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terça-feira, 20 de março de 2018
sábado, 17 de fevereiro de 2018
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Antes do fim
Pantera Negra
O insulto
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Brazuca negão e sebento
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Pantera Negra - Uma nação sob nossos pés
Exposição
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quarta-feira, 26 de junho de 2013
Crumb fala sobre música
The modern world - it’s just like with architecture - something has really gone wrong with the music. It’s partly result of electronic medias; people don’t actively participate in musical culture the way they did before. I met an old man in Paris years ago, he’s dead now, in the 1980s. He was young in the 1920s and 1930s. He said he and his wife would go out dancing five nights a week because it was in the neighborhood, it was cheap, it was social and the music was live. Imagine a culture in which this goes on every night in the neighborhood. Imagine what that is going to do with the musician. He is part of the scene; the dancers are as important to him as his instrument. I played for dancing myself. It’s very inspiring when people are dancing to your music; it inspires you to give it more rhytimic drive, you see the people moving, you become part of something, you lose your ego. All that old music has that for me, the music I like.
*
A lot of guys I know like 1950s rhythm and blues (R&B) but it’s too slick for me. All the musicians start to try to imitate the slick, professional guys after a while, so the whole thing becomes no longer interesting. Musicians became self-conscious. In the old times, before mass media, people sang, people would get together and sing just for enjoyment. They couldn’t turn on their radio or television and nowadays most people say: “I can’t sing. I dion’t have a good voice,” because all they hear is the most professionally trained singers on radio, or TV or CD or whatever. So music has become a highly professionalized thing, which to me spoils it. I would rather hear somebody that is amateurish, even crude, but still has a sincere, authentic connection. I would rather hear that than some virtuoso.
Robert Crumb, em dois trechos da entrevista conduzida por Hans Ulrich Obrist.
domingo, 8 de abril de 2012
Três histórias de índio
(1) Xingu
O filme Xingu, de Cao Hamburguer, está nos cinemas. É sobre os irmãos Villas-Boas e a criação do Parque Nacional do Xingu. Bem bom pra uma cinebiografia. Gostoso de ver. Dentro do possível, os índios ficam em suas terras, mantém sua cultura, se protegem da nossa civilização. De novo: dentro do possível.
(2) Escalpo
(3) Habitante irreal
O romance Habitante irreal, de Paulo Scott, foi publicado no ano passado. Começa com um estudante de Direito que encontra uma índia na beira da estrada no interior do Rio Grande do Sul. O garoto se envolve com a índia, tenta ajudá-la, não quero ir além pra não estragar nada, mas o livro retrata aquela miséria em que vivem os índios brasileiros, ainda mais os urbanos, que vivem em reservas que pouco ou nada são mais que favelas com uma língua à parte.
(Falei um pouco mais de Habitante irreal outro dia.)
***
Pensando alto: a questão indígena
A gente chama de a "questão indígena". Tudo que é complexo demais a gente junta numa caixinha chamada "a questão". Tem questão racial. A das cotas. A dos homossexuais. A fundiária. A das drogas. É até bom pra diferenciar o que é fácil de fazer do que exige debate. No Brasil, não há uma "questão dos impostos", por exemplo. Não há nada a discutir, apenas a reduzir.
Mas dá pra reduzir com ficção? Dá pra fazer um romance sobre a reforma fiscal?
Habitante irreal mostra que Xingu mostra só uma parte do problema? Ou Xingu aponta um caminho para Escalpo? Xingu é um paraíso artificial que nos redime pelos índios de Escalpo e Habitante irreal? O final de Xingu alivia? E o final de Habitante irreal gera culpa? Escalpo, que ainda não chegou ao final, deve acabar como? Por que eu posso misturar índios americanos e brasileiros se as realidades são distintas? (As realidades são distintas?) Deveria haver um cassino no Xingu? E na aldeia de Maína, de Habitante irreal?
Pro que é questão de fato, dê-lhe debate. E ficção. Ou não.
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sexta-feira, 23 de março de 2012
O gosto do cloro
O gosto do cloro, de Bastien Vivès, é uma HQ sobre natação e amor.
Como uma piscina, é silenciosa e elegante.
Lendo, me lembrei da cena de Somewhere que já vi, sem exagero, dezenas de vezes: a da piscina do Chateau Marmont, com I'll try anything once como fundo. Não achei a cena, mas o vídeo abaixo tem alguns cortes e a música.
***
Dá pra ler o comecinho de O gosto do cloro, bem como a orelha do Paulo Scott, aqui:
Como uma piscina, é silenciosa e elegante.
***
Lendo, me lembrei da cena de Somewhere que já vi, sem exagero, dezenas de vezes: a da piscina do Chateau Marmont, com I'll try anything once como fundo. Não achei a cena, mas o vídeo abaixo tem alguns cortes e a música.
