domingo, 30 de outubro de 2011

"Os padres..."

"Os padres... Como os conheci? Na casa do vovô, creio; tenho a obscura lembrança de olhares fugidios, dentaduras estragadas, hábitos pesados, mãos suadas que tentavam me acariciar a nuca. Que nojo. Ociosos, pertencem às classes perigosas, como os ladrões e os vagabundos. O sujeito se faz padre ou frade só para viver no ócio, e o ócio é garantido pelo número deles. Se fossem, digamos, um em mil almas, os padres teriam tanto o que fazer que não poderiam ficar de papo para o ar comendo capões. E entre os padres mais indignos o governo escolhe os mais estúpidos, e os nomeia bispos.
Você começa a tê-los ao seu redor assim que nasce, quando o batizam; reencontra-os nma escola, se seus pais tiverem sido suficientemente carolas para confiá-lo a eles; depois, vêm a primeira comunhão, o catecismo, a crisma; lá está o padre no dia do seu casamento, a lhe dizer o que você deve fazer no quarto; e no dia seguinte, no confessionário, a lhe perguntar, para poder se excitar atrás da treliça, quantas vezes você fez aquilo. Falam-lhe do sexo com horror, mas todos os dias você os vê sair de um leito incestuoso sem sequer lavar as mãos, e vão comer e beber o seu Senhor, para depois cagá-lo e mijá-lo."
Umberto Eco, trecho de O cemitério de Praga. Tradução de Joana Angélica d'Ávila Melo. Record, 2011, p. 19-21.

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A leitura d'O cemitério é perturbadora porque o protagonista é neurótico e paranoico, cheia de opiniões extremas: odeia italianos, franceses, alemães, judeus... Você, pra simplificar, discorda e ri. Aí, de repente, se pega concordando com algumas das ideias do amalucado. E aí a tal leitura ainda mais doentia: você se flagra na demência.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Your cosmic fire




Gravei um videozinho na instalação Your cosmic fire, do Olafur Eliasson, que está no Sesc Belenzinho.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Dr. Sketchy com Burlesque Take Over


A Dr. Sketchy Anti-Art School é uma sessão de modelo vivo com uma pegada de cabaret burlesco. Em vez de gente nua, as moças encenam uma história, um tema por vez. Em volta delas, muita gente vai desenhando -- ou fotografando, ou pintando, ou, como eu, rabiscando qualquer coisa só pra se divertir.

Criado em 2005 pela incrível Molly Crabapple, em NY, o Dr. Sketchy começou a rolar no Brasil há uns meses.

Fui numa sessão na escola de artes Quanta -- onde o Dr. Sketchy rola no primeiro sábado do mês, ali pelas 19h, com as garotas do Burlesque Take Over. Não é num bar (ahhh...), mas é bem bacana pra passar três horas desenhando.

O esquema é ágil: poses rápidas de 3, 5 e 10 minutos. No meio, brincadeiras -- como desenhar com a mão esquerda. Uma hora e meia passam voando.

O desenho deste post saiu de lá. Depois, vieram outros - criei um álbum no Flickr pra eles.
Pra mais informações sobre o Dr. Sketchy brasileiro, que não rola só na Quanta: http://drsketchysaopaulo.blogspot.com/