quarta-feira, 30 de junho de 2010

"Receita" de extrato de tomate

Geralmente as pessoas compram extrato de tomate em lata. E muitas fazem isso porque não sabem que é fazer em casa é mais gostoso e mais econômico, além de ridiculamente fácil. Tão fácil que a reação das pessoas ao saber como se faz extrato de tomate é um "Ah, é TÃO fácil?". Oh, yeah.

A verdade é que não chega nem a ser uma receita. Por isso, pus as aspas no título do post. Parece mais correto, porque é bem razoável considerar que quem compra extrato de tomate tem habilidades mínimas na cozinha. Se uma pessoa usa extrato de tomate, é capaz de fazer o seu.

Veja só:

Precisa de...

Uma panela grande

Água

Tomates maduros

Um liquidificador


E as quantidades?

Olha, você pode fazer muito extrato de tomate de uma vez só. Muito mesmo. Então eu não vou restringir as quantidades. O que é importante é que os todos os tomates caibam na panela e possam ficar mergulhados nela. Se você só tiver uma panela pequena, faça menos extrato. Se tiver uma panela imensa, pode fazer extrato pra um batalhão (mesmo).



Siga os passos

1. Ponha para ferver uma panela grande cheia de água.

2. Pegue tomates maduros e, com uma faca, faça um corte superficial nas cascas, só para rompê-la, sem chegar até o miolo. Pode ter um milímetro de profundidade, não faz mal. O importante é que a casca esteja rompida.

3. Desligue o fogão e mergulhe os tomates na água fervente. Deixe-os de molho por alguns minutos, até a casca começar a soltar. Geralmente três minutos bastam, mas às vezes é preciso deixar um pouco mais.

4. Quando a pele estiver solta, tire a água quente da panela. Encha de água fria, para ajudar a resfriar os tomates.

5. Tire os tomates da água. Você vai notar que a casca está solta. É só começar a puxar que ela sai toda, e fácil.

6. Jogue o tomate sem casca no liquidificador. Bata até desmanchar bem. E pronto.


Como eu vinha dizendo: fácil demais. Dá até para complicar um pouco: use tomates de cores e espécies diferentes. Ou tomates orgânicos. Reaproveite potes de vidro para guardar o molho. E passe a fórmula adiante.


Atualização - Foi só eu jogar no Twitter que vieram os primeiros comentários.

Comentando com o Diego Figueira, o cartunista Ota falou que nem precisa fazer o corte, que as cascas estouram. Eu prefiro porque de vez em quando a gente depara com cascas mais resistentes, então com o corte é mais rápido.

Ele também disse que só se tira as cascas por causa dos agrotóxicos, e isso eu já não sabia. Aprendi a fazer assim e vinha fazendo sem pensar, mesmo usando tomates orgânicos. Vou experimentar e depois conto.

domingo, 30 de maio de 2010

Minisodes de True Blood

A HBO está fazendo contagem regressiva para retomar a série True Blood. Nos Estados Unidos, o primeiro episódio da terceira temporada passa no dia 13 de junho. Antes disso, estão saindo minisódios, cada um com uns três ou quatro minutos. Funcionam como pequenos contos situados na trama.

Abaixo, listei os cinco minisódios já lançados:

True Blood Minisode 1: Eric and Pam



True Blood Minisode 2: Jessica



True Blood Minisode 3: Sookie, Lafayette, and Tara



True Blood Minisode: Sam



True Blood Minisode: Bill

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Bienvenido de volta


Cada vez que escrevo no blog, tenho que dizer que estou de volta, o que é uma chatice pra mim e pra vocês. Mais fácil assumir que este é um blog bissexto mesmo.

Mas o fato é que voltei pra avisar que nesta quinta, dia 20, vou mediar um papo entre dois caras muito bacanas: o Paulo Ramos, jornalista especializado em quadrinhos, e o Claudio Martini, editor da fabulosa Zarabatana Books.

O mote da mesa é Bienvenido (capa acima), baita livro sobre os quadrinhos argentinos escrito pelo Paulo, editado pelo Claudio e encapado com essa imagem matadora do Liniers. Claro que a ideia é falar dos quadrinhos argentinos como um todo.

