sábado, 6 de outubro de 2007

Coisas que o James Watson aprendeu na vida

O cara aí ao lado é o James Watson, o pesquisador que disse que o DNA tinha formato de hélice e se tornou um dos grandes pioneiros da pesquisa genética. Ele está lançando um livro este mês que é uma mistura de biografia com aprendizados que a vida de cientista lhe concedeu. O título é sensacional: Avoid Boring People.

A última edição da revista Technology Review, do MIT, trouxe um trecho do livro e seis aprendizados sobre pesquisa (registre-se, oras, é a revista do MIT de graça, seu vagal!) que me parecem fundamentais para quem lida com pesquisa. No artigo, eles estão mais desenvolvidos, mas resolvi trazer pra vocês a síntese da síntese:

1. Escolha um objetivo aparentemente à frente do seu tempo.

2. Só trabalhe em problemas quando você sentir que o sucesso será tangível dentro de alguns anos.

3. Nunca seja a pessoa mais brilhante da sala (permitam-me um adendo aqui: ele diz que o Linus Pauling, que era o gênio da Química da época, teria descoberto a forma do DNA antes dele se não fosse tão arrogante).

4. Fique perto dos seus adversários intelectuais.

5. Trabalhe com um time que tem o mesmo nível intelectual que você (e outro adendo: mas que tenha conhecimentos diferentes).

6. Sempre tenha alguém pronto para salvá-lo (porque estar à frente do seu tempo exige alguém pra apoiar as cabeçadas que você vai dar).

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Tropa de Elite no cinema

Acabei de chegar de uma sessão do Tropa de Elite no cinema. Não tinha visto em DVD. Nem naquele link do Youtube -- que saiu do ar, mas antes reuniu toda a sorte de comentários medonhos que falavam muito sobre este Brasilzinho.

É curioso: todo mundo fala das drogas, do quanto o tráfico fode com tudo, mas passou meio batido o fato de que os vendedores de DVDs piratas, responsáveis pela divulgação precoce e acelerada do filme, alimentam o mesmíssimo sistema criminoso.

Logo, não adianta só o amigo aí parar de se chapar. O troço se alastra pelo simpático barzinho que faz o jogo do bicho, pela loja de grife bacanésima que lava dinheiro, pelos iPods baratinhos do site de leilões, pelo cursinho que faz vista grossa pro ecônomo do bar que vende maconha e por aí vai.

E, enfim, o problema é que, neste país, a sensação que dá é que a gente tem é que parar com o país todo pra resolver a situação.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Aliens in America


Pára tudo!

A estréia de Aliens in America é uma das mais promissoras que as séries de TV norte-americanas nos mostram em anos. A história não tem nada a ver com ETs. Ou tem: o ET no caso é Raja, um intercambista paquistanês que vai passar um ano na casa de uma família dos subúrbios norte-americanos para conviver com o jovem loser Justin.

O primeiro episódio lembra até o monumental Anos Incríveis -- é, de cara, são leve e divertido, mas deixa uma gigantesca brecha para chafurdar em tudo o que é importante.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Peek-a-Boo

Outro dia, o Carlos Ferreira mandou um e-mail. Disse que a antológica Peek-a-Boo tá de volta, agora em blog. Eu me enrolei e não falei aqui nem em lugar nenhum. Mas é uma das boas novas do ano.

Wired Science

A Wired é foda porque quase todo mês eu penso "Ok, chega, já deu, tá batida" pra, em seguida, ela vir com um punhado de matérias que realmente fazem a diferença.

E hoje a revista virou um programa de TV. Hoje mesmo. A estréia recém rolou.

Meu fastio amigo já veio me dizendo: "Lá vem mais um enfadonho Mundo de Beakman para adultos". Mas os filhos da mãe me ganharam logo no primeiro bloco, com o ensaio de ciberguerra que rolou na superconectada Estônia.

Daí pra frente vai que é uma beleza.


terça-feira, 2 de outubro de 2007

50 anos de Sputnik e o paudurismo espacial

Quinta agora completam-se os 50 anos em que a pequena Sputnik foi para o espaço e deu o chute inicial na Era Espacial, e a imprensa lá fora já larga seus primeiros textos. Tanto o New York Times (em português no G1) quanto a Economist saíram com matérias que reforçam a tese de que a corrida espacial foi o mais caro "o meu é maior que o seu" da história. Numa metáfora digna do pior freudianismo de botequim, astronautas e cosmonautas tiveram seus pintos medidos publicamente, mas no fim das contas quem comeu e gozou foram os governos. Cada publicação dá suas cores e sua leitura particular, claro, mas é curioso ver que é justamente no falo (eu disse "falo") político que elas convergem.

É fato (agora eu disse "fato") que hoje não temos carros voadores nem casa de veraneio na Lua, mas ao menos rola um Google Earth. O mesmo Google que vai tentar tomar a lua para si e, possivelmente, transformá-la em um loteamento patrocinado daqui uns anos.

Contos do Quintal


Taí um convite (clique para ler) meio sem sentido, porque domingo eu nem vou estar em São Paulo e, portanto, não irei ao lançamento.

Mas o fato é que há um desenho meu no livro Contos do Quintal, que sai neste sábado pela Editora Globo. O volume reúne histórias escritas por vários escritores, cada uma acompanhada de uma ilustração de um artista diferente. O projeto é da Revista Crescer.

Meu desenho foi feito para uma história do mano Fabrício Carpinejar e repete o clima do outro livro que fizemos juntos, Porto Alegre e o Dia em que a Cidade Fugiu de Casa, que por sinal está à venda de novo (aproveite que não é sempre que tem!). Esse sim é todo escrito pelo Fabrício e desenhado por mim de alto a baixo com as adoráveis tintas nanquim escolar.

O Contos do Quintal ainda não está nas livrarias, mas, assim que entrar, eu aviso.

Phone Home

Não sou muito de repercutir as notícias do Blue Bus, até porque fico com a impressão de que todo mundo já leu. Por isso, não leiam este post como uma notícia, por favor, e sim como um louvor a uma idéia sensacional.

Ainda Orangotangos


Semana que vem começa a temporada de lançamentos de Ainda Orangotangos, livro do Paulo Scott que era do catálogo da Livros do Mal, mas ganha nova edição pela Bertrand. Os dados estão todos no convite aí em cima -- clica que aumenta.

Quando esses contos saíram pela primeira vez, escrevi na Zero Hora sobre a importância deles: está ali o primeiro registro ficcional de que a noite de Porto Alegre se mudou do Bonfim para a Cidade Baixa. É o Êxodus da literatura gaúcha contemporânea, até porque trocar a Lancheria do Parque pelo Ossip é um processo social bem mais complexo do que parece.

(A propósito: o Gustavo Spolidoro fez um filme baseado no livro. Já está rolando pelos festivais.)

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Mind the gaps


Foto de Mauricio Alejo, da Wired
Este artigo da Wired é interessantíssimo. Fala sobre a dinâmica da pesquisa científica, acostumada a publicar os acertos e esconder os erros -- e sobre a preciosidade de informações que os gaps escondem.

Na real, isso tem a ver com ciência, mas também com a vida da gente. É com os erros que a gente aprende, já martelava o velho Pavlov.

No fim das contas, quem tem razão é o metrô de Londres.