***
Dá pra ler o comecinho de O gosto do cloro, bem como a orelha do Paulo Scott, aqui:
quarta-feira, 14 de março de 2012
Moebius
Moebius morreu no sábado. Foi um monstro. E foi mais que um quadrinista. Tinha refletido bastante sobre seu trabalho havia uns dias. Um jornalista havia me procurado pra falar sobre Moebius, por conta dos novos álbuns, e eu acabei saindo do eixo dos quadrinhos e indo pro eixo da produção de imagens que marcaram uma época. Foi isso que acabei tratando no texto que, a pedido do Luiz Antonio Araújo, escrevi pra Zero Hora. Saiu hoje, no Segundo Caderno.
Dá pra clicar e ler a reprodução ampliada que eu peguei do iPad. Dá pra ler a íntegra, sem edição, abaixo.
No final, conto só aqui no blog umas coisas que não couberam no jornal.
Moebius é essencial
A notícia da morte de Moebius logo cedo, na manhã de sábado, estragou o dia de muitos leitores de histórias em quadrinhos. Justo. Afinal, foi com as HQs que o artista teve uma relação mais duradoura e prestigiada. Mas sua importância transcende obras como Incal: Moebius foi antes de tudo um poderosíssimo criador de imagens e uma dos artistas mais influentes da segunda metade do século passado.
O que fez de Moebius Moebius foi uma imensa capacidade de se relacionar com o que estava acontecendo ao seu redor. A contracultura, os hippies e os eventos do mês de maio de 1968 francês ainda estavam frescos quando adotou o nome Moebius definitivamente. Lado a lado com o já conhecido faroeste Blueberry (no qual assinava seu nome de batismo, Jean Giraud, e seguiu publicando até os anos 2000), passou a produzir quadrinhos de uma forma que nunca tinham sido vista antes. Misturou ficção científica com expansão da consciência. Criou mundos imaginários que até podem estar em galáxias distantes, mas mais parecem tirados de um livro sobre o inconsciente junguiano. E deu certo: Moebius se deu muito bem com o espírito de seu tempo. Materializou em desenhos o que havia de mais contemporâneo na mente de seus leitores.
Nas páginas da revista Métal Hurlant, da qual foi cofundador, não só ele, mas também Philippe Druillet, Enki Bilal e outros autores exploravam terrenos parecidos. A publicação tornou-se um marco. Ali, Moebius influenciava boa parte da ficção científica e da fantasia que seriam criadas dali pra frente. E também cavava espaço para lançar seus livros mais importantes: Incal, O Homem É Bom? e Garagem Hermética (este, veja só, influenciou até o nome de casa noturna porto-alegrense).
A força de suas imagens logo atraiu Hollywood. Moebius fez a concepção visual de dois filmes que ajudaram a definir a ficção científica nos anos 80: Alien – O 8º Passageiro e Tron. Colaborou em mais uma dezena de longas. Foi convidado para a equipe de Blade Runner, mas recusou. Mesmo assim, a Los Angeles futurista dos replicantes foi construída a partir de seus quadrinhos. Moebius é tão onipresente no clássico de Ridley Scott quanto o tema sonoro de Vangelis.
A verdade é que a influência de Moebius na cultura mundial é imensa, mas ainda precisa ser avaliada com consistência. Olhando daqui, já parece claro que defini-lo apenas como um quadrinista que fez grandes álbuns não parece dar conta de sua produção: os indícios o colocam lado a lado com David Bowie, Kraftwerk, Rem Koolhaas e outros criadores. Eles, como Moebius, ajudaram a moldar o imaginário das décadas de 1970 a 1980.
Enfim, de volta às livrarias
O leitor brasileiro que se sentir motivado a ler a obra de Moebius a partir da notícia de sua morte pode encontrar uma parte de seus trabalhos nas livrarias. Não é tudo, mas já quebra o galho. É que, nos últimos anos, os quadrinhos europeus ganharam mais atenção do mercado editorial brasileiro. A presença de Moebius nas prateleiras é um reflexo desse fenômeno.
Talvez seu trabalho mais famoso, Incal acaba de ser publicado em um volume chamado Incal Integral (Devir, 308 p.). O roteiro é do escritor e diretor de cinema Alejandro Jodorowsky. Na história, cheia de referências ao tarô, o detetive John Difool parte em busca de um artefato chamado o Incal. Outras séries ligadas a Incal também estão em catálogo, mas sem seu desenhista original.
Além de Incal, a editora Nemo está publicando obras de Moebius. Por enquanto, saíram dois álbuns: Arzach (56 p.) e Absoluten Calfeutrail & Outras Histórias (96 p.). São antologias de histórias curtas, menos conhecidas. Mas, ao contrário do Incal, tem roteiros de Moebius. A Nemo promete publicar outros volumes da coleção destinada ao autor este ano. Entre eles, duas obras essenciais: O Homem É Bom? e A Garagem Hermética.
***
E notas extras, só no blog...
Uns dois anos atrás, um amigo me falou que havia um cartunista francês mundialmente famoso morando em Pirassununga. Passaram-se uns dias até eu descobrir que o sujeito era, na verdade, Alain Voss, brasileiro que foi um grande colaborador da Métal Hurlant. Fui com entrevista marcada, mas só lá soube que ele não queria dar entrevista alguma. Conversamos a tarde toda, sobre assuntos variados. E aí ele me deu a sua versão para o afastamento de Moebius da revista.
