O admirável velho mundo das editoras não contava com um fatorzinho pequeno, mas significativo, na hora de esconder os segredos do novo Harry Potter: a humanidade não é feita só por gente que concorda com as restrições impostas pelos contratos.
Além disso, os contratos de embargo são garantidos pelo dono das livrarias, não pelo mocinho contratado anteontem para ser guarda do depósito. Quem cuida das caixas lacradas pode até ser demitido, o que provavelmente não seja bom, mas ele tem muito menos a perder do que um Jeff Bezos da vida, que terá que pagar multas e ouvir encheção de saco da Scholastic pelo resto da vida. Com o sistema de seguro-desemprego de alguns países desenvolvidos, o sujeito pode até sair lucrando.
Num mundo em que piratear virou cool, espalhar um segredo milionário como Harry Potter incendeia a vocação de alpinista de reality show emprenhada na população. Esse carinha que fotografou o Potter virou o fodão da turma, com certeza.
E o ego de um único sujeito arrasou com uma estratégia milionária anti-pirataria.
Harry Potter não só vazou na internet, como também já está à disposição pra quem souber procurar, e talvez essa seja a maior lição que O Diabo Veste Prada nos deixou. O New York Times de hoje saiu com resenha e tudo, feita a partir de um exemplar comprado em Nova York. E a verdade é que, mais uma vez, o velho jornalão mostra que não é o que é por acaso: sumo-sacerdote da imprensa escrita, lida com o admirável mundo novo melhor do que muito site por aí.
quinta-feira, 19 de julho de 2007
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Promethea
Seguinte, macacada: tá nas bancas a Pixel Magazine 4, aquela revista bacana que publica HQs Vertigo e Wildstorm a R$ 9,90 todo mês.
Sei lá se você estava comprando desde o primeiro número, que eu cheguei a recomendar por aqui. Azar se não tava -- perdeu umas histórias legais.
Mas agora a situação é outra.
A partir de agora, tem Promethea.
Promethea é um troço de babar. É um dos melhores trabalhos que o Alan Moore já fez. Talvez seja o melhor. De super-herói, se é que dá pra chamar assim, é o melhor. Sem dúvida. Até porque o J.H. Williams III, que já era um bom artista, faz o seu melhor trabalho.
E isso é bom de explicar: o J.H. William III era ótimo. Mas aí caiu Promethea no colo dele. E ele foi melhorando. E melhorando. E daqui a pouco você nem reconhece mais o artista do começo: ele virou um gênio.
A última edição é um pôster que pode ser lido em qualquer ordem. A imagem que abre o post é de um dos lados. Ver na íntegra é um troço de chorar.
Se eu fosse vocês, começaria a ler Promethea agora mesmo.
terça-feira, 17 de julho de 2007
E viva Marvel Max!
Olha que curioso.
Diz que a TV Cultura passou no domingo, ali pelas 21h, um teleteatro do Mário Bortolotto: Billy, A Garota. Tinha, lá pelas tantas, umas cenas de strip tease, suicídio, essas coisas.
Mas TV, mesmo estatal, teria que cumprir a tal da classificação indicativa, que é um troço pra lá de polêmico, ainda mais quando o alvo é um trabalho sério como o do Marião.
E deu que a Fundação Padre Anchieta acabou divulgando uma nota pedindo desculpas por exibir teatro na TV, o que é de uma bizarrice medonha.
Saia justa e tal, constrangimento provável entre as partes e tal.
E aí sai o foco deste post, que é a matéria que saiu na Folha Online. Leiam lá no final a citação de um tal Marc Guggenheim, que o texto não diz quem é, mas que o jornalista dá a entender que seria uma citação anti-censura.
Na verdade, Marc Guggenheim é o autor de Hipérion vs. Falcão Noturno, uma minissérie que começou neste mês na revista Marvel Max -- por sinal, em ótima fase, bastante recomendável.
Guggenheim usa a HQ para denunciar a violência brutal contra os não-muçulmanos em Darfur, no Sudão, que já teria matado aproximadamente 400 mil pessoas, e tem apoio não-declarado mas exaustivamente comprovado do governo.
Daí a citação:
"A humanidade demonstrou uma capacidade histórica para a brutalidade. Mas não sem razão. Os Janjaweed usam o medo como arma, como forma de controlar a população. Quanto mais primitivo o medo, mais eficiente o controle. E quanto mais impensáveis as atrocidades, mais primitivo o medo".
A especulação do repórter não ficou tenebrosa?
Diz que a TV Cultura passou no domingo, ali pelas 21h, um teleteatro do Mário Bortolotto: Billy, A Garota. Tinha, lá pelas tantas, umas cenas de strip tease, suicídio, essas coisas.
Mas TV, mesmo estatal, teria que cumprir a tal da classificação indicativa, que é um troço pra lá de polêmico, ainda mais quando o alvo é um trabalho sério como o do Marião.
E deu que a Fundação Padre Anchieta acabou divulgando uma nota pedindo desculpas por exibir teatro na TV, o que é de uma bizarrice medonha.
