Outro dia passei pela Augusta, um quarteirão abaixo do Espaço Unibanco, e vi a plaqueta que indicava a venda de kebabs. Guardei a informação pra mais tarde, um pouco ressabiado, porque tem um mexicano no mesmo estilo perto dali que foi uma decepção bem recentemente. Mas, ainda assim, a idéia de kebabs na Augusta não tinha sido descartada.
Esta semana, a Gabriela Yamaguchi elogiou tanto que decidimos ir ontem.
Pois o Kebab Salonu (Augusta, 1416) é de fato fantástico. Excelente comida a preços moderados. "Não somos fast food", diz o cardápio, apesar da disposição arquitetônica de lá.
Se quiser seguir nossos caminhos pré-aprovados, peça sharbats (água mineral com gás e xarope, que viram uma espécie de refrigerante com sabores como tamarindo, tâmara, rosas e damasco) e kebabs Indiano e Döner de carneiro. Mas é bom avisar: as opções são tantas e parecem tão saborosas que, quando voltarmos, provavelmente provaremos outros pratos.
domingo, 30 de setembro de 2007
Aleijadinho e Seu Tempo: Fé, Engenho e Arte

A mostra Aleijadinho e Seu Tempo: Fé, Engenho e Arte está chegando a seus últimos dias no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo. Fecha dia 14 de outubro. Eu fui ontem.É um trabalho de vulto do curador Fábio Magalhães, que traz algumas peças do escultor a São Paulo (ainda terei que ir a Minas pra apreender a grandeza da obra do cara), mas que tem uma força didática imensa. A exposição é calcada no artista, mas também no que acontecia à sua volta: no subsolo, há ex-votos mineiros (que não são reproduções de membros, e sim pinturinhas com pedidos), mapas fabulosos e relicários. No terceiro andar, estão trabalhos de artistas como Francisco Xavier de Brito, Mestre Piranga e Mestre Athayde, que servem para lembrar que Aleijadinho não era o único ser brilhante do barroco mineiro.
A obra de Aleijadinho em si está distribuída por dois andares: o térreo, que abriga peças imensas e reproduções, e uma sala do segundo andar, de onde as fotos que ilustram este post foram roubadas (acontece que não há indicação de que é proibido fotografar as obras, o que faz com que os pobres seguranças tenham que abordar as pessoas o tempo todo).
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
Innocent 100% reciclada
A Innocent acaba de lançar a primeira garrafa de plástico 100% reciclado (e 100% reciclável) do mundo. Por enquanto, são quatro sucos vendidos na embalagem, que é completamente revolucionária. Mas, ano que vem, todos os produtos da empresa inglesa sairão da fábrica nessas garrafinhas.
Depois o povo olha estranho quando eu digo que Innocent é a marca mais foda que surgiu nos últimos anos.
Depois o povo olha estranho quando eu digo que Innocent é a marca mais foda que surgiu nos últimos anos.
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quinta-feira, 27 de setembro de 2007
"Acha que isso se justifica?"
O vídeo acima está circulando em vários sites (incluindo o Blue Bus). O ex-ministro português Santana Lopes dá uma porrada na apresentadora do SIC Notícias e, de quebra, uma grande aula de jornalismo e civilidade.
Imperdível.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Mojica 50 anos
Vai rolar logo mais uma grande homenagem ao grande mestre José Mojica Marins, que comemora 50 anos de carreira, no Centro Cultural Banco do Brasil -- tanto em São Paulo quanto no Rio. Uma das atrações é a exibição do inédito A Praga, filmado em 1980, mas considerado perdido até 2004, quando o material foi encontrado.
E tem mais retrospectiva da obra e aquela coisa toda, até porque o novo filme do Zé do Caixão, Encarnação do Demônio, estréia até o fim do ano.
No Rio, começa em 9 de outubro, no CCBB. São Paulo recebe a restrospectiva depois, a partir de 10 de novembro, no CCBB e na Cinemateca.
E tem mais retrospectiva da obra e aquela coisa toda, até porque o novo filme do Zé do Caixão, Encarnação do Demônio, estréia até o fim do ano.
No Rio, começa em 9 de outubro, no CCBB. São Paulo recebe a restrospectiva depois, a partir de 10 de novembro, no CCBB e na Cinemateca.
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Doomsday e os clones
Artistas do passado são freqüentemente condenados por suas escolhas equivocadas, como se a habilidade de pintar, escrever um livro ou fazer um filme desse a capacidade de avaliar o que o futuro nos reserva. Volta e meia alguém é condenado por conta de tomar uma atitude comum em seu tempo. Nessas caças às bruxas, Hergé teve seu Tintim acusado de racismo, Shakespeare foi um porco machista e por aí vai.
Engraçado que a gente tende a pensar que atitudes assim ficaram no passado e que estamos no auge da iluminação humana. Mas é só ver Superman: Doomsday
pra ver que não é nada disso.