Teria sido culpa de Jodorowsky, que, pra ele, afastou de vez Moebius da política, levando-o a um mergulho no misticismo. Outros sócios teriam se irritado com a presença constante de Jodô.
Eu, que tinha conhecido Jodô uns anos antes, e visto algumas pessoas se converterem à sua psicomagia diante de mim, não por que duvidar.
Jodô é um ator, um poeta e um sedutor. Cá entre nós, não sei se ele acredita na psicomagia enquanto magia. Mas tenho certeza de que ele acredita que funcione -- e que o mise en scène é essencial.
***
Lembrei muito de Moebius numa exposição que não o cita diretamente: Postmodernism - Style and Subversion, 1970-1990, que o V&A apresentou até o começo deste ano. Moebius não estava, mas Blade Runner estava, bem como vários de seus contemporâneos. O campo do pós-modernismo (o do design, da arquitetura) me parece um bom começo pra um estudo sobre a influência Moebius.
***
Entre idas e vindas, entre noites viradas e colunas semanais, a Zero Hora foi minha casa por cinco anos. Já fazia uns cinco que não colaborava com nada. Foi bom voltar por um dia. Obrigado, Araújo, Tic, Claudia, Feix, Lari e todos os outros que eu nem sei que se envolveram.
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Últimos dias
Marina Abramovic em "The artist is present"
Exposições
As aventuras da linha, de Saul Steinberg
Oneness, de Mariko Mori
Livro
Tree of Codes, de Jonathan Safran Foer
Quadrinhos
Optic Nerve # 12, de Adrian Tomine
Álbum
Fôlego, de Filipe Catto
Game
The artist is present
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sábado, 17 de setembro de 2011
Steinberg fala sobre o Brasil
"Certa vez, estive no Brasil e subi o rio Amazonas e estive em lugares muito curiosos, como Pernambuco, Rio, São Paulo. O que mais me impressionou aconteceu numa praia distante, acho que foi em Pernambuco, talvez no Recife. Primeiro, vi um bode verde, depois vi uma galinha verde, depois um cachorro verde. Era uma coisa misteriosa ver tantos bichos verdes. Acabei descobrindo a razão. Havia uma cerca recém-pintada. E os bichos tinham se esfregado na tinta da cerca. Foi o que mais me impressionou. Eu devia falar sobre a injustiça social no Brasil, sobre a arte, o clima, sobre situações glamurosas, como a minha exposição por lá. Mas o cachorro verde, a galinha verde, foram as coisas realmente essenciais."
Saul Steinberg, c. 1954(da exposição em cartaz na Pinacoteca)
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Comic-Con Strikes Again!
Douglas Wolk me conquistou há uns anos, quando li seu Reading Comics. Encontrei ali um poço de sensatez sobre histórias em quadrinhos. Não é sempre que isso acontece. Num mundo dominado por fãs, trabalho e paixão se confundem com muita facilidade. As coisas se misturam demais - editores viram jornalistas, jornalistas viram criadores, criadores viram donos de lojas e por aí vai. É uma promiscuidade que, verdade seja dita, faz parte desse universo - e que, no fim das contas, traz mais benefícios que prejuízos. Mas que, de qualquer forma, acaba minando a objetividade. (Eu estava falando do mercado americano, mas, ao reler, me dei conta de que a descrição se encaixa direitinho pro Brasil.)
Comecei a acompanhar o trabalho de Wolk - principalmente no New York Times, jornal no qual volta e meia ele escreve sobre quadrinhos no caderno dominical sobre livros. Também gosto muito de seus trabalhos hercúleos - como os blogs sobre a complexa série Final Crisis e sobre todas as HQs já publicadas do Judge Dredd.
Comic-Con strikes again! é seu novo livro. Um livrinho, na verdade, mais precisamente um Kindle Single, que é o formato de publicações rápidas para leitura digital, e que só estão à venda na Amazon mesmo.
O que Wolk faz é levar o leitor a um passeio pela San Diego Comic-Con. Eu nunca fui e, sinceramente, não tenho vontade de ir a passeio, como alguns amigos eventualmente sugerem. A trabalho, como todo mundo que eu conheço vai, seriam outros quinhentos. Mas como turismo me parece mais roubada que a 25 de Março em véspera de Natal. Wolk confirma minha intuição: descreve os horrores das filas, os cosplayers mais medonhos, os fanatismos que certamente me deixariam irritado. Mas também fala de novidades - mesmo pra quem, como eu, leio sobre a Comic-Con hpa anos. Foi pelo livro que fiquei sabendo de várias sutilezas que, provavelmente, nem estando lá eu veria, como a mesa dos primeiros colecionadores de gibis (algo que me lembrou dos leitores brasileiros de Tex).
Tenho a impressão de que o livrinho rápido e barato vai encantar tanto os leitores de quadrinhos quanto os espectadores de cinema, já que os dois acompanham cada vez mais de perto a Comic-Con. Também me parece que será uma leitura proveitosa pros jornalistas que cobrem entretenimento, porque dá uma ideia geral de um evento cada vez mais importante.
