“É fácil dizer isso, a palavra 'revolução' é usada demais, ela está perdendo sua força. Mas nos últimos cinco anos, de fato, vimos a comunicação se transformar. Qual será o futuro das livrarias, das editoras, dos professores, dos estudantes? Qual será o futuro dos jornais? Tudo está mudando.”
Robert Darnton, historiador, falando pro Fábio Prikladnicki, da Aplauso. Ele defende o livro digital.
Esse tem sido, por sinal, um dos meus assuntos favoritos. Acho que falta só um suporte decentezinho pro livro digital deslanchar -- e olha que ele está chegando aí a qualquer minuto.
quinta-feira, 5 de abril de 2007
Correio robótico
Os Correios dos Estados Unidos estão preparando uma série de selos de Star Wars para comemorar os 30 anos da estréia do primeiro filme. O site deles ficou todo temático. Você pode votar no selo favorito, por exemplo.
A ação se completa com as caixas de correio, que viraram R2-D2:

A ação se completa com as caixas de correio, que viraram R2-D2:

As leis da simplicidade
John Maeda é simplesmente brilhante neste livro. Li na época em que estive no limbo dos blogs, mas recomendei pra todo mundo e fiz muita, muita gente comprar.
quarta-feira, 4 de abril de 2007
Downloads up
Quem disse que a humanidade aprende com o erro?
Uns anos atrás, quando ainda estava às voltas com jornalismo digital, vi as gravadoras olharem o MP3 com certo desprezo. E também alguma soberba: achavam que eram grandes o suficiente pra enfrentar a massa que começou a usar a internet para pirataria.
Deu no que deu.
Hoje, o Blue Bus abrigou um, errr, debate sobre alguns canais de TV por assinatura que andaram mutilando séries para ampliar o espaço comercial, algo que pega mal não só para o canal, mas também pro pobre anunciante, a quem provavelmente foi prometido um horário concorrido e bacana.
Desse jeito, não fica difícil profetizar que mais um povaréu tenderá a migrar para os tais torrents -- que saem de graça, que não vêm com propaganda (só merchandising), que podem ser vistos a qualquer momento e ainda têm a vantagem de apresentar os programas logo depois de sua exibição norte-americana, versus as semanas (ou meses) de espera da versão nacional.
Quem também anda ignorando tacitamente o rombo que os downloads estão causando é a pequena indústria de quadrinhos. Como é um mercado pequeno, ainda não é um assunto muito falado por aí. Mas quem está dentro, ou por perto, sabe que o volume de piratas de quadrinhos é monumental há anos. O Dan Slott, um bom e jovem roteirista, andou reclamando, mas o tom me lembrou muito os discursos das gravadoras antes da queda.
Uns anos atrás, quando ainda estava às voltas com jornalismo digital, vi as gravadoras olharem o MP3 com certo desprezo. E também alguma soberba: achavam que eram grandes o suficiente pra enfrentar a massa que começou a usar a internet para pirataria.
Deu no que deu.
Hoje, o Blue Bus abrigou um, errr, debate sobre alguns canais de TV por assinatura que andaram mutilando séries para ampliar o espaço comercial, algo que pega mal não só para o canal, mas também pro pobre anunciante, a quem provavelmente foi prometido um horário concorrido e bacana.
Desse jeito, não fica difícil profetizar que mais um povaréu tenderá a migrar para os tais torrents -- que saem de graça, que não vêm com propaganda (só merchandising), que podem ser vistos a qualquer momento e ainda têm a vantagem de apresentar os programas logo depois de sua exibição norte-americana, versus as semanas (ou meses) de espera da versão nacional.
Quem também anda ignorando tacitamente o rombo que os downloads estão causando é a pequena indústria de quadrinhos. Como é um mercado pequeno, ainda não é um assunto muito falado por aí. Mas quem está dentro, ou por perto, sabe que o volume de piratas de quadrinhos é monumental há anos. O Dan Slott, um bom e jovem roteirista, andou reclamando, mas o tom me lembrou muito os discursos das gravadoras antes da queda.
Ronnie Von de novo
Um punhado de bandas independentes fez novas versões, faixa a faixa, para os dois álbuns psicodélicos de Ronnie Von. Os discos originais são obras-primas do rock brasileiro. O quase esquecimento é um dos mais ingratos de que se tem notícia. Ele simplesmente reduziu um artista brilhante a principezinho do Rei na cabecinha do pessoal.
