domingo, 20 de setembro de 2009

Alcachofra forever

Hm. Começou a temporada de alcachofras. Comprei as primeiras ontem. Que, por sinal, acabam de acabar, graças a uma receita certeira que criei.

Achei que, mais do que apropriado, seria simpático compartilhar.

É assim:

Ingredientes

Alcachofras - Tantas quantas você for comer.

Azeite de oliva com canela - Usei um da marca Borges, franqueado pelo Ferran Adria, mas só porque ganhei de presente e/ou roubei da casa da minha mãe. Normalmente deixo um pau de canela de infusão no azeite de oliva extravirgem por um mês.

Pimenta rosa

Sal e pimenta

*

Cozinhe as alcachofras em água e sal numa panela por 40 minutos.

Enquanto isso, pré-aqueça o forno a 200ºC ou um pouco mais.

Quando a alcachofra estiver cozida, escorra toda a água.

Coloque as alcachofras em uma forma. Moa pimenta preta e jogue os grãos de pimenta rosa por cima, deixando que entranhe nas alcachofras. Por fim, regue generosamente com o azeite de oliva. Não se contenjha

Ponha no forno e deixe lá por meia hora.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

domingo, 2 de agosto de 2009

Por onde eu passo?

Calçada

Todo mundo sabe o quanto é estressante dirigir ou andar de transporte coletivo em São Paulo. Mas as pessoas não se dão conta de que, em muitas regiões, andar a pé também é de enlouquecer.

Os motivos são vários: carros mal estacionados, obstáculos inesperados, fezes de animais domésticos e até calçadas bizarramente irregulares.

E o motivo é um só: a calçada foi dessacralizada. Deixou de ser o espaço do pedestre e virou uma terra de ninguém. Ninguém fiscaliza, ninguém cobra, ninguém reforma, ninguém reclama e todo mundo faz o que quer.

Digo mais: todo mundo faz o que quer. E não faz por mal. Simplesmente porque ninguém mais percebe o valor de uma boa calçada. Já estamos acostumados a caminhar sobre um terreno irregular. É automático.

É triste, mas é verdade.

Ontem, eu voltava pra casa. Vi essa cena:

Por onde eu passo?

Do lado direito, a obra de um prédio novo interditou a calçada com um guindaste. Do outro, a construtora pôs meninas com bandeiras pra chamar atenção para o empreendimento. Pra piorar: a calçada é estreita, mal tem um metro de largura em alguns trechos. Pra continuar piorando: a calçada é cheia de desníveis. Pra fechar o trem do horror: os postes ficam bem no meio da calçada estreita. E por onde eu passo?

Não acho que a construtora tenha bolado um plano para acabar com as calçadas da região. Seria burrice: se a zona é bacana, o prédio vale mais. Mas a empresa está tão acostumada a levantar bandeiras de um lado e guindastes de outro nem se dá conta de que está acabando com a calçada. Até porque os moradores da própria rua e o próprio governo não se deu conta de que pessoas teriam que passar por ali.

Outro exemplo é esse penhasco que faz as vezes de escada:

Por onde eu passo?

Na prática, até mesmo um jardim verde e bonito como esse vira um problema quando ocupa todo o espaço destinado à passagem:

Por onde eu passo?

Desde que comecei a prestar atenção nas calçadas, vi bizarrices tão incríveis que comecei a colecioná-las. Montei um álbum no Flickr pra guardar as fotos desses percalços urbanos. Chama-se Por onde eu passo?.

O motivo pra reclamar é simples. Se é ruim pra mim, imagine para um velhinho, para uma grávida, para uma mãe com carrinho de bebê, para um cadeirante ou qualquer pessoa com uma dificuldade qualquer.

Ok, a calçada da Paulista foi reformada e, dizem, tem acessibilidade plena, mas quanto tempo vai levar para que a cidade toda seja transitável para pedestres? E quando a reforma vai começar?

terça-feira, 7 de julho de 2009

Michael Jackson, Sade, a Fera e Edward Mãos de Tesoura

(Desculpa, me atrasei. Eu tava fora. Foi mal. Desculpa mesmo.)

***

Lembrei da Fera (da Bela). Do Marquês de Sade. Do Edward Mãos de Tesoura. De gente diferente, perturbadora, que incomoda e que acabou encarcerada em um castelo ou em um calabouço qualquer.

Como o Michael Jackson, coitado.

Aí lembrei que a Fera, Sade e Edward não foram exilados porque eram diferentes. A humanidade isolou cada um deles simplesmente porque eles mostravam à luz do dia coisas como desejos sexuais ou amor sincero. Porque eles eram como nós - só um pouco mais sinceros ou transparentes.

Serendipitei no raciocínio e me dei conta de que, como os três, Michael Jackson também era como a gente. Só que meio sem limite. Ele extrapolava.

Saca só.

A gente vê filme de super-heróis e acha fofinho caderno da Hello Kitty. Ele mora num parque de diversão. (Um dia um laboratório de tendências aí me disse que éramos todos "kidults". Todos, inclusive Michael Jackson.)

A gente faz plástica. Ou, no mínimo, se mata pra ficar melhorzinho. Michael Jackson fazia cirurgias em busca de um rosto e de uma beleza que eram o que ele tinha.

Todo mundo tem algum problema com a família. A dele, devassada, parecia um pouco pior que a nossa. Mas vai saber. Melhor nem mexer aí.

No Twitter, esse monitor universal que uso para controlar a vida de um punhado de gente que acho interessante, li que muita gente chorou quando aquela menina bonita disse que papai foi o melhor pai imaginável desde que ela nasceu. Do destaque que a menina ganhou nas capas dos portais, depreendo (chuto) que o choro foi coletivo.

Depreendo de novo (chuto) que o choro não foi exatamente pelo destino incerto da orfãzinha. Algo me diz que a comoção veio porque aquela menina era normal (como a gente), porque ela falou de um cara normal (como o pai da gente). A gente esperava que a menina fosse fria ou dura ou louca ou tivesse cara de lambisgoia ou tivesse a pele coberta de escamas.

Mas, tal qual uma Susan Boyle ao reverso, não tinha nenhuma surpresa.

Ela era só uma menina que ama muito o pai morto.

Foi assim que a menina normal estragou tudo.

O circo estava montado. Tinha shows agendados e convites disputados no eBay. Vi na TV do restaurante chinfrim do almoço que tinha até um cenário para os visitantes fazerem retrato de recordação (vai ser moda daqui pra frente, certo).

Íamos nos livrar do nosso rei amaldiçoado. Enfim estaríamos livre para ouvir Thriller e Bad - elas estavam livres da maldição do ser estranho.

E aí veio a menina e - como a mocinha torta que ama os monstros dos filmes - mostrou pra todo mundo quem que quem. Redimiu o monstro e condenou o vilarejo.

Final clichê de filme ruim. Na maioria das vezes, a vida não consegue ser melhor que isso.

**

Lembrei do Ivan Lessa e do Gay Talese. Acusados de "mimimi".

***

(Acho que voltei. Acho.)