HQs rápidas, uma boa dose de experimentação, artes incríveis e, como os contos são baseados nas versões originais, bastante violência e demência.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Yamaga

Quem me levou lá pela primeira vez foram o Emiliano e a Amarílis. A gente queria só um típico restaurante japonês da Liberdade, e então qualquer um servia. Mas ela queria repetir o peixe prego que provara uns dias antes lá mesmo, num lugar de endereço incerto que ninguém sabia o nome de cor.

A solução foi uma só: abríamos as portinhas e espiávamos o ambiente, um a um, dos inúmeros restaurantes do lado direito da Rua Tomás Gonzaga, sentido de quem desce. Uma hora, parecia ser: umas poucas mesinhas, um balcão de bar com um clube do whisky atrás, um tom de marrom escuro predominando no ambiente. Era.

Logo de cara, me encantei pelo missoshiro. Não era só missô, caldo de peixe, tofu e cebolinha. Tinha algo que, me disseram mais tarde, era floco de arroz (li em algum lugar ontem à noite que é massa de tempurá, whatever). Simplesmente é o melhor missoshiro que já provei, e o motivo maior de eu ter repetido a busca pelo restaurante desconhecido mais uma boa leva de vezes.

Ontem fizemos de novo.

Estamos dando abrigo e servindo de guias de turismo para uma adorável adolescente de 14 anos que gosta muito da cultura japonesa -- até amanhã, quando for embora, ela terá lido toda a minha coleção de Love Hina. Levamo-a até lá ontem, e estava melhor do que nunca. Decorei o nome: Yamaga. Fica na Tomás Gonzaga, 66.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

O antropófago de Bial

De tudo,
E contudo,
Porque é assim que se começa um poema ruim.

Na real,
Canibal
Emiliano é antropófago de Bial

Modernistas,
Basquetistas,
Com a bola que Bial bele

Belê
Demodê
O jogo é imaterial

De tudo,
Retundo,
A luz tomou seu lugar.


O poema ruim acima é meu. Fiz pra concorrer no concurso criado pelo Emiliano a partir de uma foto inspiradora do Pedro Bial.

Não cobiço os prêmios, apenas a glória.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Louca por Homem

Já faz quase um mês que li Louca por Homem, novo livro da Claudia Tajes. E foi uma leitura, confesso, bem de sopetão.

Eu tinha encomendado na pré-venda, mas o livro só ia chegar uns dias depois, quando eu já teria deixado São Paulo. Na véspera da partida, fui à livraria comprar livros para um amigo que mora em Londres e queria ler em português. Lá estava o varal de cuecas contra o céu de brigadeiro que ilustra a capa. Comprei e levei. Li no avião, antes ainda de desembarcar em Paris.

Comprei porque a Claudinha também é conhecida do presenteado. Mas seus livros são de uma leitura gostosa e divertida, porém levemente maldosa, bem como bons presentes têm que ser.

(E aqui eu abro parênteses pra colaborar com o jovem Theo: o Natal taí, galera, tem amigo secreto, prima do interior, tem editor de jornal que precisa fechar a página de dicas de presente lendo...)

(De nada.)

Graça, a protagonista, é feia, coitada. Nada a ver com aquela feiúra Dove; ela é feia pra valer. Mas gosta de homens que, por sua condição estética, não são grande coisa mesmo.

Olhando assim, até parece pueril, e não sei se quem não conhece a Claudia pode imaginar o quanto isso pode virar uma trama doentia nas mãos dela. Por isso que sempre acho bom lembrar de outro livro dela, que é um pouco mais explícito ao desvendar a mente de sua autora: Vida Dura é sobre um durango que se torna doador de sêmen para inseminações artificiais.

domingo, 14 de outubro de 2007

Jabá: Contos do Quintal à venda, compre djá

A quem interessar possa: o livro Contos do Quintal, do qual participei com uma ilustração para um conto infantil do Fabrício Carpinejar (mais explicações neste post) já está à venda. Compre aqui.

Aproveite e leve também o filme que deu origem à série -- que na real é o livro Porto Alegre e o Dia em que a Cidade Fugiu de Casa. Aproveite, amigo, que não é sempre que tem.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Contos do Quintal


Taí um convite (clique para ler) meio sem sentido, porque domingo eu nem vou estar em São Paulo e, portanto, não irei ao lançamento.

Mas o fato é que há um desenho meu no livro Contos do Quintal, que sai neste sábado pela Editora Globo. O volume reúne histórias escritas por vários escritores, cada uma acompanhada de uma ilustração de um artista diferente. O projeto é da Revista Crescer.

Meu desenho foi feito para uma história do mano Fabrício Carpinejar e repete o clima do outro livro que fizemos juntos, Porto Alegre e o Dia em que a Cidade Fugiu de Casa, que por sinal está à venda de novo (aproveite que não é sempre que tem!). Esse sim é todo escrito pelo Fabrício e desenhado por mim de alto a baixo com as adoráveis tintas nanquim escolar.

O Contos do Quintal ainda não está nas livrarias, mas, assim que entrar, eu aviso.