Já faz um tempinho que os discos têm reaparecido vez que outra. Ora era a Video Hits regravando Sílvia 20 Horas, noutra, a TPM entrevistando o cara. Mas ainda tá longe de todo mundo saber que esses álbuns existem e são bacanas.
Legal é que você nem tem que se levantar pra comprar o CD. Tá tudo de graça na internet, num site que descreve todo o projeto, com blog e tudo, e ainda dá as músicas. Foi lá que descobri que quem criou e orquestrou o lance todo foi a Flávia Durante, que eu só conheço por e-mail, MSN, essas coisas.
Tou baixando. Ouço na volta, que será tarde, ou amanhã cedinho.
Já faz um tempinho que os discos têm reaparecido vez que outra. Ora era a Video Hits regravando Sílvia 20 Horas, noutra, a TPM entrevistando o cara. Mas ainda tá longe de todo mundo saber que esses álbuns existem e são bacanas.
Legal é que você nem tem que se levantar pra comprar o CD. Tá tudo de graça na internet, num site que descreve todo o projeto, com blog e tudo, e ainda dá as músicas. Foi lá que descobri que quem criou e orquestrou o lance todo foi a Flávia Durante, que eu só conheço por e-mail, MSN, essas coisas.
Tou baixando. Ouço na volta, que será tarde, ou amanhã cedinho.
Rio de Jano
Vimos nesta semana, com anos de atraso, o documentário Rio de Jano, que registra a passagem do cartunista francês pela capital carioca para o livro da série Cidades Ilustradas.
O Jano (que eu sempre chamava de Jano, mas o certo é Janô) é um cartunista underground bem popular por lá. Bem a grosso modo, é o Angeli deles. E no filme ele fica andando pelo Rio, desenhando e observando coisas.
Sensacional é quando ele olha uma vitrine de calça gang na periferia e diz que o Brasil é o único lugar do mundo em que os manequins são cortados ao meio e ficam de costas pros consumidores. O fenômeno não é suburbano: eu lembro de ver um manequim assim em Ipanema. Mas, de repente, nem tenho certeza de ser algo tão carioca, não.
O Jano (que eu sempre chamava de Jano, mas o certo é Janô) é um cartunista underground bem popular por lá. Bem a grosso modo, é o Angeli deles. E no filme ele fica andando pelo Rio, desenhando e observando coisas.
Sensacional é quando ele olha uma vitrine de calça gang na periferia e diz que o Brasil é o único lugar do mundo em que os manequins são cortados ao meio e ficam de costas pros consumidores. O fenômeno não é suburbano: eu lembro de ver um manequim assim em Ipanema. Mas, de repente, nem tenho certeza de ser algo tão carioca, não.
segunda-feira, 2 de abril de 2007
Duas adaptações
No cinema, duas adaptações.
Uma é de O Cheiro do Ralo, primeira novela de Lourenço Mutarelli, um livro soturno e denso, tão preto-e-branco quanto os quadrinhos do cara. E um dos meus favoritos. Virou um filme colorido na forma (e isso começa nas cores que cercam a bunda da cena de abertura e se espalha por toda a película), mas ainda perturbador. E brilhante, diga-se de passagem. A sala em que vi estava quase vazia. Não deveria.
A outra é 300, graphic novel de Frank Miller. Originalmente, é todo colorido. O filme mantém os mesmos tons que o trabalho da colorista Lynn Varley, só que mais fumacentos. Visualmente, é espetacular -- faz de Maria Antonieta um filme contido. Mas o enredo é épico demais, sempre no mesmo tom, como se o clímax começasse passados os primeiros cinco minutos. A frase "Tonight we dine in hell", que vem sendo cultuada, pode passar batida a um desatento. A sala em que vi estava vazia. Inesperado, mas justo.
Por coincidência, as duas obras, tão contrastantes, foram reeditadas agora pela mesma Devir.
Uma é de O Cheiro do Ralo, primeira novela de Lourenço Mutarelli, um livro soturno e denso, tão preto-e-branco quanto os quadrinhos do cara. E um dos meus favoritos. Virou um filme colorido na forma (e isso começa nas cores que cercam a bunda da cena de abertura e se espalha por toda a película), mas ainda perturbador. E brilhante, diga-se de passagem. A sala em que vi estava quase vazia. Não deveria.