Começa às 19h, na Fnac da Av. Paulista.

(E tem Bienvenido à venda aqui, com desconto)

domingo, 20 de setembro de 2009

Alcachofra forever

Hm. Começou a temporada de alcachofras. Comprei as primeiras ontem. Que, por sinal, acabam de acabar, graças a uma receita certeira que criei.

Achei que, mais do que apropriado, seria simpático compartilhar.

É assim:

Ingredientes

Alcachofras - Tantas quantas você for comer.

Azeite de oliva com canela - Usei um da marca Borges, franqueado pelo Ferran Adria, mas só porque ganhei de presente e/ou roubei da casa da minha mãe. Normalmente deixo um pau de canela de infusão no azeite de oliva extravirgem por um mês.

Pimenta rosa

Sal e pimenta

*

Cozinhe as alcachofras em água e sal numa panela por 40 minutos.

Enquanto isso, pré-aqueça o forno a 200ºC ou um pouco mais.

Quando a alcachofra estiver cozida, escorra toda a água.

Coloque as alcachofras em uma forma. Moa pimenta preta e jogue os grãos de pimenta rosa por cima, deixando que entranhe nas alcachofras. Por fim, regue generosamente com o azeite de oliva. Não se contenjha

Ponha no forno e deixe lá por meia hora.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Alô, Porto Alegre: votem contra esse aberrante Pontal



Desabilitei os comentários aqui. Porque o lugar de debater esse tema é aqui.

domingo, 2 de agosto de 2009

Por onde eu passo?

Calçada

Todo mundo sabe o quanto é estressante dirigir ou andar de transporte coletivo em São Paulo. Mas as pessoas não se dão conta de que, em muitas regiões, andar a pé também é de enlouquecer.

Os motivos são vários: carros mal estacionados, obstáculos inesperados, fezes de animais domésticos e até calçadas bizarramente irregulares.

E o motivo é um só: a calçada foi dessacralizada. Deixou de ser o espaço do pedestre e virou uma terra de ninguém. Ninguém fiscaliza, ninguém cobra, ninguém reforma, ninguém reclama e todo mundo faz o que quer.

Digo mais: todo mundo faz o que quer. E não faz por mal. Simplesmente porque ninguém mais percebe o valor de uma boa calçada. Já estamos acostumados a caminhar sobre um terreno irregular. É automático.

É triste, mas é verdade.

Ontem, eu voltava pra casa. Vi essa cena:

Por onde eu passo?

Do lado direito, a obra de um prédio novo interditou a calçada com um guindaste. Do outro, a construtora pôs meninas com bandeiras pra chamar atenção para o empreendimento. Pra piorar: a calçada é estreita, mal tem um metro de largura em alguns trechos. Pra continuar piorando: a calçada é cheia de desníveis. Pra fechar o trem do horror: os postes ficam bem no meio da calçada estreita. E por onde eu passo?

Não acho que a construtora tenha bolado um plano para acabar com as calçadas da região. Seria burrice: se a zona é bacana, o prédio vale mais. Mas a empresa está tão acostumada a levantar bandeiras de um lado e guindastes de outro nem se dá conta de que está acabando com a calçada. Até porque os moradores da própria rua e o próprio governo não se deu conta de que pessoas teriam que passar por ali.

Outro exemplo é esse penhasco que faz as vezes de escada:

Por onde eu passo?

Na prática, até mesmo um jardim verde e bonito como esse vira um problema quando ocupa todo o espaço destinado à passagem:

Por onde eu passo?

Desde que comecei a prestar atenção nas calçadas, vi bizarrices tão incríveis que comecei a colecioná-las. Montei um álbum no Flickr pra guardar as fotos desses percalços urbanos. Chama-se Por onde eu passo?.

O motivo pra reclamar é simples. Se é ruim pra mim, imagine para um velhinho, para uma grávida, para uma mãe com carrinho de bebê, para um cadeirante ou qualquer pessoa com uma dificuldade qualquer.