Dito tudo isso, chegamos ao que importa no post: os trechos de Comic-Con strikes again que separei pra compartilhar aqui:
"Comic-Con is a bacchanalian 100-hour orgy of fandom, and fandom is all about cathexis: investing one’s energy and identity in a particular idea or person or thing. The genius of the pop culture of the past century is that it’s turned extendable brands into the objects of cathexis. A piece of popular entertainment is almost never only itself: if you find yourself attracted to it, it leads you to invest yourself into it with the promise that there’s more where that comes from.""There are lines to get into the building, lines to get into panels and screenings, lines to buy 'limited-edition collectibles,' lines to get autographs, lines to get tickets to get autographs, lines to get food, lines to get across the street. There are lines to buy tickets for next year’s show. The first line you encounter is the very long one at the end of which you hand over your ticket. In return, they give you four things: a badge that gets you into the convention center; a 192-page catalogue of events, with a bound-in section of maps; a magazine with articles about a handful of show guests and media anniversaries; and the biggest goddamned shopping bag you have ever seen in your life, with a strap to convert it into a backpack so as to better display its billboard-sized ad for some movie or game or show.""If you’re making the kind of media that people wear T-shirts about, you need fans, and you need the biggest fans first.""These are the people who seek out their favorite artifacts of culture, and glom onto them, and live the life: reading, discussing, watching, rereading, thinking, decorating, dressing, collecting, rewatching, quoting, accessorizing. They post on message boards. They tweet. They tell their friends what they like. The fact that it’s now harder than ever to buy tickets to the show and get a flight to San Diego and arrange for a place to stay just means that the people who pull it off are the most committed of all, and the most valuable tastemakers.""These days, turning a comic book into a movie isn't enough; that happens all the time. The buzzword of Comic-Con 2011, the thing everybody in the business is talking about, is 'transmedia'.""Star Wars is our holy writ. Star Trek, oddly, has become camp now--the sort of thing that old-school fans used to like--especially thanks to William Shatner’s slow slide into cheerful self-parody. But Star Wars holds us together.""Every entertainment professional I know dreads Comic-Con at least a little bit, and most of them go anyway."
domingo, 4 de setembro de 2011
Últimos dias
Charlotte Free no Terry Richardon's Diary
Filmes
Revolução em Dagenham
Aconteceu em Woodstock
Livros
A página assombrada por fantasmas - Antônio Xerxenesky
Comic-Con strikes again - Douglas Wolk
Site / Uma garota
Música
Son of Chamber Symphonie - John Adams
Firework - Glee Project
TV
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Uma pequena decepção
Acabo de ler o álbum Combate Inglório, lançado por estes dias pela pequena e simpática editora Gal. E tenho que ser franco e dizer: não gostei.
Pode ser que minha expectativa estivesse nas alturas, porque elogios dos mais respeitáveis precederam minha leitura. E porque a Gal vem geralmente lançando bons títulos (como Mundo Fantasma, que nada mais é que a versão nacional do Ghost World do Daniel Clowes, e que recomendo com entusiasmo). E porque o tradutor é o meu querido amigo Delfin - cujo trabalho parece ter sido bem competente, diga-se de passagem.
(Update em janeiro de 2018: a Ghost World agora está com a Nemo.)
Combate Inglório é a edição brasileira de Blazing Combat, álbum que reúne os quatro únicos gibis da série de mesmo nome, que foi tirada de circulação nos anos 60, acusada de ser antiamericana e subversiva. Esse material ficou fora de circulação por décadas. Portanto, tem um valor histórico assegurado. Disso ninguém duvida.
Mas os roteiros me incomodam. Não é nem pela verborragia que marca as HQs americanas da época. Disso eu não gosto, mas OK, faz parte. O problema é outro: a sequência de histórias curtas com finais chocantes é cansativa, porque no terceiro ou quarto final chocante você não se choca mais. E aí dá-lhe história de guerra com final chocante que não choca. Veja bem: tenho certeza de que, pros adolescentes americanos dos anos 60, morrendo de medo de serem convocados pro Vietnã, era incrível. Mas nessas eu caí no sono duas vezes.
Aí vem a arte. São desenhos fabulosos. É o ponto alto de Blazing Combat. Se o roteiro ficou datado, a arte é um arraso. Tem Alex Toth, John Severin, Wally Wood, Al Williamson, uns caras de quem eu realmente curto o trabalho.
Mas aí, justamente aí, vem o ponto que mais me incomodou: a Gal conseguiu a façanha de publicar um álbum menor que o original da Fantagraphics. Em vez de 20 x 25 cm, 16,5 x 24 cm. Em vez de dar espaço pra arte respirar, de tratar como livro de arte, encolheu, sufocou, matou suas histórias.
