sábado, 9 de agosto de 2008

É dublado, viu?

Aí eu tava com preguiça de ir até um cinema decente e teimei em ver Encarnação do demônio no Cinemark aqui perto de casa mesmo.

Claro que é estupidez. Cinemark é SEMPRE uma porcaria. E eu sabia disso.

Outro dia, fui, no intervalo do almoço, na primeira sessão do dia -- mas não tinha dado tempo de limparem a sala no intervalo de doze horas que separava a minha sessão da última do dia anterior. O chão estava coberto de pipoca. A sala cheirava a manteiga rançosa, e bem mais do que o habitual das salas da rede.

Mas aí eu cheguei na bilheteria:

-- Uma pra Encarnação do Demônio.

-- Inteira?

-- Inteira.

-- Pras treze e dez?

-- É.

-- É dublado, viu?

*



Aí eu dei graças a deus que estava no Cinemark. Se fosse em outro lugar, poderia estar numa sessão da Sociedade Italiana, por exemplo, antecipando a cópia que será exibida em Veneza.

Mas no Cinemark a gente sempre pode contar com o despreparo da equipe.

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Por exemplo: vimos Quando os fracos não tem vez naquela mesma sala. Em fevereiro ou março, acho.

Com certeza é a mesma: uma bem pequena que eles guardam pra filmes a que o público deles não assiste

Na época, reclamei pro gerente que havia retângulos de luz que incidiam sobre a tela e atrapalhavam a imagem.

E o gerente ficou perplexo, achou um absurdo e disse que ia consertar imediatamente.

Hoje, passados tantos meses, os retângulos ainda estavam lá.

*



Aliás, a gente sempre pode contar com o público do Cinemark nos bons filmes. A catrefa de mascadores de pipoca simplesmente não entra nessas sessões.

Só tinha eu e mais outro sujeito na sala. E uma hora umas senhoras que cuidam da limpeza apareceram para ver (e comentar) uma cena especialmente herege.

É uma pena. Pena mesmo. Tomara que a situação tenha sido melhor em outras salas.

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Porque o filme do Mojica é demais, claro.

De muitas formas, fala sobre tudo isso que está aí em cima. Depois de 40 anos na prisão, o Zé do Caixão sai para um mundo em que ele não se encaixa. Ele é monstruoso, pervertido, doentio, mas o resto é bem pior. A banda podre da polícia, por exemplo. Ou as milícias da favela. Ou os ruminantes de pipoca.

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Aproveitando: tem que ler o Prontuário 666, do Samuel Casal. Tem quê.

O Samuel fez uma puuuuuta HQ que serve de prelúdio ao filme. Que conversa com o longa do Mojica e com excelente documentário O prisioneiro da grade de ferro, que é do Paulo Sacramento, não por acaso o produtor de Encarnação do demônio.

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A trilha do filme está no MySpace.

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Pra acabar: nunca fui o cara mais próximo do Dennison Ramalho, que é o co-roteirista, diretor-assistente e, pelo que ouvi falar, faz-tudo do filme.

A Cléo de Paris eu não vejo há zilhões de anos. E é por causa dessas dissonâncias que São Paulo faz com a gente e a gente teima em aceitar.

Mas estou muito, muito feliz pelos dois.

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