Sim, eu uso Moleskines. Aqueles de verdade. Uso porque são bons cadernos: aguentam o tranco de andar no meu bolso sem estropiar, têm papel decente. E, acima de tudo, são mais baratos que os genéricos vagabundos que a gente vê por aqui.
Sim, baratos.
Claro que não é pra comparar com o preço dos bloquinhos de quitanda, mas com cadernos similares, sai mais em conta, sim.
Por uns anos, minha técnica para comprar Moleskines baratos não era lá essas coisas: em viagens internacionais, tinha que reservar uma parte da mala pra carregar um estoque de cadernos. Não era exatamente a saída mais fácil e, na ponta do lápis, não devia ser a mais barata, mas, por um tempo, serviu.
Faz uns meses que descobri que o Book Depository, que é uma livraria virtual que não cobra taxa de entrega pro Brasil, também vendia Moleskines. Melhor ainda: Moleskines com descontos (que variam de 20% a 35%, dependendo da época). Tem de todo tipo: de caderninhos de bolso a cadernos de aquarela A3. Tem também uns especiais, como os cadernos-envelope e as agendas de Star Wars.
É uma maravilha. Você pede e, uns 10 a 20 dias depois, começam a chegar na sua casa caixinhas e envelopes com os cadernos dentro, isso porque o Book Depository geralmente faz várias remessas pra dar conta da logística.
Ou seja: o mesmo preço de comprar em viagem (ou até menos), e sem ter que sair de casa ou carregar peso na mala.
PS: o Book Depository claramente pode ser um ótimo local para comprar livros também, mas eles não dão tantos descontos quanto outras lojas, então eventualmente a compra pode sair mais cara lá do que numa Amazon da vida.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Dois poemas de Lilian Aquino
Corte
Decidiu raspar os cabelos
ela mesma
Sua intimidade com tesouras
e objetos pontiagudos
lhe dá esse ar
louco, redemoinho.
E careca
é mais fácil sangrar.
Plástico
Não existem quadros
nas paredes da minha
casa
e são muitos os espaços
em branco
que vejo
então
em volta
no entanto
no quadrado habitado
minha família
é pintada diariamente
a óleo
***
Os dois poemas estão no livro de estreia de Lilian Aquino, Pequenos afazeres domésticos, publicado pela Patuá em 2011. A indicação foi da Jeanne Callegari, que acompanha bem mais que eu os novos poetas brasileiros.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Cinco trechos de The perks of being a wallflower
Era pra ser um livrinho bobo pra adolescentes. Uma amiga diz que eu deveria ter lido aos 22. Eu acho que deveria ter lido aos 16. Talvez seja isso mesmo. Mas, pra mim, The perks of being a wallflower, de Stephen Chbosky, foi uma bomba H. Devastadora. Um golpe baixíssimo. Saí perturbado. Do livro e, depois, do filme, que é de onde saiu a imagem deste post.
Selecionei cinco citações pra compartilhar neste post. Pra mim, elas fizeram todo o sentido do mundo:
"Charlie, we accept the love we think we deserve."
"To tell you the truth, I love Sam. It’s not a movie kind of love either. I just look at her sometimes, and I think she is the prettiest and nicest person in the whole world."
"Nobody can be as big as the Beatles because the Beatles already gave it a 'context.' The reason they were so big is that they had no one to compare themselves with, so the sky was the limit."
"It’s just that I don’t want to be somebody’s crush. If somebody likes me, I want them to like the real me, not what they think I am."
"So, I guess we are who we are for a lot of reasons. And maybe we’ll never know most of them. But even if we don’t have the power to choose where we come from, we can still choose where we go from there. We can still do things. And we can try to feel okay about them."
***
Em tempo: o livro, traduzido como As vantagens de ser invisível, saiu em português há uns anos pela Rocco.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Envelhecer
"I find it a lousy deal. There is no advantage getting older. You don’t get smarter, you don’t get wiser, you don’t get more mellow, you don’t get more kindly, nothing good happens. Your back hurts more, you get more indigestion, your eyesight isn’t as good, you need a hearing aid. It’s a bad business getting old and I would advise you not to do it if you can avoid it. It doesn’t have a romantic quality."
Woody Allen, aqui.
Woody Allen, aqui.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Cinthya e o café
Café
as xícaras são carícias
(e as pernas — tremores)
só me reconheço
com pouco.
O poema é da Cinthya Verri e está no seu livro Constantina, que tem lançamento em São Paulo no sábado, 28, na Livraria da Vila.
as xícaras são carícias
(e as pernas — tremores)
só me reconheço
com pouco.