Eu já tinha visto o álbum que deu origem à versão nacional numa livraria. Folheei, achei bonitaço e deixei lá, pensando justamente que a versão nacional estava a caminho. Então comprei o livro da Gal pela internet. Quando chegou, veio a decepção. Dá vontade de voltar lá, de devolver, de acrescentar mais R$ 2,60 nos R$ 42 que paguei pra trocar pela edição americana - ou de trocar por algo mais legal mesmo.
***
Na contracapa, há uma citação do meu muso Douglas Wolk. Ele não chega a fazer um elogio direto, só diz: "Acho saudável adolescentes terem acesso a quadrinhos bem escritos e bem desenhados sobre a guerra, desde que estes passem a mensagem de que a guerra é fútil, estúpida e sem sentido".
Fui atrás da citação original: é de uma lista de dez séries de quadrinhos que deveriam ser publicadas para sempre. A editora, naturalmente, não citou a parte que diz que não é por ele, e sim pelo bem comum, que Wolk fez sua escolha.
Isso resume bem o que penso sobre Combate Inglório: deve ser uma boa HQ pros outros. Mas não é pra mim.
sábado, 20 de agosto de 2011
Quando eu cresci
Quero fazer um alerta. É sobre uma história em quadrinhos chamada Quando eu cresci.
Essa HQ foi publicada no Brasil no mês passado pela Ática, que é uma editora imensa de livros didáticos, mas não tem uma força correspondente naquele clubinho que podemos chamar de, sei lá, circuito literário. Pra deixar claro: é quem está nesse meio que ganha destaque em resenhas em jornais e revistas, aparece nas vitrines de livrarias, é acompanhada com atenção pelos 837 brasileiros que leem. A culpa não é do tal circuito literário. A rigor, a Ática não tem um catálogo essencialmente instigante. Não que não tenha coisas boas: tem clássicos, tem infanto-juvenis de Marcos Rey e Pedro Bandeira, tem adaptações de clássicos para quadrinhos, tem antologias interessantes... Mas quase todo o catálogo, senão todo, é feito para outro ambiente: o da escola, dos professores, das vendas para alunos e para o governo. A roupagem paradidática acaba, a despeito do gigantismo, deixando-a em segundo plano quando sai desse meio. Nesse cenário, Quando eu cresci deve ser adotada por escolas, vendida pro governo, lida por milhares de crianças e adolescentes, e isso é fascinante.
Só que Quando eu cresci é uma das obras de ficção mais bonitas que li este ano. E, sendo da Ática, pode ser um pouco mais difícil de ter um contato com ela. Não estamos na escola, não somos professores, não temos contato com o catálogo da editora. Um dos reflexos disso é que, nas últimas semanas, não vi o livro em destaque nas livrarias. Nem nas lojas nem nos sites. Mas merecia.
De verdade: o trabalho de Pierre Paquet e Tony Sandoval não deveria ficar perdido nessa massaroca de paradidáticos.
É um álbum muito bonito, com uma arte poderosíssima, como o quadro que colei acima apenas sugere. Fala sobre um garoto de 11 anos, Pepe, que vagueia por vários lugares diferentes, e em cada um deles encontra personagens diferentes. Como essa jornada é meio mágica, onírica, tenho pra mim que Pepe é primo do Pequeno Príncipe e de Alice. No subtexto dessa viagem descontrolada, algo maior está acontecendo: o fim da infância. Acabo de ler e já tenho ganas de reler. É lindo demais.
O texto original foi traduzido pela Carol Bensimon, uma jovem escritora de imenso talento, e por isso não posso nem dizer que me surpreendo ao deparar com fluidez e delicadeza. Há esse trecho, que não por acaso aparece na história no quadro que abre este post, que eu gostaria de reproduzir aqui. É sobre Pepe descobrindo o amor, e é dito por uma mocinha linda que ele encontra na jornada:
"Para começar: é verdade, você tem razão. Ninguém sabe por que nos apaixonamos.
Por outro lado, o amor é como um grande horizonte. Um dia você chega ao topo das montanhas e está apaixonado. Pouco importam os altos e baixos dos seus sentimentos em relação ao dono do seu coração, desde que ele continue no alto, vendo o horizonte de cima.
No entanto, no dia em que você desce a montanha e fica abaixo da linha do horizonte, seu amor nunca mais será o mesmo... O verdadeiro se apagou, até que haja um novo encontro..."
Talvez o mais frustrante de fazer um comentário rasteiro sobre um trabalho admirável é que não dá pra dar conta de toda a obra. Não quero aqui fazer uma crítica, não quero entrar nos pormenores e explorar os significados riquíssimos de cada cena de Quando eu cresci - prefiro deixar espaço pra que vocês leiam e então possamos fazer isso juntos no futuro.
Quero apenas reforçar a existência da história de Pepe, e avisar amigos e passantes de que vale a pena procurar por essa HQ, e fazer de tudo para não relegá-la apenas às leituras obrigatórias das escolas. Comprem, se precisarem, leiam e, se gostarem, como acho que vão gostar, recomendem aos amigos, emprestem, deem de presente.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Bienvenido de volta

Cada vez que escrevo no blog, tenho que dizer que estou de volta, o que é uma chatice pra mim e pra vocês. Mais fácil assumir que este é um blog bissexto mesmo.