Doomsday é um longa-metragem em animação que saiu nos Estados Unidos semana passada, inaugurando uma linha de desenhos voltados para adultos da DC Comics que sairão diretamente em DVD.
A história mostra uma trama já conhecida do público em geral: a morte do Superman, que é provavelmente a HQ mais badalada das últimas décadas. O filme tem algumas diferenças em relação à revista, mas o centro da história é o mesmo (se você não quer estragar o final, pare de ler aqui mesmo): o monstro Doomsday surge do nada, mata Superman, surge um impostor clonado para, só então, Superman voltar à vida.
Pra um desenho animado de super-herói, a história é bem violenta. Tem pancadaria e sangue pra valer. E isso inclui a cena que eu queria citar: um massacre de clones. Clones morrem no filme como se não tivessem direito algum à vida.
Claro que a proximidade da clonagem humana vão se acirrar as discussões, mas tendo a supor que, num futuro qualquer, matar clones será tão imoral quanto matar seres humanos. Portanto, anotem aí: Doomsday será acusado de promover a histeria numa era de barbárie -- estes dias em que vivemos.
Engraçado que a gente tende a pensar que atitudes assim ficaram no passado e que estamos no auge da iluminação humana. Mas é só ver Superman: Doomsday
Doomsday é um longa-metragem em animação que saiu nos Estados Unidos semana passada, inaugurando uma linha de desenhos voltados para adultos da DC Comics que sairão diretamente em DVD.
A história mostra uma trama já conhecida do público em geral: a morte do Superman, que é provavelmente a HQ mais badalada das últimas décadas. O filme tem algumas diferenças em relação à revista, mas o centro da história é o mesmo (se você não quer estragar o final, pare de ler aqui mesmo): o monstro Doomsday surge do nada, mata Superman, surge um impostor clonado para, só então, Superman voltar à vida.
Pra um desenho animado de super-herói, a história é bem violenta. Tem pancadaria e sangue pra valer. E isso inclui a cena que eu queria citar: um massacre de clones. Clones morrem no filme como se não tivessem direito algum à vida.
Claro que a proximidade da clonagem humana vão se acirrar as discussões, mas tendo a supor que, num futuro qualquer, matar clones será tão imoral quanto matar seres humanos. Portanto, anotem aí: Doomsday será acusado de promover a histeria numa era de barbárie -- estes dias em que vivemos.
Morango e Chocolate
Saiu agora no Brasil o álbum Morango e Chocolate, de Aurélia Aurita, coisa da ótima Casa 21. São histórias eróticas em que ela se retrata ao lado do namorado, Frédéric Boilet, que é autor de O Espinafre de Yukiko e um dos criadores do Nouvelle Mangá (movimento que une a tradição européia e a japonesa de fazer HQs, criando um punhado de obras bacanas pra caramba).São HQs simples e deliciosas sobre um casal que se ama muito e que se descobre pelo sexo e pela arte. O desenho simples acaba jogando a gente dentro da vida deles.
Quando Aurélia fala de morango e chocolate, ela não está falando de comida. São coisas graciosas, doces e íntimas, mas eu não vou falar o que elas são. Vocês terão que ler o livro para saber.
domingo, 23 de setembro de 2007
Saraiva x B2W no e-bit
Tem um cheiro de chip queimado na internet brasileira. Que eu saiba, ninguém ainda se deu ao trabalho de inclinar o corpo pra ver se a CPU tá queimada. Mas que tem cheiro, tem: tá aqui, no site e-bit, em que consumidores que compram na internet podem avaliar os serviços prestados pelas empresas e, com isso, concorrer a prêmios.
Acontece que, depois da monstruosa fusão entre Americanas e Submarino, os dois sites acabaram sendo desbancados no ranking de mais avaliados pela Saraiva, até então um player de segundo escalão. Numericamente, isso quer dizer que tem mais gente avaliando a Saraiva do que as duas marcas da B2W.
O lance fica mais grave quando a gente se dá conta que a amplitude de categorias coberta pela B2W é consideravelmente maior que eletrônicos, audiovisuais e livros da rede de livrarias.
Há várias explicações para isso, que podem incluir até mesmo a localização do banner que leva ao e-bit na página. Como a Saraiva faz mais ofertas, talvez atraia consumidores com um perfil mais promocional, provocando conseqüentemente mais avaliações por conta dos sorteios.
Mas suspeito que não seja por aí. A Saraiva vem fazendo um belíssimo trabalho tanto na internet quanto nas lojas físicas: o site tem bons preços (o que, na internet, faz uma baita diferença), o programa de fidelidade é imbatível, os vendedores andam tão afiados que parecem ser da Cultura, há um sortimento razoável de livros importados a bons preços e por aí vai.