O poema é da Cinthya Verri e está no seu livro Constantina, que tem lançamento em São Paulo no sábado, 28, na Livraria da Vila.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
No táxi em Montevidéu
(Espero que o Youtube não apague a trilha incidental acidental.)
domingo, 17 de junho de 2012
Love and be loved, if you ever get the chance
"‘What are you going to do with your life?’ In one way or another it seemed that people had been asking her this forever; teachers, her parents, friends at three in the morning, but the question had never seemed this pressing and still she was no nearer an answer. The future rose up ahead of her, a succession of empty days, each more daunting and unknowable than the one before her. How would she ever fill them all? She began walking again, south towards The Mound. ‘Live each day as if it’s your last’, that was the conventional advice, but really, who had the energy for that? What if it rained or you felt a bit glandy? It just wasn’t practical. Better by far to simply try and be good and courageous and bold and to make a difference. Not change the world exactly, but the bit around you. Go out there with your passion and your electric typewriter and work hard at … something. Change lives through art maybe. Cherish your friends, stay true to your principles, live passionately and fully and well. Experience new things. Love and be loved, if you ever get the chance."
David Nicholls, no epicentro das lágrimas de One Day.
David Nicholls, no epicentro das lágrimas de One Day.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Cracolândia
A Cracolândia é um problemão, óbvio. Mas ela fica um problemão ainda maior quando a gente não entende e não faz esforço pra entender. A Fernanda Eda Paz Leite fez esse esforço, aprofundou o debate e transformou em um documentário curtinho, que dura menos de meia hora.
Aprendi um monte.
(tks, Sérgio Amadeu, que mandou o link no Twitter)
Aprendi um monte.
(tks, Sérgio Amadeu, que mandou o link no Twitter)
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Tippoo Sultan's Incredible White-Man-Eating Tiger Toy-Machine!!!
O nome do livro é esse mesmo, inclusive com as exclamações: Tippoo Sultan's Incredible White-Man-Eating Tiger Toy-Machine!!! Daljit Nagra é uma revelação recente da poesia inglesa. Esse é seu segundo livro, e o primeiro já bastou para colocá-lo no primeiro time da poesia britânica contemporânea. E é justo: que belo poeta que é.
Encontrei-o por acaso, nem tenho por que me gabar. Estava numa livraria em Londres e fui até a seção de poesia. Porque é aquilo: é muito difícil achar poesia britânica contemporânea no Brasil. Nem Ann Carol Duffy foi traduzida, o que me parece bastante bizarro. Então tem que aproveitar as viagens pra futricar um pouco. E foi numa dessas que vi a capa do livro de Nagra:
Lembro que pensei assim: "Com uma capa dessas, o cara tem que ser ou muito ruim ou muito ousado". E aí o fato de estar uma livraria fez diferença. Um dos livreiros tinha escrito um daqueles bilhetinhos em que contam por que gostam do livro, e o rapaz parecia bem entusiasmado.
Levei, trouxe, comecei a ler e, bem, cá estou contaminado pelo mesmo entusiasmo.
Transcrevi dois poemas do livro, com a esperança de contaminar vocês também, e quiçá um editor brasileiro a fim de traduzi-lo:
The Monsoon Song of Raja Narcissus
all the girls say they love me
all their mums say i'm lovely
ever since i lived in the clouds
ever since you left
i've been raining on the road
where you frist said you loved me
Tippoo Sultan's Incredible White-Man-Eating Tiger Toy-Machine!!!
To flesh a career
in poems you rifle
through your stash
of coolly imperial
diction. Dying
to blood that hoard
swotted since foreign
kid of the class
who chewed the fat
of the raw meat minty
tongue that English
is
nowadays your wrought
state. You're awfully
scary once in your
stripes! You claw
at the mirror – overcome
by the camps of history!
Thus
when that top-hat sahib
screams, O God
your eyes are ablaze
observing themselves
in the cull you're
no longer mankind
once you're the Sher
of Punjaaab on the wallahs of the
rrrrraaaaaaaaaaaajjj!!!
Encontrei-o por acaso, nem tenho por que me gabar. Estava numa livraria em Londres e fui até a seção de poesia. Porque é aquilo: é muito difícil achar poesia britânica contemporânea no Brasil. Nem Ann Carol Duffy foi traduzida, o que me parece bastante bizarro. Então tem que aproveitar as viagens pra futricar um pouco. E foi numa dessas que vi a capa do livro de Nagra:
Lembro que pensei assim: "Com uma capa dessas, o cara tem que ser ou muito ruim ou muito ousado". E aí o fato de estar uma livraria fez diferença. Um dos livreiros tinha escrito um daqueles bilhetinhos em que contam por que gostam do livro, e o rapaz parecia bem entusiasmado.