Mas o fato é que voltei pra avisar que nesta quinta, dia 20, vou mediar um papo entre dois caras muito bacanas: o Paulo Ramos, jornalista especializado em quadrinhos, e o Claudio Martini, editor da fabulosa Zarabatana Books.
O mote da mesa é Bienvenido (capa acima), baita livro sobre os quadrinhos argentinos escrito pelo Paulo, editado pelo Claudio e encapado com essa imagem matadora do Liniers. Claro que a ideia é falar dos quadrinhos argentinos como um todo.
Começa às 19h, na Fnac da Av. Paulista.
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sábado, 9 de agosto de 2008
É dublado, viu?
Aí eu tava com preguiça de ir até um cinema decente e teimei em ver Encarnação do demônio no Cinemark aqui perto de casa mesmo.
Claro que é estupidez. Cinemark é SEMPRE uma porcaria. E eu sabia disso.
Outro dia, fui, no intervalo do almoço, na primeira sessão do dia -- mas não tinha dado tempo de limparem a sala no intervalo de doze horas que separava a minha sessão da última do dia anterior. O chão estava coberto de pipoca. A sala cheirava a manteiga rançosa, e bem mais do que o habitual das salas da rede.
Mas aí eu cheguei na bilheteria:
-- Uma pra Encarnação do Demônio.
-- Inteira?
-- Inteira.
-- Pras treze e dez?
-- É.
-- É dublado, viu?
Aí eu dei graças a deus que estava no Cinemark. Se fosse em outro lugar, poderia estar numa sessão da Sociedade Italiana, por exemplo, antecipando a cópia que será exibida em Veneza.
Mas no Cinemark a gente sempre pode contar com o despreparo da equipe.
Por exemplo: vimos Quando os fracos não tem vez naquela mesma sala. Em fevereiro ou março, acho.
Com certeza é a mesma: uma bem pequena que eles guardam pra filmes a que o público deles não assiste
Na época, reclamei pro gerente que havia retângulos de luz que incidiam sobre a tela e atrapalhavam a imagem.
E o gerente ficou perplexo, achou um absurdo e disse que ia consertar imediatamente.
Hoje, passados tantos meses, os retângulos ainda estavam lá.
Aliás, a gente sempre pode contar com o público do Cinemark nos bons filmes. A catrefa de mascadores de pipoca simplesmente não entra nessas sessões.
Só tinha eu e mais outro sujeito na sala. E uma hora umas senhoras que cuidam da limpeza apareceram para ver (e comentar) uma cena especialmente herege.
É uma pena. Pena mesmo. Tomara que a situação tenha sido melhor em outras salas.
Porque o filme do Mojica é demais, claro.
De muitas formas, fala sobre tudo isso que está aí em cima. Depois de 40 anos na prisão, o Zé do Caixão sai para um mundo em que ele não se encaixa. Ele é monstruoso, pervertido, doentio, mas o resto é bem pior. A banda podre da polícia, por exemplo. Ou as milícias da favela. Ou os ruminantes de pipoca.
Aproveitando: tem que ler o Prontuário 666, do Samuel Casal. Tem quê.
O Samuel fez uma puuuuuta HQ que serve de prelúdio ao filme. Que conversa com o longa do Mojica e com excelente documentário O prisioneiro da grade de ferro, que é do Paulo Sacramento, não por acaso o produtor de Encarnação do demônio.
A trilha do filme está no MySpace.
Pra acabar: nunca fui o cara mais próximo do Dennison Ramalho, que é o co-roteirista, diretor-assistente e, pelo que ouvi falar, faz-tudo do filme.
A Cléo de Paris eu não vejo há zilhões de anos. E é por causa dessas dissonâncias que São Paulo faz com a gente e a gente teima em aceitar.
Mas estou muito, muito feliz pelos dois.
Claro que é estupidez. Cinemark é SEMPRE uma porcaria. E eu sabia disso.
Outro dia, fui, no intervalo do almoço, na primeira sessão do dia -- mas não tinha dado tempo de limparem a sala no intervalo de doze horas que separava a minha sessão da última do dia anterior. O chão estava coberto de pipoca. A sala cheirava a manteiga rançosa, e bem mais do que o habitual das salas da rede.
Mas aí eu cheguei na bilheteria:
-- Uma pra Encarnação do Demônio.
-- Inteira?
-- Inteira.
-- Pras treze e dez?
-- É.
-- É dublado, viu?
*
Aí eu dei graças a deus que estava no Cinemark. Se fosse em outro lugar, poderia estar numa sessão da Sociedade Italiana, por exemplo, antecipando a cópia que será exibida em Veneza.
Mas no Cinemark a gente sempre pode contar com o despreparo da equipe.
*
Por exemplo: vimos Quando os fracos não tem vez naquela mesma sala. Em fevereiro ou março, acho.
Com certeza é a mesma: uma bem pequena que eles guardam pra filmes a que o público deles não assiste
Na época, reclamei pro gerente que havia retângulos de luz que incidiam sobre a tela e atrapalhavam a imagem.