Ok, a calçada da Paulista foi reformada e, dizem, tem acessibilidade plena, mas quanto tempo vai levar para que a cidade toda seja transitável para pedestres? E quando a reforma vai começar?

domingo, 26 de julho de 2009

Meus dentes

Meus dentes

terça-feira, 7 de julho de 2009

Michael Jackson, Sade, a Fera e Edward Mãos de Tesoura

(Desculpa, me atrasei. Eu tava fora. Foi mal. Desculpa mesmo.)

***

Lembrei da Fera (da Bela). Do Marquês de Sade. Do Edward Mãos de Tesoura. De gente diferente, perturbadora, que incomoda e que acabou encarcerada em um castelo ou em um calabouço qualquer.

Como o Michael Jackson, coitado.

Aí lembrei que a Fera, Sade e Edward não foram exilados porque eram diferentes. A humanidade isolou cada um deles simplesmente porque eles mostravam à luz do dia coisas como desejos sexuais ou amor sincero. Porque eles eram como nós - só um pouco mais sinceros ou transparentes.

Serendipitei no raciocínio e me dei conta de que, como os três, Michael Jackson também era como a gente. Só que meio sem limite. Ele extrapolava.

Saca só.

A gente vê filme de super-heróis e acha fofinho caderno da Hello Kitty. Ele mora num parque de diversão. (Um dia um laboratório de tendências aí me disse que éramos todos "kidults". Todos, inclusive Michael Jackson.)

A gente faz plástica. Ou, no mínimo, se mata pra ficar melhorzinho. Michael Jackson fazia cirurgias em busca de um rosto e de uma beleza que eram o que ele tinha.

Todo mundo tem algum problema com a família. A dele, devassada, parecia um pouco pior que a nossa. Mas vai saber. Melhor nem mexer aí.

No Twitter, esse monitor universal que uso para controlar a vida de um punhado de gente que acho interessante, li que muita gente chorou quando aquela menina bonita disse que papai foi o melhor pai imaginável desde que ela nasceu. Do destaque que a menina ganhou nas capas dos portais, depreendo (chuto) que o choro foi coletivo.

Depreendo de novo (chuto) que o choro não foi exatamente pelo destino incerto da orfãzinha. Algo me diz que a comoção veio porque aquela menina era normal (como a gente), porque ela falou de um cara normal (como o pai da gente). A gente esperava que a menina fosse fria ou dura ou louca ou tivesse cara de lambisgoia ou tivesse a pele coberta de escamas.

Mas, tal qual uma Susan Boyle ao reverso, não tinha nenhuma surpresa.

Ela era só uma menina que ama muito o pai morto.

Foi assim que a menina normal estragou tudo.

O circo estava montado. Tinha shows agendados e convites disputados no eBay. Vi na TV do restaurante chinfrim do almoço que tinha até um cenário para os visitantes fazerem retrato de recordação (vai ser moda daqui pra frente, certo).

Íamos nos livrar do nosso rei amaldiçoado. Enfim estaríamos livre para ouvir Thriller e Bad - elas estavam livres da maldição do ser estranho.

E aí veio a menina e - como a mocinha torta que ama os monstros dos filmes - mostrou pra todo mundo quem que quem. Redimiu o monstro e condenou o vilarejo.

Final clichê de filme ruim. Na maioria das vezes, a vida não consegue ser melhor que isso.

**

Lembrei do Ivan Lessa e do Gay Talese. Acusados de "mimimi".

***

(Acho que voltei. Acho.)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Hm...

Self-portrait at 8:37 AM

E se eu voltasse a escrever por aqui?

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Dez anos depois

Haverá uma edição do Cardosonline comemorando os dez anos do zine.

Ando saudosista mesmo. Me emocionei tanto que, vejam só, estou escrevendo num blog que eu tinha prometido pra mim mesmo deixar empoeirar.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Em Milão

A história que vou contar aconteceu com uma garota, mas me parece, desde a primeira vez em que ouvi, que ficaria melhor com um rapaz como protagonista. Um rapaz gay. Contudo, devo fidelidade a quem me contou, e é por isso que peço imaginação ao leitor para que altere o sexo durante a leitura. Obrigado e adeus,


Evandro, em seu último minuto de vida.

***

Tiro o dedo do nariz, coço a orelha com o minguinho e penso:

"Preciso vomitar aquele mondongo."