Saia justa e tal, constrangimento provável entre as partes e tal.
E aí sai o foco deste post, que é a matéria que saiu na Folha Online. Leiam lá no final a citação de um tal Marc Guggenheim, que o texto não diz quem é, mas que o jornalista dá a entender que seria uma citação anti-censura.
Na verdade, Marc Guggenheim é o autor de Hipérion vs. Falcão Noturno, uma minissérie que começou neste mês na revista Marvel Max -- por sinal, em ótima fase, bastante recomendável.
Guggenheim usa a HQ para denunciar a violência brutal contra os não-muçulmanos em Darfur, no Sudão, que já teria matado aproximadamente 400 mil pessoas, e tem apoio não-declarado mas exaustivamente comprovado do governo.
Daí a citação:
"A humanidade demonstrou uma capacidade histórica para a brutalidade. Mas não sem razão. Os Janjaweed usam o medo como arma, como forma de controlar a população. Quanto mais primitivo o medo, mais eficiente o controle. E quanto mais impensáveis as atrocidades, mais primitivo o medo".
A especulação do repórter não ficou tenebrosa?
O título óbvio de sempre
É a hora, senhoras e senhores: podem usar seu clichê favorito advindo da obra de Garcia Márquez!
Tem um aeroporto no meio da cidade. No meio.
Os aviões passam aqui pela minha cabeça. Decolam no meio de prédios, vejo aqui da minha janela.
Uma hora, ia dar uma merda. Mais cedo ou mais tarde, algo grande ia acontecer. E deu no que deu.
Olhando friamente, o acidente nem foi tão grave: não caiu em cima de uma escola lotada de crianças, não destruiu um punhado de prédios pelo caminho, não explodiu nenhum shopping.
É óbvio que foi uma tragédia. Coisa que ainda nem sei o quanto me atinge diretamente, porque é evidente que conheço gente daqui de São Paulo, mas também de Porto Alegre. Conhecendo a cidade de que venho, há boas chances de ter algum conhecido mais próximo do que o deputado Júlio Redecker, com quem topei uma ou duas vezes.
Mas, mesmo antes de saber tudo, mesmo antes de qualquer lista, é bom lembrar que todo mundo que mora em São Paulo já pensou no risco que é ter Congonhas aqui pertinho. E todo mundo também acha um saco ir até Guarulhos.
Congonhas aqui ao lado é cômodo. A distância de Guarulhos se agrava com o trânsito. Até hoje, mesmo com o acidente do Fokker 1o0, onze anos atrás, estávamos pagando pra ver.
Haverá, naturalmente, mais um movimento para se reduzir ferozmente o uso do aeroporto recém-reformado. É um assunto reincidente. Num chute, eu diria que os vôos vão reduzir.
Mas há algo que me faz crer que tudo pode ficar como está. São Paulo nos seduz a pagar pra ver. Paga-se para ver qual será o efeito da poluição e do stress nos nossos corpos, o que as horas gastas no trânsito representam, o que significa viver numa cidade que ama o consumo.
Pagar pra ver é o que se faz em São Paulo o tempo todo. Não duvido que a gente pague pra ver o que acontece se Congonhas continuar operando.
Tem um aeroporto no meio da cidade. No meio.
Os aviões passam aqui pela minha cabeça. Decolam no meio de prédios, vejo aqui da minha janela.
Uma hora, ia dar uma merda. Mais cedo ou mais tarde, algo grande ia acontecer. E deu no que deu.
Olhando friamente, o acidente nem foi tão grave: não caiu em cima de uma escola lotada de crianças, não destruiu um punhado de prédios pelo caminho, não explodiu nenhum shopping.
É óbvio que foi uma tragédia. Coisa que ainda nem sei o quanto me atinge diretamente, porque é evidente que conheço gente daqui de São Paulo, mas também de Porto Alegre. Conhecendo a cidade de que venho, há boas chances de ter algum conhecido mais próximo do que o deputado Júlio Redecker, com quem topei uma ou duas vezes.
Mas, mesmo antes de saber tudo, mesmo antes de qualquer lista, é bom lembrar que todo mundo que mora em São Paulo já pensou no risco que é ter Congonhas aqui pertinho. E todo mundo também acha um saco ir até Guarulhos.
Congonhas aqui ao lado é cômodo. A distância de Guarulhos se agrava com o trânsito. Até hoje, mesmo com o acidente do Fokker 1o0, onze anos atrás, estávamos pagando pra ver.
Haverá, naturalmente, mais um movimento para se reduzir ferozmente o uso do aeroporto recém-reformado. É um assunto reincidente. Num chute, eu diria que os vôos vão reduzir.
Mas há algo que me faz crer que tudo pode ficar como está. São Paulo nos seduz a pagar pra ver. Paga-se para ver qual será o efeito da poluição e do stress nos nossos corpos, o que as horas gastas no trânsito representam, o que significa viver numa cidade que ama o consumo.