E o gerente ficou perplexo, achou um absurdo e disse que ia consertar imediatamente.
Hoje, passados tantos meses, os retângulos ainda estavam lá.
*
Aliás, a gente sempre pode contar com o público do Cinemark nos bons filmes. A catrefa de mascadores de pipoca simplesmente não entra nessas sessões.
Só tinha eu e mais outro sujeito na sala. E uma hora umas senhoras que cuidam da limpeza apareceram para ver (e comentar) uma cena especialmente herege.
É uma pena. Pena mesmo. Tomara que a situação tenha sido melhor em outras salas.
*
Porque o filme do Mojica é demais, claro.
De muitas formas, fala sobre tudo isso que está aí em cima. Depois de 40 anos na prisão, o Zé do Caixão sai para um mundo em que ele não se encaixa. Ele é monstruoso, pervertido, doentio, mas o resto é bem pior. A banda podre da polícia, por exemplo. Ou as milícias da favela. Ou os ruminantes de pipoca.
*
Aproveitando: tem que ler o Prontuário 666, do Samuel Casal. Tem quê.
O Samuel fez uma puuuuuta HQ que serve de prelúdio ao filme. Que conversa com o longa do Mojica e com excelente documentário O prisioneiro da grade de ferro, que é do Paulo Sacramento, não por acaso o produtor de Encarnação do demônio.
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A trilha do filme está no MySpace.
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Pra acabar: nunca fui o cara mais próximo do Dennison Ramalho, que é o co-roteirista, diretor-assistente e, pelo que ouvi falar, faz-tudo do filme.
A Cléo de Paris eu não vejo há zilhões de anos. E é por causa dessas dissonâncias que São Paulo faz com a gente e a gente teima em aceitar.
Mas estou muito, muito feliz pelos dois.
terça-feira, 22 de julho de 2008
Uns textos aí
A pedido do editor Cassius Medauar, escrevi recentemente dois textos para as publicações de quadrinhos da Pixel Media.
O primeiro é a introdução do álbum Planetary - Deixando o século 20, que compila histórias da elogiada série de Warren Ellis.
O outro acaba de chegar às bancas. Consta da nova edição da Pixel Magazine, e fala um pouco sobre o norte-americano Brian Azzarello como roteirista da série Hellblazer, protagonizada pelo mago inglês John Constantine.
Apesar de ter sido interpretado no cinema por Keanu Reaves uns anos atrás, e curiosamente retratado como um norte-americano, um dos principais traços de Constantine nos quadrinhos é sua natureza britânica. Isso fez com que, por muitos anos, seus autores fossem britânicos. Quando Azzarello assumiu, jogou-o nos Estados Unidos, e são essas as opções que comento.
O primeiro é a introdução do álbum Planetary - Deixando o século 20, que compila histórias da elogiada série de Warren Ellis.
O outro acaba de chegar às bancas. Consta da nova edição da Pixel Magazine, e fala um pouco sobre o norte-americano Brian Azzarello como roteirista da série Hellblazer, protagonizada pelo mago inglês John Constantine.
Apesar de ter sido interpretado no cinema por Keanu Reaves uns anos atrás, e curiosamente retratado como um norte-americano, um dos principais traços de Constantine nos quadrinhos é sua natureza britânica. Isso fez com que, por muitos anos, seus autores fossem britânicos. Quando Azzarello assumiu, jogou-o nos Estados Unidos, e são essas as opções que comento.
domingo, 6 de abril de 2008
Basquiat e mais filmes
Notei que venho falando pouco de cinema por aqui ontem à noite, quando enfim vi o ótimo Basquiat. Grande filme, por sinal, com uma bela trilha sonora. Importamos via Amazon, junto com o Downtown 81.
Deixei passar outros belos filmes que passaram aqui por casa. Dois deles são divertidíssimos: Hairspray e Superbad - É hoje (e depois eu troquei meu nick no MSN por "McLovin" por uma semana depois).
Planeta terror, do Robert Rodrigues, tem seu charme, em especial no falso trailer de Machete. Mas eu já estou cansando de ver zumbis por todos os cantos.
Tekkonkinkreet é um animê fabuloso, que se passa numa Paris japonesa futurista. O desenho é baseado no mangá Preto & Branco, que a Conrad lançou em 2001. E passou batido!
Acho que nem House, eu comentei. E olha que acabei vendo três temporadas em um mês!
Deixei passar outros belos filmes que passaram aqui por casa. Dois deles são divertidíssimos: Hairspray e Superbad - É hoje (e depois eu troquei meu nick no MSN por "McLovin" por uma semana depois).
Planeta terror, do Robert Rodrigues, tem seu charme, em especial no falso trailer de Machete. Mas eu já estou cansando de ver zumbis por todos os cantos.
Tekkonkinkreet é um animê fabuloso, que se passa numa Paris japonesa futurista. O desenho é baseado no mangá Preto & Branco, que a Conrad lançou em 2001. E passou batido!