Depois de uma declaração dessas, não sou a leitoa nordestina pobre e remelenta que você imaginou. Sou modelo, e das boas. Meu agente diz que vou ser uma übermodel aos 18. Faltam menos de dois anos, portanto, para meu primeiro milhão. Vomito porque sou anoréxica. Já tentei tratar com Romodoxedrina, uma droga experimental em que fiquei viciada. Eu fico viciada em qualquer porra química do mundo. Como mondongo porque aqui em Milão é chique comer essas merdas brasileiras. Meu pai é filósofo e diz que que a humanidade está indo pra barbárie. Eu penso num homenzarrão que me puxa pelos cabelos. Me excito mais pensando no homenzarrão que trepando com franceses. Vomitei na boca de um francês outro dia e ele se apaixonou. A gente estava se beijando e aconteceu. Ele ficou todo preocupado e, quando percebi, estava dengoso. No outro dia, queria andar de mãozinha enquanto eu sonhava com um tabefe na cara -- um tabefe pesado, autoritário, repressor (não vingativo, porque vingança pressupõe afeto). De manhã, mandou flores e um anel Jacques Laver de dois milhões de franco. Cora, uma fracassada de vinte e dois anos que se vangloria de uma daquelas Louis Vuitton de bagaceira, diz que Vadin é herdeiro de um terço dos diamantes que ainda estão na África. Tudo que Cora conseguiu na vida (mas não nas passarelas) foi a bolsa e um amplo conhecimento a respeito de herdeiros franceses. Os herdeiros franceses ricos gostam muito de modelos, que consideram agradáveis intermediárias entre as putas, que são meramente profissionais, e as suas riquíssimas iguais, bem menos esforçadas em agradar seus paus amolecidos pela cocaína do que nós, as vadiazinhas da Semana de Moda de Paris.

Passei a desprezar o ziliardário e apaixonado Jacques, mas fiquei feliz com as flores. Há dois anos, em minha primeira visita a Paris, me contaram que as flores de lá eram cultivadas com corantes na água e agrotóxicos por tudo. O perfume que exala das pétalas quando queimadas chega a ser uma droga estonteante e baixa. Cora não entendeu por que fugi de um partido tão cobiçado, mas me consolou a seu modo:

-- Roger, se você quiser eu apresento, tem metade das minas de diamantes e uma rede de telecomunicações na América Latina. Mas já aviso que o pau é ainda menor.

Olho para Carlo ao meu lado e cogito vomitar o mondongo na cara dele. Pra ver a reação. Melhor não. Vai que ele se apaixona. Carlo não tem nenhuma mina de diamantes. Só uma rede de restaurantes. Rede regional que só tem aqui, em Portugal e na Espanha. Em dois anos, vou ser mais rica que ele. Só com meu corpo. Coço meu pé direito com o dedão do pé esquerdo. Seria uma boa se Carlo se tornasse traficante. Do jeito que cheira, sairia mais barato. E ele ainda poderia usar seus insuspeitos caminhões frigoríficos azuis para transportar quilos e quilos de pó todos os dias. Mas Carlo é babaca, sem ambição. Está feliz com o que tem. Feliz não! Enjoativamente satisfeito com seu primeiro milhão, em parte porque acha que está me comendo por causa da grana e da Ferrari, quando na real ele só era o último coitado com um papelote no bar. Felicidade é só o nome que se dá pra fuga dos problemas.

Como lá no Rio, em que Juan quis porque quis conhecer uma favela. O Juan era gostoso, rico, artista de cinema e muito generoso na repartição de pó, então eu naturalmente cedia mais pra ele. Armei que a faxineira desdentada da minha agente nos recebesse em seu casebre à beira de um valão cloacal. Perguntei quanto custaria um churrasco bem alegre e farto.

-- Pro pessoal lá em casa a gente gastou cinqüenta e sete. Saiu até pagode. Mas como vai a senhora e o seu Juan acho melhor gastar um tantinho mais.

-- Quanto?

-- Uns oitenta.

