quarta-feira, 28 de novembro de 2007

O trem e o cinema

Quando eu conto que andei de trem pela Europa nos últimos dias, uma das reações mais comuns no Brasil é falar sobre a impressionante (sic) honestidade dos europeus, que pagam a passagem correta sabendo que, muitas vezes, em muitos trechos, não haverá conferência. E é fato: na linha do Thalys entre Amsterdã e Paris, nossos bilhetes foram checados logo na saída e um pouco antes da chegada. Dava pra viajar na boa entre Bruxelas e toda a Antuérpia sem pagar nada.

Sem se dar conta, a gente fala como se isso fosse coisa de outro mundo, o que é um pouco surreal e um tanto revelador sobre o país em que vivemos.

E sempre vem o comentário arrebatador: dizem que um sistema tão livre jamais funcionaria aqui. O que, convenhamos, é verdade. Nossa tendência, porém, é creditar a culpa ao pobre coitado que passa por baixo da roleta do ônibus, e não àqueles que estão mais próximos de nós e que usam carteirinha de estudante falsificada (e por favor notem que me refiro apenas às falsas).

Sei que arregimento pequenas hordas de detratores a cada vez que toco nesse assunto. Sei que sôo antipático. Mas é um fato: por que esperar que gente com bom salário pague uma passagem de ônibus se não paga sequer a outra metade do ingresso do Cinemark? A lógica, me desculpem os pilantras, é a mesma. E quem paga mais caro pra ver um filme sou eu e o pequeno punhado de gente que acha que vive num país que merece ter solução.

4 comentários:

ematoma disse...

Ótimo post, me faz me sentir melhor por me recusar a ter carteirinha de estudante...

Pedro disse...

Concordo com vc Nasi. Mas infelizmente o Brasil é o país mais errado do mundo. Quando vc tenta fazer o q é certo faz papel de palhaço. è como se perguntassem, numa terra de loucos, quem é o normal? Uma vez fui ao cinema e levei minha carteirinha de estudante para pagar meia, sendo que paguei 35,00 à uma associação Jovem Pan / UNE para ter este diretio, tendo q levar comprovante de matrícula e tudo. Na hora do filme me barraram e o gerente falou q existia uma nova lei, publicada não sei de que forma, que proibia carteira de sociedades privadas como a JP. Tinha de levar documento de matrícula, mensalidade paga e etc. Enquato isso, passavam várias pessoas q falsificam a carteirinha das universidades públicas e essas não precisam mostrar nada. Ou seja, tentei fazer o certo me ferrei. No Brasil não se descute com flanelinha (apesar de ser um assalto legitimado), onde já se viu isso ? Enfim desisti, tento fazer as coisas certas mas quando tão passando na minha frente, brigo até não poder mais.

camila gonzatto disse...

Oi, Dudu... Tem gente que não devolve o troco, quando vem errado a mais... Acho isso também muito feio. A coitada da criatura que tá cansada e fez o cálculo errado, vai ter que pagar no fim do dia.

sara lee disse...

a questão é que enquanto em países "civilizados" as pessoas se sentem parte do país, a grande maioria dos brasileiros - esses do "jeitinho" - se sentem no Brasil a passeio. cacarejamos um mega patriotismo por suar no carnaval, mas no fundo no fundo, neguinho tah tudo esperando ter "aprontado" o suficiente pra ter grana e viver nas "estranja".
enquanto a gente daqui não se sentir daqui, vai continuar cagando no prato que come.