Levei, trouxe, comecei a ler e, bem, cá estou contaminado pelo mesmo entusiasmo.
Transcrevi dois poemas do livro, com a esperança de contaminar vocês também, e quiçá um editor brasileiro a fim de traduzi-lo:
The Monsoon Song of Raja Narcissus
all the girls say they love me
all their mums say i'm lovely
ever since i lived in the clouds
ever since you left
i've been raining on the road
where you frist said you loved me
Tippoo Sultan's Incredible White-Man-Eating Tiger Toy-Machine!!!
To flesh a career
in poems you rifle
through your stash
of coolly imperial
diction. Dying
to blood that hoard
swotted since foreign
kid of the class
who chewed the fat
of the raw meat minty
tongue that English
is
nowadays your wrought
state. You're awfully
scary once in your
stripes! You claw
at the mirror – overcome
by the camps of history!
Thus
when that top-hat sahib
screams, O God
your eyes are ablaze
observing themselves
in the cull you're
no longer mankind
once you're the Sher
of Punjaaab on the wallahs of the
rrrrraaaaaaaaaaaajjj!!!
segunda-feira, 23 de abril de 2012
O amor segundo Hitchcock
Hitchcock fala sobre amor.
A cena está aos 20 minutos de Rich and Strange, um dos primeiros filmes sonoros de Hitchcock. É de 1931. Está longe de ser um dos melhores. Mesmo a essas alturas, o diretor já tinha feito coisa melhor (The lodger, especialmente). Mas a história do casal Hill tem sua graça. Se quiser, tem todo aí, de graça:
Pois então: a cena começa no 20º minuto. Antes dela, o Sr. Hill pegou a herança do tio adiantada e saiu a viajar pelo mundo com sua mulher. É um novo rico, um emergente. Viaja deslumbrado e atrapalhado. É até caricatural.
Em Marselha, o sr. e a sra. Hill pegam um navio rumo ao Oriente. Enquanto o marido está mareado, a sra. Hill (Joan Barry) se encanta com o comandante, um certo sr. Gordon (Percy Marmont). Na cena em questão, os dois estão conversando.
Traduzi, ~adaptei~ e grifei o diálogo dos dois (uau, me deem uma medalha). É Hitchcock falando sobre amor. Tá aí abaixo.
O comandante Gordon começa:
- Você é uma delícia. Eu podia ficar ouvindo você a tarde inteira.
- Você está me ~zoando~...
- Não tou. Mesmo.
- Eu fiquei pensando que tava porque na real eu acho meio difícil falar com as pessoas.
- Jura?
- É, mas não com você. Eu acho mais fácil que falar com meu marido. Cê sabe...
- Olha... Quer dizer, desculpa.
- Bem...
- Não quis interromper. Continue...
- Eu queria dizer que tem uma coisa que eu não conseguia entender. Mas agora eu acho que sei por que isso rola.
- Por quê?
- Você é só um cara, não é o meu marido. Se você me achar mala, é só levantar e ir embora. Não faz diferença.
- Bem, mas faz. E muito.
- Você já amou, sr. Gordon?
- Não posso dizer que tenha amado.
- É uma pena, porque vai ser difícil pra você entender. Veja bem: eu amo Fred, e ele me ama. E naturalmente eu quero que ele pense bem de mim.
- Sei...
- Quando falo com ele, não quero dizer nada que soe idiota. Ele é muito inteligente.
- Mas eu não sou?
- Não. Você é interessante e divertido. E você gosta das coisas de que eu gosto, mas isso não é lá muito difícil, né?
- Não, não é.
- Então: não acho que seja inteligente.
- Acho que não sou mesmo. É muita sorte que não estejamos apaixonados.
- Né?
- O amor é um troço muito difícil, Sr. Gordon. Você ficaria surpreso.Faz com que tudo seja difícil e perigoso. Não acho que o amor faça as pessoas ficarem corajosas, como os livros dizem.
Ele as deixa tímidas. Deixa as pessoas mais felizes quando estão felizes e mais tristes quando estão tristes. Tudo é multiplicado por dois: a doença, a morte, o futuro... Tudo significa mais. Acho que não fui muito clara.
- Você foi, mas...
- O amor é uma coisa maravilhosa, Sr. Gordon.
- É...
- Esse tipo de amor que você descreve deve ser. Acho que terei que prová-lo.
- Claro, você foi feito pra isso. Mas escolha a mulher certa. Seria um crime desperdiçá-lo.
- Sra. Hill, você me daria uma resposta direta pra uma pergunta direta?