Pagar pra ver é o que se faz em São Paulo o tempo todo. Não duvido que a gente pague pra ver o que acontece se Congonhas continuar operando.
sábado, 14 de julho de 2007
Pela extinção da CPMF
"Mais uma vez, a solidariedade e a generosidade do povo brasileiro assimilaram a CPMF, um novo custo direto. A CPMF era apenas provisória. Mas, o tempo passou e lá se vão 11 anos desde a sua criação. No ano seguinte ao do surgimento da contribuição, a carga tributária brasileira foi quase de 27% do PIB. Já em 2006, havia crescido e atingido 33,7% do PIB. Ou seja, uma década depois do surgimento da CPMF estamos pagando cerca de mais sete pontos percentuais de impostos sobre o PIB. E não se recebe esse montante, nem de longe, em serviços do Governo."A Fiesp armou um abaixo-assinado a favor da extinção da CPMF que já conta com 116 mil assinaturas. O trecho acima faz parte do manifesto que o acompanha. Para participar, assine aqui.
Não chega a ser uma Queda da Bastilha, mas vá lá, é algo bem decente a ser feito.
sexta-feira, 13 de julho de 2007
Um habib's por seus pensamentos
O Pilla tem um novo blog. Mas ele nunca conta pras pessoas. Então cabe aos outros descobrir e espalhar.
domingo, 8 de julho de 2007
sábado, 7 de julho de 2007
Scott Morse no Brasil
Scott Morse, esse artista brilhante, era inédito no Brasil até a semana passada, quando A Pistola Volcanic saiu na Festcomix. Inédito em quadrinhos, no caso, porque no Cartoon Network ele já tinha aparecido em A Vaca e o Frango. Suspeitei também que tivesse saído algum material dele nos especiais de Hellboy, mas necas. Na real, o cara é pé frio com o Brasil -- mesmo quando se mete em séries mais mainstream, como o genial Plastic Man e até mesmo Mulher-Gato, não sai!
Aí eu fucei no site dele e achei esse desenho do Superman. Simbólico, porque o Superman é um troço simples, arquetípico, então tem espaço pra bons criadores brilharem. O que o Scott Morse fez é de babar. Acho que dá pra entender o quão foda é A Pistola Volcanic se você fechar os olhos, imaginar Superman e, quando abrir, deparar com a imagem aí de cima.
Escrevi uma resenha, mas não é algo que se fale em resenha, porque seria ignorância do lado econômico da vida. Mas aqui, entre amigos, rola na boa: a melhor coisa que aconteceu pra Devir foi perder a Vertigo. De lá pra cá, eles só publicaram coisa boa.
Dead Earth
"Next year I am going to launch a festival called DEAD EARTH. Andyet, weirdly, it will have a smaller carbon footprint than Live Earth.Because the only way I could achieve a larger carbon footprint than Live Earth would be to drop an asteroid on Australia. And that's justa little outside the range of my capabilities right now.Still, it's good to have ambitions."
Warren Ellis, autor de Planetary, entre outros quadrinhos, em seu adorável boletim por e-mail.
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Resenhas em semaninha do mal
Nesta semana conturbada, vão aí as seis resenhas pro Universo HQ feitas, por sinal, no fim de semana passado:
A Saga do Monstro do Pântano - A história espetacular do Monstro do Pântano de Alan Moore. Basicamente, é o recomeço dos quadrinhos norte-americanos.
Grandes Astros - Superman 6 - Smallville para Grant Morrison.
Samurai Executor 1 - Mangá novo por aqui dos autores de Lobo Solitário (mas, no Japão, saiu antes de Lobo). Por enquanto, tão sensacional quanto o antecessor.
Sete Soldados da Vitória 3 - Série cada vez mais incrível do Morrison. Inteligência coletiva em quadrinhos. Invisibles para Dummies. Sei lá.
Snoopy - Feliz Dia dos Namorados - O segundo da L&PM, com tradução da Cássia. Tem aqui. E o terceiro volume já tá aqui.
Superman & Batman 24 - Escrevi enumerando. Tem coisas bacaninhas perdidas no meio dessa revista, viu?
A Saga do Monstro do Pântano - A história espetacular do Monstro do Pântano de Alan Moore. Basicamente, é o recomeço dos quadrinhos norte-americanos.
Grandes Astros - Superman 6 - Smallville para Grant Morrison.
Samurai Executor 1 - Mangá novo por aqui dos autores de Lobo Solitário (mas, no Japão, saiu antes de Lobo). Por enquanto, tão sensacional quanto o antecessor.
Sete Soldados da Vitória 3 - Série cada vez mais incrível do Morrison. Inteligência coletiva em quadrinhos. Invisibles para Dummies. Sei lá.
Snoopy - Feliz Dia dos Namorados - O segundo da L&PM, com tradução da Cássia. Tem aqui. E o terceiro volume já tá aqui.
Superman & Batman 24 - Escrevi enumerando. Tem coisas bacaninhas perdidas no meio dessa revista, viu?
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