Dei pra pobre coitada quatrocentos reais. O Juan me deixara mil, do qual descontei minha porcentagem de sessenta porcento. Na época, eu era uma modelinho em ascenção. Ainda assim, foi suficiente pra aquela gente beber e cantar das onze da manhã até a uma da madrugada. Meu pai não acreditava em felicidade, mas minha mãe sim. E dizia que dinheiro não a compra, prova disso era que festa em casa de pobre sempre era uma alegria só.

Lembrei muito da minha mãe naquela noite, e percebi que ela estava errada: 1. o dinheiro, o dinheiro do Juan, por sinal, comprara aquela felicidade, sim; 2. Eles não estavam felizes, só anestesiados dos problemas.

Essa gente pobre, crente, encardida tinha que perceber de uma vez por todas que sua infelicidade e sua miséria é um desígnio -- se há um deus, ele nos quer infelizes, ou não teria nos dotado de lágrimas.

Enfim eu corro até o banheiro. No caminho, tropeço. Caio de cara no chão. Não sei se o sangue que sai do meu nariz é do tombo ou do pó. Sinto um vácuo abrir no meu peito, o vômito arranha minha garganta, resseca meus lábios e jorra sobre a roupa de Carlo. Então estico o braço, alcanço a garrafa de uísque, viro de guti-guti e então, só então, me sinto eu mesma.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Terça, duas da manhã

Antes de jogar, o boneco olhou pra mim e disse:

-- Normal não é legal.


Suicidal model

domingo, 10 de agosto de 2008

sábado, 9 de agosto de 2008

Resumo

Se o amigo não tem disposição pra ler o imenso post abaixo, que ao menos fique com a idéia central, assim resumida: vá ver Encarnação do demônio, o novo filme do Zé do Caixão.

Porque é espetacular.

É dublado, viu?

Aí eu tava com preguiça de ir até um cinema decente e teimei em ver Encarnação do demônio no Cinemark aqui perto de casa mesmo.

Claro que é estupidez. Cinemark é SEMPRE uma porcaria. E eu sabia disso.

Outro dia, fui, no intervalo do almoço, na primeira sessão do dia -- mas não tinha dado tempo de limparem a sala no intervalo de doze horas que separava a minha sessão da última do dia anterior. O chão estava coberto de pipoca. A sala cheirava a manteiga rançosa, e bem mais do que o habitual das salas da rede.

Mas aí eu cheguei na bilheteria:

-- Uma pra Encarnação do Demônio.

-- Inteira?

-- Inteira.

-- Pras treze e dez?

-- É.

-- É dublado, viu?

*



Aí eu dei graças a deus que estava no Cinemark. Se fosse em outro lugar, poderia estar numa sessão da Sociedade Italiana, por exemplo, antecipando a cópia que será exibida em Veneza.

Mas no Cinemark a gente sempre pode contar com o despreparo da equipe.

*



Por exemplo: vimos Quando os fracos não tem vez naquela mesma sala. Em fevereiro ou março, acho.

Com certeza é a mesma: uma bem pequena que eles guardam pra filmes a que o público deles não assiste

Na época, reclamei pro gerente que havia retângulos de luz que incidiam sobre a tela e atrapalhavam a imagem.

E o gerente ficou perplexo, achou um absurdo e disse que ia consertar imediatamente.

Hoje, passados tantos meses, os retângulos ainda estavam lá.

*



Aliás, a gente sempre pode contar com o público do Cinemark nos bons filmes. A catrefa de mascadores de pipoca simplesmente não entra nessas sessões.

Só tinha eu e mais outro sujeito na sala. E uma hora umas senhoras que cuidam da limpeza apareceram para ver (e comentar) uma cena especialmente herege.

É uma pena. Pena mesmo. Tomara que a situação tenha sido melhor em outras salas.

*



Porque o filme do Mojica é demais, claro.

De muitas formas, fala sobre tudo isso que está aí em cima. Depois de 40 anos na prisão, o Zé do Caixão sai para um mundo em que ele não se encaixa. Ele é monstruoso, pervertido, doentio, mas o resto é bem pior. A banda podre da polícia, por exemplo. Ou as milícias da favela. Ou os ruminantes de pipoca.

*



Aproveitando: tem que ler o Prontuário 666, do Samuel Casal. Tem quê.