A outra é 300, graphic novel de Frank Miller. Originalmente, é todo colorido. O filme mantém os mesmos tons que o trabalho da colorista Lynn Varley, só que mais fumacentos. Visualmente, é espetacular -- faz de Maria Antonieta um filme contido. Mas o enredo é épico demais, sempre no mesmo tom, como se o clímax começasse passados os primeiros cinco minutos. A frase "Tonight we dine in hell", que vem sendo cultuada, pode passar batida a um desatento. A sala em que vi estava vazia. Inesperado, mas justo.
Por coincidência, as duas obras, tão contrastantes, foram reeditadas agora pela mesma Devir.
domingo, 1 de abril de 2007
Maria Antonieta

Parece que Sofia Coppola não conseguiu resolver um problemão neste Maria Antonieta: é uma história com começo quase desconhecido, mas cenário político e desfecho bastante popular. Então ela simplesmente passa por cima disso tudo. E mostra o que rolava na corte francesa e mal chega na derrocada de Luís XVI.
Sem ouvir os dois lados, Maria Antonieta é um filme marxista: a culpa da Revolução Francesa não é dos indivíduos, e sim do processo histórico. E ao mesmo tempo, mostra os indivíduos fazendo o processo histórico.
Muito além da plasticidade e da trilha sonora espetacular, Maria Antonieta é um grande filme.
Itaú Contemporâneo
A mostra Itaú Contemporâneo, com obras do acervo do Itaú, tem recebido destaque porque a Bia Lessa pôs as obras no chão do Itaú Cultural. Virou polêmica até nos guias semanais dos jornalões. Algumas críticas reduzem tudo a esse pequeno recurso, que até funciona, como se a mostra toda fosse apenas uma sala com obras no chão. Não é.
Tanto a mostra quanto o trabalho de Bia Lessa ultrapassam uma única sala e se enveradam por vários andares do prédio, expondo 127 trabalhos realizados ao longo dos últimos 25 anospor artistas brasileiros, incluindo aí Vik Muniz, Iberê Camargo, Siron Franco etc. Nem tudo, só aquela sala dedicada à beleza nas artes visuais, está com quadros no chão. Mas a montagem é sensacional, com as etiquetas das obras coladas no chão, deixando as paredes brancas, e com cortinas densas de cordinhas separando espaços e salas, todas unidas por um corredor negro.
Tanto a mostra quanto o trabalho de Bia Lessa ultrapassam uma única sala e se enveradam por vários andares do prédio, expondo 127 trabalhos realizados ao longo dos últimos 25 anospor artistas brasileiros, incluindo aí Vik Muniz, Iberê Camargo, Siron Franco etc. Nem tudo, só aquela sala dedicada à beleza nas artes visuais, está com quadros no chão. Mas a montagem é sensacional, com as etiquetas das obras coladas no chão, deixando as paredes brancas, e com cortinas densas de cordinhas separando espaços e salas, todas unidas por um corredor negro.
Goya no Masp
É a segunda vez que vou ao Masp neste verão e, de novo, estava um calor do cão lá dentro, principalmente no segundo andar -- onde está o acervo com aqueles Picassos, Van Goghs, Renoirs, renascentistas e, agora, as gravuras do Goya. Não consigo imaginar o resultado que a alta temperatura, constante porque o sol bate no teto do prédio todo dia e o ar condicionado não dá conta, provoque nas obras.
Mas, mesmo assim, não dá pra não ver o Goya. São quatro séries e 218 peças no total: Os Caprichos, Desastres da Guerra, Tauromaquia e Provérbios ou Disparates. Disparates me parece a melhor, seguida de Desastres da Guerra.
Nem sei como a Caixanova emprestou sua coleção. Será que não verificaram o prédio antes? O Masp precisa urgentemente de uma reforma, até porque é a sala do acervo a que mais sofre com o calor. É uma pena.
De resto, há uma boa mostra de Alex Flemming dando sopa no primeiro andar. E as novas aquisições do museu, todas doações, estão lá em baixo, junto com uma nova rodada da coleção Pirelli.
Mas, mesmo assim, não dá pra não ver o Goya. São quatro séries e 218 peças no total: Os Caprichos, Desastres da Guerra, Tauromaquia e Provérbios ou Disparates. Disparates me parece a melhor, seguida de Desastres da Guerra.
Nem sei como a Caixanova emprestou sua coleção. Será que não verificaram o prédio antes? O Masp precisa urgentemente de uma reforma, até porque é a sala do acervo a que mais sofre com o calor. É uma pena.
De resto, há uma boa mostra de Alex Flemming dando sopa no primeiro andar. E as novas aquisições do museu, todas doações, estão lá em baixo, junto com uma nova rodada da coleção Pirelli.
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