Acho que nem House, eu comentei. E olha que acabei vendo três temporadas em um mês!
quarta-feira, 12 de março de 2008
Pilhas e listas
Simplesmente não dou conta de fazer tudo. Ontem à noite, saí da agência com uma lista de quinze tarefas por fazer. Ao longo do dia, cumpri duas. Saldo no começo da noite: vinte itens. Me dou conta agora que tenho que incluir mais dois livros (300 páginas cada) na lista. Prognóstico: vamos, eu e a lista, entrar em colapso nos próximos dias.
Fora da agência, ainda tem um projeto que vai começar a rolar. São mais dois livros que chegaram aqui. Nem comecei.
Estou na página 40 de Na pior em Paris e Londres, o proto-blog literário que George Orwell fez enquanto passava fome em meados do século passado.
As pilhas de livros só aumentam.
As de quadrinhos, pior ainda.
Aliás, nem comentei aqui as últimas resenhas que fiz. E olha que tinha coisas bacanas no meio, como A força da vida, do Will Eisner, e Pride of Baghdad, que é uma espécie de Persépolis com leões falantes.
E Persépolis é um filme bacana, hein?
Enfim, enfim. Nem eu agüento mais esses posts cheios de desculpas para a escassez de posts. Mas é a vida. E é assim que eu gosto.
Fora da agência, ainda tem um projeto que vai começar a rolar. São mais dois livros que chegaram aqui. Nem comecei.
Estou na página 40 de Na pior em Paris e Londres, o proto-blog literário que George Orwell fez enquanto passava fome em meados do século passado.
As pilhas de livros só aumentam.
As de quadrinhos, pior ainda.
Aliás, nem comentei aqui as últimas resenhas que fiz. E olha que tinha coisas bacanas no meio, como A força da vida, do Will Eisner, e Pride of Baghdad, que é uma espécie de Persépolis com leões falantes.
E Persépolis é um filme bacana, hein?
Enfim, enfim. Nem eu agüento mais esses posts cheios de desculpas para a escassez de posts. Mas é a vida. E é assim que eu gosto.
sábado, 19 de janeiro de 2008
Irmãos Grimm
Esta semana foi bem puxada, bem como a será a próxima. Mas consegui ler, à noite, pouco a pouco, Irmãos Grimm em quadrinhos, que a Desiderata lançou no fim do ano passado.
É um livro de 176 páginas com versões de contos europeus feitas por quadrinhistas brasileiros que atuam em um cenário mais independente e em fanzines e revistas como a 76% Graffiti -- mas não são exatamente uma nova geração, como tá na capa.
Entre eles, estão velhos amigos deste blog, como o Carlos Ferreira e o Odyr. Aliás, a imagem acima é um trecho da abertura do conto do Odyr.
O resultado é bem impressionante: HQs rápidas, uma boa dose de experimentação, artes incríveis e, como os contos são baseados nas versões originais, bastante violência e demência.
domingo, 2 de dezembro de 2007
Festival Jodorowsky
Ontem passei a tarde e um bocado da noite no Centro Cultural Banco do Brasil, assistindo à programação do Festival Jodorowsky. Daqui a pouco me toco pra lá de novo -- quero ver ao menos O Ladrão de Arco-Íris, que é o filme mais comercial dele.
Jodorowsky é um desses autores supercultuados por pouquíssima gente e completamente ignorado pela multidão. Transita com certa desenvoltura por diversas áreas.
Na literatura, faz poemas e romances -- o único que saiu no Brasil é o excelente Quando Teresa Brigou com Deus.
Nos quadrinhos, fez a série Incal e seus derivados (Antes do Incal 2 ganha sessão de autógrafos na quarta). Um de seus trabalhos mais recentes é a excepcional Bórgia, com desenhos de Mil Manara.
Jodorowsky também é ocultista. Restaurou o Tarot de Marselha, por exemplo.
Também foi fundador do Teatro Pânico, com Fernando Arrabal.
Seu cinema, foco maior dessa mostra do CCBB, é uma junção de tudo isso, de certa forma. Se suas obras espalhadas ajudam a construir um mundo jodorowskiano, o cinema é a concretização mais completa disso: ele atua, compõe, escreve e dirige. Mas, mais que isso, impõe o seu ritmo. Não acompanhar Jodorowsky e perder-se no Incal, por exemplo, é natural. Mas a HQ permite a releitura imediata e fragmentada. O cinema e sua necessidade de um fluxo narrativo contínuo me parece mais próximo da forma como o artista de fato se comunica.
Bem, vou lá. Só não chamo vocês porque não precisa: as sessões de ontem estavam absolutamente lotadas. ;)
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segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Sidney Harris e o novo Graal
Descobri a existência do Sidney Harris dias atrás, quando por acaso tropecei na Cultura com a ótima antologia de cartuns dele que a editora da Unesp está lançando. O cara é especializado em fazer humor com ciência, vejam só. Ri de temas como nanotecnologia e psiquiatria. É uma delícia. E, ainda por cima, perfeito para anunciar o novo Graal deste blog, que os mais atentos já captaram no título desengraçadinho: a busca de identidade.
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