O Samuel fez uma puuuuuta HQ que serve de prelúdio ao filme. Que conversa com o longa do Mojica e com excelente documentário O prisioneiro da grade de ferro, que é do Paulo Sacramento, não por acaso o produtor de Encarnação do demônio.

*



A trilha do filme está no MySpace.

*



Pra acabar: nunca fui o cara mais próximo do Dennison Ramalho, que é o co-roteirista, diretor-assistente e, pelo que ouvi falar, faz-tudo do filme.

A Cléo de Paris eu não vejo há zilhões de anos. E é por causa dessas dissonâncias que São Paulo faz com a gente e a gente teima em aceitar.

Mas estou muito, muito feliz pelos dois.

Download da palestra do David Lynch

Psst
Perguntas sobre como foi a palestra do Lynch chegam tanto por aqui quanto pelo Flickr (pus umas fotos lá).

Eu só não contei que dá pra baixar a íntegra do áudio no site do Riuston, o infame gimmick que, em tese, responde pelo atendimento da Livraria Cultura.

(Só não entendi porque o comentário que eu fiz lá sobre a bagunça na palestra do Lynch não foi sequer publicado -- e muito menos respondido, claro. Se é pra valorizar o atendimento, ao menos uma respostinha podia vir por e-mail.)

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

David Lynch em São Paulo

Primeiro foi a bagunça da fila, que começou a se formar cedo. Tinha gente tentando furar, acabou virando barraco, um horror.

Estava claro: os agora lendários 166 lugares do Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, não teriam como abrigar os centenas de seguidores de David Lynch.

Teve bate-boca, teve funcionário da livraria jogando a responsabilidade da organização para o público, teve gente que chegou cedo e ficou de fora em detrimento dos furões. Enfim, ficou um climão pesado.

Fora que tinha que chegar cedo, ficar na fila, uma chatice.

E teve o lado legal: o Lynch reuniu uma fauna de amigos que ia de artista chapecoenses a editores do Batman.

Mas, deixando tudo isso de lado, de repente:

David Lynch

David Lynch estava lá. Com seu topete Eraserhead. Falando sobre meditação. Dizendo que idéias são como peixes. E que, às vezes, assim como você se apaixona por um peixe, você acaba se apegando a uma idéia -- e é essa idéia, que não é necessariamente a maior ou a melhor, que vira a obra.

(Pra mim, que já tinha lido Em águas profundas, tirando o momento tiete, foi isso que mais valeu.)

Coisas assim. Por pouco mais de meia hora.

Ou coisas como a pergunta "Meditação transcendental pode ajudar as pessoas a entenderem seus filmes?".

Pra qual a resposta foi, citando uma das supostas vantagens da tal técnica:

-- Compreensão infinita.

E a galera riu.

David Lynch

Além do Lynch em si, estava, meio que de surpresa, o Donovan, guru de meditação dos Beatles.

Donovan

O Donovan. Quem diria. E ele ainda cantou uma canção.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Napkin art

Se o café de Montevidéu é bom, me digam onde. As minhas tentativas foram frustrantes. Tanto que tive que apelar pro McCafé -- sem gosto, mas ao menos não tinham um final com gosto de água suja.

É uma pena, porque, no inverno, Montevidéu implora que você tome litros de café todos os dias.

Foi numa dessas que me saí com esta:

Eu odeio ser obrigado a sorrir

E esta:

Cuidado, señor. Está quente!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Eraserhead

O Guilherme Kroll tinha um problema: os colaboradores eventuais do site Homem Nerd, no qual é um dos coordenadores, não tinham assistido a Eraserhead, mas queriam fazer um especial bem completo sobre David Lynch.

Aí ele recorreu a mim.

E eu escrevi um texto.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

E o Duchamp no MAM?

Sim, tem a roda de bicicleta.

Roda



E o urinol.

R. Mutt, 1917



Mas tem um lado do Duchamp que é o do zoador, o do criador, do provocador.

Cinema



Esse é o Duchamp que me interessa. Eu fui atrás dele, e ele estava lá. Você pode até me acusar de ter sido um encontro marcado, que eu já sabia o que estava procurando -- mas aí vai ter que me explicar porque, se eu sabia o que ia achar, saí de lá surpreso.