- Claro.
- Você tá me tirando?
***
Estou num projeto pessoal sem prazo de ver todos os filmes do Hitchcock na ordem ao mesmo tempo em que vou lendo o Hitchcock Truffaut, que é o livro monumental em que Truffaut entrevista Hitchcock. Fala filme a filme, discute detalhes - e dá uma guinada na forma como ele é visto pela crítica americana.
Ainda não sei o que vou fazer com isso. Nem se vou fazer algo com isso. Até cogito uma série de posts mais estruturados, mas sei lá. Por enquanto, estou tomando notas. Aos poucos, compartilho mais algumas coisas aqui.
A cena está aos 20 minutos de Rich and Strange, um dos primeiros filmes sonoros de Hitchcock. É de 1931. Está longe de ser um dos melhores. Mesmo a essas alturas, o diretor já tinha feito coisa melhor (The lodger, especialmente). Mas a história do casal Hill tem sua graça. Se quiser, tem todo aí, de graça:
Pois então: a cena começa no 20º minuto. Antes dela, o Sr. Hill pegou a herança do tio adiantada e saiu a viajar pelo mundo com sua mulher. É um novo rico, um emergente. Viaja deslumbrado e atrapalhado. É até caricatural.
Em Marselha, o sr. e a sra. Hill pegam um navio rumo ao Oriente. Enquanto o marido está mareado, a sra. Hill (Joan Barry) se encanta com o comandante, um certo sr. Gordon (Percy Marmont). Na cena em questão, os dois estão conversando.
Traduzi, ~adaptei~ e grifei o diálogo dos dois (uau, me deem uma medalha). É Hitchcock falando sobre amor. Tá aí abaixo.
O comandante Gordon começa:
- Você é uma delícia. Eu podia ficar ouvindo você a tarde inteira.
- Você está me ~zoando~...
- Não tou. Mesmo.
- Eu fiquei pensando que tava porque na real eu acho meio difícil falar com as pessoas.
- Jura?
- É, mas não com você. Eu acho mais fácil que falar com meu marido. Cê sabe...
- Olha... Quer dizer, desculpa.
- Bem...
- Não quis interromper. Continue...
- Eu queria dizer que tem uma coisa que eu não conseguia entender. Mas agora eu acho que sei por que isso rola.
- Por quê?
- Você é só um cara, não é o meu marido. Se você me achar mala, é só levantar e ir embora. Não faz diferença.
- Bem, mas faz. E muito.
- Você já amou, sr. Gordon?
- Não posso dizer que tenha amado.
- É uma pena, porque vai ser difícil pra você entender. Veja bem: eu amo Fred, e ele me ama. E naturalmente eu quero que ele pense bem de mim.
- Sei...
- Quando falo com ele, não quero dizer nada que soe idiota. Ele é muito inteligente.
- Mas eu não sou?
- Não. Você é interessante e divertido. E você gosta das coisas de que eu gosto, mas isso não é lá muito difícil, né?
- Não, não é.
- Então: não acho que seja inteligente.
- Acho que não sou mesmo. É muita sorte que não estejamos apaixonados.
- Né?
- O amor é um troço muito difícil, Sr. Gordon. Você ficaria surpreso.Faz com que tudo seja difícil e perigoso. Não acho que o amor faça as pessoas ficarem corajosas, como os livros dizem.
Ele as deixa tímidas. Deixa as pessoas mais felizes quando estão felizes e mais tristes quando estão tristes. Tudo é multiplicado por dois: a doença, a morte, o futuro... Tudo significa mais. Acho que não fui muito clara.
- Você foi, mas...
- O amor é uma coisa maravilhosa, Sr. Gordon.
- É...
- Esse tipo de amor que você descreve deve ser. Acho que terei que prová-lo.
- Claro, você foi feito pra isso. Mas escolha a mulher certa. Seria um crime desperdiçá-lo.
- Sra. Hill, você me daria uma resposta direta pra uma pergunta direta?
- Claro.
- Você tá me tirando?
***
Estou num projeto pessoal sem prazo de ver todos os filmes do Hitchcock na ordem ao mesmo tempo em que vou lendo o Hitchcock Truffaut, que é o livro monumental em que Truffaut entrevista Hitchcock. Fala filme a filme, discute detalhes - e dá uma guinada na forma como ele é visto pela crítica americana.
Ainda não sei o que vou fazer com isso. Nem se vou fazer algo com isso. Até cogito uma série de posts mais estruturados, mas sei lá. Por enquanto, estou tomando notas. Aos poucos, compartilho mais algumas coisas aqui.
Assinar:
Postagens (Atom)