Enquanto isso, olhando ao meu redor, vi muita gente, de clientes fiéis a fornecedores e parceiros, se sentirem frustrados com o Submarino. A variedade caiu e os preços ficaram menos competitivos. Eu mesmo tentei comprar um livro recém-lançado que não estava esgotado, mas, depois de falharem na entrega no prazo, me mandaram um e-mail dizendo que o livro estava fora de catálogo.
Na internet mesmo, o comportamento do consumidor mudou em relação aos sites. Basta navegar em fóruns e blogs para perceber que Saraiva passou a ser sempre considerada como uma boa opção.
Ainda não saiu matéria sobre isso, mas acho que alguém aí podia se prontificar a dar uma olhada no que está acontecendo. Em havendo interesse, sugiro que o amigo jornalista comece por aqui: o relatório para investidores do último trimestre não fala quase nada dos sites em si, focando mais na aquisição da marca Blockbuster e nos produtos financeiros, que é a real galinha dos ovos de ouro do varejo nacional, como as Casas Bahia já nos ensinaram.
Acontece que, depois da monstruosa fusão entre Americanas e Submarino, os dois sites acabaram sendo desbancados no ranking de mais avaliados pela Saraiva, até então um player de segundo escalão. Numericamente, isso quer dizer que tem mais gente avaliando a Saraiva do que as duas marcas da B2W.
O lance fica mais grave quando a gente se dá conta que a amplitude de categorias coberta pela B2W é consideravelmente maior que eletrônicos, audiovisuais e livros da rede de livrarias.
Há várias explicações para isso, que podem incluir até mesmo a localização do banner que leva ao e-bit na página. Como a Saraiva faz mais ofertas, talvez atraia consumidores com um perfil mais promocional, provocando conseqüentemente mais avaliações por conta dos sorteios.
Mas suspeito que não seja por aí. A Saraiva vem fazendo um belíssimo trabalho tanto na internet quanto nas lojas físicas: o site tem bons preços (o que, na internet, faz uma baita diferença), o programa de fidelidade é imbatível, os vendedores andam tão afiados que parecem ser da Cultura, há um sortimento razoável de livros importados a bons preços e por aí vai.
Enquanto isso, olhando ao meu redor, vi muita gente, de clientes fiéis a fornecedores e parceiros, se sentirem frustrados com o Submarino. A variedade caiu e os preços ficaram menos competitivos. Eu mesmo tentei comprar um livro recém-lançado que não estava esgotado, mas, depois de falharem na entrega no prazo, me mandaram um e-mail dizendo que o livro estava fora de catálogo.
Na internet mesmo, o comportamento do consumidor mudou em relação aos sites. Basta navegar em fóruns e blogs para perceber que Saraiva passou a ser sempre considerada como uma boa opção.
Ainda não saiu matéria sobre isso, mas acho que alguém aí podia se prontificar a dar uma olhada no que está acontecendo. Em havendo interesse, sugiro que o amigo jornalista comece por aqui: o relatório para investidores do último trimestre não fala quase nada dos sites em si, focando mais na aquisição da marca Blockbuster e nos produtos financeiros, que é a real galinha dos ovos de ouro do varejo nacional, como as Casas Bahia já nos ensinaram.
Lula e as centenas de empregados ao seu redor
“There are hundreds of employees around me that I don’t have any idea what
they are doing.”
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, verbalizando toda a sua capacidade de comandar um governo em entrevista ao New York Times de hoje.
Não é uma beleza?
Aliás, a própria entrevista é um marco: o Lula tá falando com o New York Times, algo que não se via desde que o Larry Rohter, antecessor do Alexei Barrionuevo, dizer que nosso líder era chegado numa pinga. Mas pra falar com Rohter ele nunca tinha tempo. Com Barrionuevo, ele logo achou. Sei não, mas daqui eu fico com a impressão de que era mágoa.
sábado, 22 de setembro de 2007
Tropa de Elite no Youtube
Camelô porra nenhuma. O filme Tropa de Elite caiu no Youtube, dividido em pedaços. Só vi uns dois minutos, pra descartar a hipótese de ser uma falsificação grosseira, e parece que é isso mesmo: o longa-metragem mais polêmico do ano está todo lá.
Na real, esse filme pode render meses de discussão: seja pelo tema ou pela pirataria. O interesse carioca pelo cinema nacional num modelo de distribuição alternativo a baixo custo -- que evidentemente não é o ideal -- poderia mudar pra sempre nossa indústria audiovisual. Basta entender por que tanta gente quis ver esse filme.
Os comentários raivosos e emocionados no Youtube podem render um bom começo.
Na real, esse filme pode render meses de discussão: seja pelo tema ou pela pirataria. O interesse carioca pelo cinema nacional num modelo de distribuição alternativo a baixo custo -- que evidentemente não é o ideal -- poderia mudar pra sempre nossa indústria audiovisual. Basta entender por que tanta gente quis ver esse filme.
Os comentários raivosos e emocionados no Youtube podem render um bom começo.
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